Publicado 06/08/2025 08:20

O café engana o cérebro: "Ele não lhe dá energia, apenas bloqueia os sinais de que você precisa dela", de acordo com um especialista

Archivo - Arquivo - Café, xícara.
GOFIT - Arquivo

MADRID 6 ago. (EUROPA PRESS) -

Há anos, milhões de pessoas começam o dia com uma xícara de café, como se fosse uma fonte infalível de energia. Entretanto, por trás dessa aparente vitalidade, há um mecanismo cerebral mais complexo e, de certa forma, enganoso. A comunicadora científica e especialista em biomedicina Sandra Ortonobes, conhecida como Hyperactin, explicou em um de seus vídeos mais recentes por que o café não "dá energia", como se acredita, mas simplesmente mascara o cansaço real.

Como ele explica, tudo começa com a adenosina, uma substância que o cérebro produz naturalmente com o passar das horas de vigília. Sua função é clara: acumular-se progressivamente para induzir uma sensação de sonolência e sinalizar que é hora de descansar. Mas é aí que entra a cafeína.

"A cafeína tem uma forma muito semelhante à da adenosina", explica Ortonobes. "Ela entra sorrateiramente em seus receptores e impede que a adenosina faça seu trabalho. Seu cérebro para de detectar a fadiga, mesmo que você ainda esteja exausto por dentro. Portanto, mesmo que de repente você se sinta mais alerta, essa "energia" não é real: você não reabasteceu suas reservas físicas, apenas silenciou o alarme do seu corpo.

O QUE A CIÊNCIA DIZ SOBRE ESSE EFEITO?

Essa explicação está de acordo com o European Food Information Council (EUFIC), que detalha como a cafeína, ao bloquear os receptores de adenosina no cérebro, estimula a ativação neuronal e aciona a liberação de neurotransmissores como a dopamina e a norepinefrina. Esse processo é o que gera a sensação de estar mais acordado e concentrado, embora o corpo ainda precise de descanso.

Além disso, o EUFIC enfatiza que os efeitos da cafeína podem ser mantidos por várias horas, pois sua meia-vida no corpo é de cerca de 5 horas. Isso significa que, após o consumo de uma xícara de café, os efeitos estimulantes podem demorar a passar, o que pode perturbar os ritmos naturais do sono se consumido no final do dia.

QUANDO O EFEITO PASSA: A QUEDA DA CAFEÍNA

O bloqueio temporário da adenosina não faz com que seu acúmulo desapareça, mas o retarda. Portanto, quando a cafeína é metabolizada e seus efeitos passam, a adenosina acumulada entra em ação repentinamente, causando o que muitas pessoas reconhecem como a "queda do café". Cansaço, falta de concentração ou até mesmo sonolência repentina podem ser algumas de suas manifestações.

E se o consumo for habitual, também pode ocorrer dependência. Vários estudos científicos, como uma revisão publicada na Psychopharmacology, apóiam a ideia de que o consumo regular de cafeína pode levar à dependência. A interrupção abrupta pode levar a sintomas de abstinência, como irritabilidade, fadiga ou dores de cabeça.

ENTÃO, O CAFÉ É RUIM PARA VOCÊ?

Não necessariamente. O EUFIC deixa claro que, em pessoas saudáveis, a ingestão moderada de cafeína - até 400 mg por dia, o equivalente a cerca de 4 xícaras de café filtrado - pode fazer parte de uma dieta saudável. Ela pode até oferecer benefícios para a concentração, a atenção ou o desempenho físico. Entretanto, o consumo excessivo ou inadequado, especialmente em pessoas com sensibilidade ou problemas de saúde, pode ter efeitos colaterais.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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