Publicado 16/07/2026 05:45

O calor limita os movimentos do urso-pardo cantábrico em um contexto de aquecimento global, segundo um estudo

Imagem de um urso-pardo cantábrico
LUCAS SIMAL // UPM

MADRID 16 jul. (EUROPA PRESS) -

Uma equipe de pesquisadores da Universidade Politécnica de Madri (UPM) estudou as trajetórias de movimento do urso-pardo cantábrico e desenvolveu uma ferramenta estatística que permite distinguir com maior precisão entre as diferentes fases de movimento, identificando áreas de residência, de repouso e deslocamentos exploratórios fora do território habitual.

Os resultados têm implicações diretas para a gestão do urso-pardo no contexto das mudanças climáticas. Identificar, proteger e conectar refúgios térmicos — encostas sombreadas, florestas densas com recursos alimentares disponíveis — surge como uma estratégia prioritária não apenas para o urso, mas também para outros grandes mamíferos que enfrentam desafios semelhantes.

Estudar como os fatores ambientais moldam, em conjunto, os comportamentos e as estratégias de deslocamento dos animais é o objetivo de uma equipe de pesquisadores do Centro para a Conservação da Biodiversidade e o Desenvolvimento Sustentável (CBDS) da UPM.

Em parceria com a Universidade de Exeter e a equipe técnica do Governo Regional de Castela e Leão — no âmbito do acordo de colaboração científico-técnica entre a Secretaria de Meio Ambiente, Habitação e Ordenamento do Território e o CBDS — realizaram dois estudos que se baseiam nos dados do Plano de Captura e Radiomarcação do Urso-pardo de Castela e Leão, que já conta com mais de 150.000 posições de GPS registradas em 24 ursos adultos.

O primeiro estudo apresenta uma ferramenta estatística que permite segmentar trajetórias de movimento em estados comportamentais significativos dentro dos padrões de movimento de longo prazo desses animais.

Sua aplicação aos dados de rastreamento por GPS revela uma alta plasticidade no comportamento do urso-pardo, com variações notáveis nos ritmos de atividade tanto entre indivíduos quanto de acordo com a fase de movimento em que o animal se encontra.

A ferramenta permite, além disso, melhorar significativamente a estimativa das áreas de forrageamento — um dado essencial para o manejo da fauna — e é aplicável a outras espécies que sejam alvo de medidas de conservação.

O segundo estudo analisa como a temperatura, a presença humana, a cobertura florestal e o tamanho corporal condicionam, em conjunto, a velocidade de deslocamento dos ursos.

Graças ao uso das temperaturas registradas pelas próprias coleiras de GPS — em um nível de detalhe que os dados climáticos convencionais não permitem alcançar —, os resultados mostram que o calor limita seus movimentos em grande medida.

Esse efeito é especialmente pronunciado nos machos adultos de maior porte, que têm mais dificuldade para dissipar o calor e são, portanto, mais vulneráveis ao estresse térmico.

Além disso, os ursos se movimentaram mais rapidamente em áreas humanizadas, possivelmente para reduzir o tempo de deslocamento em zonas onde podem ser detectados por seres humanos. No entanto, essa resposta foi atenuada pelas altas temperaturas, o que indica que o estresse térmico pode forçar o urso a se mover mais lentamente em áreas onde normalmente aceleraria o passo.

Em contrapartida, o estudo revela como as florestas atuam como um refúgio térmico: a sombra e o microclima mais fresco proporcionados pela cobertura arbórea permitem que os ursos mantenham sua atividade durante os períodos mais quentes, atenuando assim o efeito limitante das altas temperaturas sobre seu comportamento.

“Ambos os estudos ilustram o valor da colaboração contínua entre o governo e a universidade pública como um caminho eficaz para transformar a ciência em ferramentas úteis para a gestão e a conservação de espécies ameaçadas”, comenta Pablo Cisneros Araujo, um dos pesquisadores da UPM que integrou a equipe de pesquisa.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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