Publicado 29/07/2026 07:08

A cannabis triplica o risco de os adolescentes desenvolverem transtornos mentais em comparação com outras substâncias

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LORDHENRIVOTON/ ISTOCK - Arquivo

MADRID 29 jul. (EUROPA PRESS) -

A Sociedade Espanhola de Patologia Dupla (SEPD) divulgou um estudo recente que concluiu que o consumo de cannabis triplica o risco de adolescentes com menos de 17 anos desenvolverem transtornos mentais, em comparação com o consumo de outras substâncias.

“A cannabis é a droga que apresenta mais propriedades psicotizantes, muito acima de muitas outras substâncias de uso”, afirmou o presidente da Fundação de Patologia Dupla, o Dr. Néstor Szerman, em relação a este trabalho publicado na revista especializada ‘The American Journal of Psychiatry’ por pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, de Baltimore, nos Estados Unidos.

Por isso, esse especialista destacou esse estudo, já que, em muitas ocasiões, a cannabis é vista pela população — especialmente pelos jovens — como uma droga leve e como um produto natural que, portanto, parece isento de perigos. “Os dados científicos anteriores e os apresentados por esta nova pesquisa não se correlacionam, de forma alguma, com essa percepção”, argumentou.

“O cérebro humano passa por um período de neurodesenvolvimento que só se conclui bem depois dos 20 anos”, afirmou ele, acrescentando que “nesse processo, o ritmo de desenvolvimento das diferentes áreas cerebrais é desigual”. Assim, explicou que “os circuitos responsáveis pelo controle demoram mais para atingir seu desenvolvimento funcional do que aqueles ligados à recompensa, o que torna os adolescentes mais vulneráveis”.

Além disso, ele revelou que esse efeito é ainda mais significativo entre os adolescentes que apresentam uma vulnerabilidade genética, comum tanto para o vício em cannabis quanto para o desenvolvimento de outros transtornos psiquiátricos. Entre estes últimos, e de acordo com este estudo, destacam-se especialmente a esquizofrenia (risco 52% maior entre adolescentes com transtorno por uso dessa droga) e a depressão (risco 30% maior).

VULNERABILIDADE GENÉTICA

“Os adolescentes que apresentam baixa vulnerabilidade genética, ao consumirem cannabis com alto teor de THC, podem desenvolver episódios psicóticos”, continuou o pesquisador, que também é membro do Instituto de Psiquiatria e Saúde Mental do Hospital Geral Universitário Gregorio Marañón, em Madri, acrescentando que “por outro lado, quando a vulnerabilidade é elevada, mesmo uma cannabis com baixo teor de THC é suficiente para desencadear um episódio psicótico, que em quase metade dos casos pode evoluir para um transtorno psicótico crônico”.

Como exemplo disso, ele indicou que “nos locais do mundo onde o uso da cannabis foi legalizado, como, por exemplo, na província de Ontário, no Canadá, a incidência de episódios psicóticos triplicou desde então”. Em sua opinião, há uma razão para essa estreita relação entre o transtorno por uso de cannabis e a psicose, para o que citou um estudo publicado há pouco mais de um ano na revista especializada ‘JAMA Psychiatry’, realizado por meio de técnicas de imagem cerebral.

Assim, essa pesquisa constatou que pessoas com transtorno por uso de cannabis apresentam níveis mais elevados de dopamina na mesma região cerebral relacionada à psicose, algo que, segundo seus autores, pode alterar os processos cerebrais normais e aumentar o risco de psicose, particularmente em indivíduos que já são vulneráveis.

“No cérebro humano existe um sistema endocanabinoide endógeno, assim chamado por ser o local onde a cannabis consumida exerce seu efeito”, afirmou Szerman, ao mesmo tempo em que destacou que “esse importante sistema cerebral não existe para que as pessoas consumam cannabis, mas está ligado à sobrevivência como indivíduos e como espécie”. Esse sistema “pode se tornar disfuncional por causas genéticas e/ou adquiridas e dar origem a diversos transtornos mentais — entre eles, o transtorno por uso de cannabis e a psicose — e outras doenças não psiquiátricas”, esclareceu.

Por fim, e após explicar que “nessas pessoas com maior vulnerabilidade, a patologia dupla, ou seja, a coexistência de um vício e outro transtorno mental, é a regra”, esse especialista destacou que “em pessoas com dependência de cannabis, deve-se sempre procurar identificar os outros transtornos mentais associados à dependência para, dessa forma, poder orientar os pacientes para o tratamento mais adequado, que deve ser abrangente e integrado e abordar todos os transtornos mentais”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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