Publicado 11/06/2026 10:24

O câncer de próstata pode não apresentar sintomas, e esperar até percebê-los aumenta o risco de progressão, segundo um urologista

Archivo - Arquivo - Homem cobrindo a região genital com as mãos. Problemas urinários. Ereção.
ISTOCK - Arquivo

MADRID 11 jun. (EUROPA PRESS) -

O câncer de próstata localizado pode não apresentar sintomas, e esperar até notar algo não permite avaliar o risco a tempo, segundo o diretor médico do Instituto de Cirurgia Urológica Avançada (ICUA), Fernando Gómez Sancha, que lançou a campanha “Câncer de próstata: decida com informação, não com medo”, em conjunto com o Instituto #SaludsinBulos, coincidindo com o Dia Mundial do Câncer de Próstata, comemorado em 11 de junho, para distinguir os mitos das evidências relacionadas a essa doença.

Gómez Sancha explicou que a desinformação, além de gerar dúvidas, faz com que alguns homens adiem a consulta, interpretem incorretamente o PSA (antígeno prostático específico), temam sequelas inevitáveis ou acreditem que todos os tumores requerem o mesmo tratamento.

De acordo com um estudo realizado pela Sociedade Espanhola de Oncologia Médica (SEOM), 34.833 espanhóis receberão, em 2026, um diagnóstico de câncer de próstata, o que o torna o quarto tumor mais diagnosticado e o primeiro entre os homens.

Apesar de sua alta prevalência, a maioria dos homens não tem acesso a fontes de informação confiáveis e, de acordo com um estudo publicado na revista 'American Journal of Clinical Oncology', os pacientes que se informam principalmente pela internet declaram muito mais arrependimento com seu tratamento (43%) do que aqueles que confiam em seus médicos (7-10%).

Além disso, outra pesquisa publicada na “Actas Urológicas Españolas” em uma amostra de 370 homens espanhóis revela um nível alarmantemente baixo de conhecimento sobre essa doença (média de 6,72 em 12). “Essa lacuna de conhecimento alimenta mitos que condicionam decisões, geram medo desnecessário e pioram a experiência do paciente”, explicou o coordenador da #SaludsinBulos, Carlos Mateos.

Com o objetivo de conter a desinformação e melhorar o conhecimento sobre o câncer de próstata, a #SaludsinBulos e o ICUA analisaram os principais mitos que circulam nas redes sociais, tanto aqueles que afetam o diagnóstico e o tratamento da doença quanto aqueles que se tornaram virais ou correspondem a uma perspectiva mais social da patologia.

O PSA NÃO DIAGNOSTICA POR SI SÓ UM CÂNCER

Um dos boatos mais difundidos é que um PSA elevado significa ter câncer, mas a realidade é que o PSA não diagnostica por si só um câncer, pois apenas indica que o resultado deve ser interpretado e, muitas vezes, confirmado.

"O PSA pode aumentar por diferentes motivos, incluindo processos benignos. Diante de um novo aumento, as diretrizes recomendam repetir a medição antes de passar diretamente para biomarcadores, exames de imagem ou biópsia. O valor deve ser interpretado juntamente com a idade, a evolução do PSA, o volume prostático e outros fatores de risco”, acrescentou este especialista.

Por outro lado, mesmo que o exame retal seja normal, não se pode descartar esse tumor. “O estudo atual combina o PSA, os fatores de risco pessoais e, se indicados, exames como a ressonância magnética e a biópsia. O exame retal pode fornecer informações complementares e continua a ter utilidade clínica, mas não confirma nem exclui a doença”, explicou o urologista.

Além disso, não é sempre necessário operar ou submeter-se à radioterapia imediatamente, pois, em alguns casos de baixo risco, a vigilância ativa é a opção preferencial. De fato, Gómez Sancha recomendou tratar cada paciente de acordo com as características de sua doença e suas prioridades, e enfatizou que a vigilância ativa não significa “não fazer nada”, pois envolve controles programados e critérios para intervir caso o tumor sofra alterações.

Por outro lado, a incontinência urinária não precisa ser para o resto da vida, já que sua evolução varia e muitos pacientes melhoram nos meses após a cirurgia, embora possa persistir em alguns casos. “O resultado da intervenção dependerá da situação prévia do paciente, da anatomia, da extensão do tumor, da técnica cirúrgica, da experiência da equipe e da reabilitação. A cirurgia robótica é mais uma ferramenta; por si só, não garante a continência nem permite prometer o mesmo resultado a todas as pessoas", comentou este especialista.

O DESEJO, OS ORGASMOS E AS RELAÇÕES SEXUAIS NÃO DESAPARECEM

No que diz respeito à vida sexual após a cirurgia de câncer de próstata, os especialistas lembraram que a cirurgia pode afetar a ereção e eliminar a ejaculação (ocorre um orgasmo seco), mas isso não significa que acabe com o desejo, o orgasmo ou as relações sexuais.

Da mesma forma, a herança genética aumenta o risco, mas muitos diagnósticos surgem em homens sem histórico familiar conhecido. “A avaliação do risco depende de vários parâmetros. A idade, os antecedentes familiares e pessoais e determinados fatores genéticos ou populações podem alterá-lo. Não ter familiares diagnosticados não significa risco zero”, afirmou o médico.

Também não foi demonstrado que a vasectomia provoque esse tumor, embora alguns estudos observacionais tenham encontrado pequenas associações; no entanto, diferenças no acompanhamento médico e no uso do PSA podem influenciar esses resultados.

Por fim, embora os estudos observacionais encontrem uma associação entre maior frequência de ejaculação e menor risco de câncer de próstata, eles não demonstram que exista uma frequência preventiva.

"Essas pesquisas não permitem afirmar que a ejaculação seja uma intervenção preventiva nem prescrever um número concreto, já que associação não significa causalidade", concluiu o especialista.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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