MADRID, 25 set. (EUROPA PRESS) -
A Califórnia está enfrentando uma ameaça pouco conhecida: terremotos de "supercisalhamento", que se propagam tão rapidamente que ultrapassam suas próprias ondas sísmicas.
Em um artigo de opinião publicado na Seismological Research Letters, cientistas da University of Southern California Dornsife alertam que esses terremotos produzem tremores mais violentos em áreas maiores do que os terremotos típicos, e que a Califórnia deve atualizar seu planejamento de risco e códigos de construção para refletir o aumento do risco de danos.
"Embora a Califórnia não tenha mais probabilidade de sofrer terremotos de superchoque do que regiões semelhantes com grandes sistemas de falhas, como o de San Andreas, a ameaça passou despercebida por muito tempo", disse Yehuda Ben-Zion, professor de ciências da terra e diretor do Centro de Terremotos do Estado da Califórnia (SCEC), sediado na USC Dornsife, em um comunicado. "A frequência dessas rupturas de supercisalhamento foi muito subestimada."
Os cientistas comparam os terremotos de supercorte a explosões sônicas. Assim como um jato que ultrapassa a barreira do som cria um choque explosivo no ar, uma ruptura de supercorte gera frentes de choque no solo quando ultrapassa a velocidade das ondas de cisalhamento sísmico, explicou Ahmed Elbanna, professor de ciências da terra e diretor designado do SCEC. "Ela rompe a barreira de velocidade das ondas de cisalhamento nas rochas e produz ondas destrutivas mais fortes do que as geradas por um terremoto normal", explicou.
Essa força adicional pode afetar gravemente as comunidades. Os terremotos de supercisalhamento espalham o forte tremor para mais longe e produzem o que Elbanna chama de "choque duplo": uma sacudida inicial da frente de choque seguida pelas ondas de cauda.
Em todo o mundo, cerca de um terço dos grandes terremotos de deslizamento de impacto são terremotos de superchoque. Isso é importante na Califórnia, onde muitas falhas próximas a grandes áreas metropolitanas são de deslizamento e capazes de gerar tremores de magnitude 7 ou maior.
MONITORAMENTO MAIS INTENSO
Não podemos dizer exatamente quando ou onde ocorrerá o próximo terremoto, ou qual deles será um superchoque", disse Ben-Zion, "mas podemos dizer com certeza que teremos vários terremotos de magnitude 7 na Califórnia nas próximas décadas".
Os autores alertam que os padrões atuais de projeto não levam em conta totalmente a força adicional de um terremoto de superchoque. Os edifícios e a infraestrutura geralmente são projetados para os tremores mais fortes perpendiculares às falhas, mas os terremotos de supercorte direcionam sua energia ao longo da própria linha de falha.
"As estruturas críticas deveriam ser construídas de acordo com esse padrão mais elevado e, até agora, não estão sendo", disse Ben-Zion.
Para se preparar, a equipe está pedindo um monitoramento mais intensivo nas proximidades das principais falhas, simulações computadorizadas avançadas de cenários de superterremoto e códigos de construção mais rígidos.
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