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MADRID 14 set. (EUROPA PRESS) -
O chefe do Serviço de Reumatologia do Hospital Universitário Dr. Peset, de Valência, Juan José Alegre, destacou que os tratamentos que bloqueiam a via do interferon, as terapias celulares CAR-T, os anticorpos bispecíficos e os novos medicamentos antifibróticos que estão sendo desenvolvidos representam uma “nova oportunidade” no combate à esclerodermia ou esclerose sistêmica.
Conforme explicou durante o III Curso de Esclerodermia, organizado pela Sociedade Espanhola de Reumatologia em colaboração com a Boehringer Ingelheim, todos esses tratamentos, que se encontram em diferentes fases de desenvolvimento, estão mudando o panorama terapêutico da doença, que tradicionalmente tem recebido menos atenção em termos de pesquisa e assistência médica do que outras patologias mais frequentes.
A esclerodermia é uma doença rara, complexa e heterogênea que afeta aproximadamente entre 50 e 300 pessoas por milhão de habitantes, com uma incidência estimada entre 10 e 20 novos casos por milhão de habitantes. Embora sua prevalência varie significativamente de acordo com as regiões geográficas e os grupos populacionais, a Espanha está entre os países europeus que apresentam índices de incidência e prevalência acima da média.
“No futuro, será fundamental continuar aprofundando o conhecimento dos mecanismos que originam e mantêm a doença e desenvolver biomarcadores capazes de identificar os pacientes com maior risco, que poderiam se beneficiar de estratégias terapêuticas mais intensivas e personalizadas”, destacou Alegre, que precisou que, atualmente, as estratégias disponíveis baseiam-se em imunossupressores convencionais e terapias biológicas.
Por sua vez, o reumatologista do Hospital Universitário Ramón y Cajal, de Madri, Carlos De la Puente Bujidos, destacou os avanços no diagnóstico, na triagem e no acompanhamento, que permitiram detectar mais precocemente algumas das principais complicações dessa doença sem cura.
Paralelamente, ele ressaltou a importância da “aplicação adequada e oportuna das diversas alternativas farmacológicas e não farmacológicas” e instou a reforçar o diagnóstico precoce, estabelecer estratégias de acompanhamento individualizadas e garantir uma abordagem multidisciplinar, além de continuar pesquisando novos tratamentos.
GRAVIDEZ COM PLANEJAMENTO E ACOMPANHAMENTO
A doença afeta principalmente mulheres, especialmente entre 40 e 60 anos, embora também possa ocorrer em homens, idosos e até mesmo na população pediátrica.
A reumatologista Antía García, especialista do Hospital Universitário de Guadalajara, destacou que um diagnóstico de esclerodermia “não deve ser interpretado como uma renúncia automática à maternidade”, para isso, é fundamental um planejamento adequado e precoce caso haja o desejo de ser mãe, além de um bom controle da doença e um acompanhamento multidisciplinar durante a gravidez.
“É fundamental não tomar decisões baseadas no medo ou na desinformação e conversar abertamente com a equipe de reumatologia sobre o desejo de ser mãe”, observou ela, insistindo na importância de uma abordagem precoce do desejo de ser mãe e da preservação da fertilidade, já que esta pode ser afetada tanto pelo adiamento da gravidez quanto pela exposição a determinados tratamentos, como a ciclofosfamida.
Conforme detalhou, a gravidez “deve ser planejada em um momento de estabilidade da doença, com medicação compatível”. Antes da concepção, ela destacou que é necessário reavaliar o possível comprometimento pulmonar e/ou cardíaco e avaliar seu impacto funcional. Uma vez iniciada a gravidez, ela destacou que o acompanhamento deve ser rigoroso, tanto pela equipe de obstetrícia quanto pela de reumatologia.
Da mesma forma, ela ressaltou que deve ser feita uma avaliação individualizada da medicação antes da concepção, garantindo sua compatibilidade com a gravidez sem comprometer o controle da doença. “Interromper o tratamento por medo de efeitos negativos na gravidez pode representar um risco maior para a mãe e o bebê”, alertou.
Além disso, ela afirmou que o planejamento e o acompanhamento devem ser mantidos também após o parto, sobretudo em pacientes com comprometimento pulmonar, para detectar possíveis complicações e ajustar o tratamento quando necessário.
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