NASA, ESA, AND G. BACON (STSCI)
GRANADA 29 jan. (EUROPA PRESS) - O Instituto de Astrofísica da Andaluzia conseguiu caracterizar a composição atmosférica do exoplaneta GJ 436 b, um exoplaneta do tipo Neptuno que orbita muito perto de sua estrela, uma anã vermelha mais fria e menor que o Sol.
Essa proximidade expõe o planeta à atividade da estrela, o que faz com que parte da atmosfera escape, formando uma extensa “cauda” que o acompanha em sua órbita. Esse comportamento despertou grande interesse na comunidade científica, sobretudo pela possibilidade de estudar a composição de sua atmosfera.
Os modelos prevêem a presença de moléculas como vapor de água e metano, mas até agora esses sinais não foram detectados. Para abordar essas incógnitas, um novo estudo liderado pelo IAA-CSIC, no âmbito da tese de doutorado do pesquisador Alberto Peláez Torres e com a colaboração do consórcio Carmenes, utilizou observações de alta resolução com os espectrógrafos Carmenes e Crires.
Graças a essa abordagem, foram obtidos os valores mais precisos até o momento da pressão das nuvens e da metalicidade da atmosfera de GJ 436 b.
“Nossos resultados mostram que as nuvens estão localizadas em torno do nível do milibar, ou seja, em uma zona muito alta da atmosfera, e que a metalicidade atinge cerca de 900 vezes a solar”, afirma Alberto Peláez, pesquisador do IAA-CSIC e líder do estudo.
“Também acreditamos ter atingido o limite de precisão com que podemos determinar a altitude das nuvens. Mesmo combinando dados de várias noites de observação, não conseguimos melhorar a medição. Isso provavelmente se deve ao fato de que as próprias nuvens bloqueiam ou atenuam os sinais de absorção da água nessa região da atmosfera, o que dificulta detectá-las com maior precisão”.
AUSÊNCIA DE MOLÉCULAS DETECTÁVEIS Até agora, a ausência de detecções de moléculas como vapor de água e metano pode ser devido ao fato de a atmosfera de GJ 436 b estar coberta por uma camada de nuvens muito alta que bloqueia a observação dos gases, ou ao fato de a atmosfera ser muito compacta, o que atenua os sinais moleculares.
Determinar com precisão a altitude dessas nuvens e a metalicidade da atmosfera é fundamental para entender por que os instrumentos atuais não conseguiram detectar as moléculas esperadas e, ao mesmo tempo, fornece informações essenciais para avançar no estudo de planetas do tipo Netuno e sub-Netuno.
Os resultados deste trabalho representam um avanço importante na caracterização das atmosferas de exoplanetas pequenos. A combinação de observações de alta resolução permitiu superar algumas limitações de estudos anteriores e oferece um quadro mais sólido para futuras pesquisas sobre a composição atmosférica e a presença de nuvens em outros exoplanetas.
O trabalho foi realizado inteiramente pelo Instituto de Astrofísica da Andaluzia (IAA-CSIC), onde foram feitos a análise dos dados, o desenvolvimento dos modelos e a interpretação dos resultados.
Além disso, o estudo faz parte do consórcio do espectrógrafo de alta resolução Carmenes, localizado no Observatório de Calar Alto e gerido cientificamente pelo IAA-CSIC. Ter uma atmosfera é uma característica fundamental para compreender a natureza e a evolução de um planeta, embora não implique necessariamente que ele possa abrigar vida.
O estudo de sua composição permite reconstruir os processos físicos e químicos que moldaram esses mundos desde sua formação. Neste trabalho, foi analisada a atmosfera de um planeta extremamente quente — com temperaturas próximas a 700 graus — e localizado muito perto de sua estrela, condições que o tornam inabitável, mas especialmente valiosas para testar os modelos atuais de evolução planetária.
“Graças aos avanços na instrumentação e nas técnicas de análise astronômica, está se tornando tangível a possibilidade de começar a caracterizar essas atmosferas com um nível de detalhe sem precedentes”, explica Alberto Peláez (IAA-CSIC).
“Esses estudos buscam esclarecer a formação e a evolução de planetas relativamente pequenos, como os Neptunos e sub-Neptunos, os mais abundantes do universo e que, até agora, resistem a serem caracterizados”.
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