GÉRGAL (ALMERÍA), 13 (EUROPA PRESS)
A transmissão do eclipse solar a partir do Observatório de Calar Alto, em Gérgal (Almería), conseguiu superar as nuvens que impediram a observação do primeiro contato e transmitiu ao vivo o fenômeno desde seu ápice até o pôr do sol, em uma transmissão de pouco mais de duas horas que acumulou mais de 53.000 visualizações somente no 'YouTube'.
O fundador e diretor da Azimuth Educação e Turismo Científico, Javier Sánchez Jiménez, destacou em declarações à Europa Press que o evento “tecnicamente correu muito bem”, apesar das condições atmosféricas que obrigaram a adaptar sobre a marcha uma transmissão que começou 40 minutos antes do início do eclipse, a partir da cúpula do telescópio de 1,23 metros.
A equipe da Azimuth responsável pela transmissão, da qual também participou Álvaro Cabezuelo Doblaré, da área de Comunicação e Redes Sociais, havia preparado, além da observação ao vivo, conteúdos sobre o próprio Calar Alto, a ciência desenvolvida no observatório e as características dos eclipses, para recorrer a eles caso as condições meteorológicas impedissem a exibição do fenômeno.
A precaução se mostrou útil: várias nuvens passageiras ocultaram pontualmente o fenômeno e impediram que a transmissão ao vivo captasse o primeiro contato. O céu, no entanto, acabou dando uma trégua na fase decisiva. “Tivemos sorte”, resumiu Sánchez, que explicou que, a partir do ponto máximo, puderam contemplar o restante do eclipse até o pôr do sol “na íntegra”.
Em Almería, o eclipse começou por volta das 19h42 e atingiu seu máximo por volta das 20h37, quando a Lua chegou a ocultar aproximadamente 96% do disco solar. O astrônomo lembrou que uma observação dessas características depende inevitavelmente das condições meteorológicas. “Quando a gente se aventura a observar a natureza, depende dela”, ressaltou.
Além das visualizações acumuladas no ‘YouTube’, a transmissão ampliou seu alcance pela televisão, já que seu sinal foi utilizado pela RTVE, pelo Canal Sur e por algumas emissoras privadas, conforme destacou o responsável pelo Azimuth.
Essa vitrine permitiu mostrar Calar Alto a um público que, até então, não necessariamente conhecia o observatório. Sánchez identificou justamente nisso um dos principais valores desse tipo de evento: “divulgar a ciência e dar visibilidade ao trabalho da comunidade científica astronômica espanhola”.
UMA JANELA PARA DESCOBRIR CALAR ALTO
O impacto do eclipse pode se traduzir diretamente em visitas ao observatório, embora a Azimuth ainda não possa medir um aumento imediato nas reservas provocado pelo fenômeno. A razão é que suas atividades costumam esgotar as vagas com meses de antecedência. “Praticamente, esgotamos as vagas dos eventos com meses de antecedência”, explicou o astrônomo.
Assim, quando um fenômeno como esse atinge seu maior impacto na mídia, boa parte da programação mais próxima já tem todas as vagas preenchidas.
O efeito do eclipse poderá ser percebido, portanto, a longo prazo, entre aqueles que descobriram Calar Alto por meio da transmissão e decidirem posteriormente reservar uma visita diurna ou uma experiência astronômica noturna.
Sánchez citou como exemplo o caso de uma pessoa que, depois de assistir à transmissão e “conhecer alguns detalhes” do observatório, queira ir pessoalmente para conhecer suas instalações.
O Azimuth aspira justamente que esse ciclo entre divulgação e visitas continue crescendo. O diretor explicou que procuram manter “essa roda” girando e fazê-la crescer “como se fosse uma bola de neve”, com o objetivo de que cada vez mais pessoas conheçam Calar Alto e “o excelente trabalho da nossa comunidade científica”.
A atenção aos grandes fenômenos astronômicos terá, além disso, continuidade em menos de um ano. Em 2 de agosto de 2027, um eclipse total de Sol voltará a colocar a província de Almería entre os territórios privilegiados para sua observação, já que parte de seu território ficará dentro da faixa de totalidade.
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