Jorge Gil - Europa Press - Arquivo
MADRID, 1 jul. (EUROPA PRESS) -
Cada grau a mais na temperatura ambiente aumenta em 18% a morbidade e em 35% a mortalidade relacionadas ao calor, um impacto que, em pessoas com mais de 65 anos, eleva a morbidade para até 25%, de acordo com a nova edição do Observatório de Saúde e Meio Ambiente da DKV e do ISGlobal, que alerta que o calor extremo se tornou um risco estrutural para a saúde.
O relatório analisa como o calor extremo deixou de ser uma anomalia sazonal para se tornar uma ameaça ao sistema de saúde, ao bem-estar infantil, à produtividade no trabalho e às infraestruturas essenciais.
Além disso, no âmbito cardiovascular, o relatório aponta que cada grau adicional de temperatura está associado a um aumento de 2,1% na mortalidade, porcentagem que pode chegar a 17% durante ondas de calor extremo.
“As projeções indicam que, até 2050, a mortalidade poderá aumentar quase quatro vezes e, até 2080, mais de seis vezes”, alertou a doutora Elizabeth Diago, do Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal), durante a apresentação do documento.
Além da insolação, o relatório revela o impacto do calor extremo na saúde mental, na gravidez e nas doenças emergentes. Nesse sentido, as altas temperaturas podem aumentar em 43% os casos de ansiedade e em 26% os de depressão durante episódios de calor extremo. Quanto à gravidez, o calor está associado a um maior risco de parto prematuro, baixo peso ao nascer e até mesmo morte fetal.
“Também é preciso levar em conta as doenças transmitidas por vetores. O mosquito ‘Aedes albopictus’ está presente em vários países europeus. Além disso, em 2025, foram registrados 788 casos de chikungunya na França e 384 na Itália”, acrescentou Diago.
Da mesma forma, o documento esclarece que, embora as ondas de calor afetem toda a população, existem grupos especialmente vulneráveis por motivos físicos ou socioeconômicos. É o caso dos idosos, entre os quais a onda de calor de 2003 aumentou a mortalidade em mais de 30% no grupo de pessoas com mais de 85 anos. Quanto às mulheres, em 2022 foram registradas 56% mais mortes por calor do que entre os homens.
Também se observam riscos maiores em pessoas com deficiência, trabalhadores ao ar livre e crianças. Neste último caso, registrou-se um aumento de até 25,4% nas consultas pediátricas em pronto-socorros por febre durante os episódios de alerta por altas temperaturas.
PREPARAR OS PACIENTES ANTES DA CHEGADA DO CALOR
Durante a apresentação do documento, foi realizada a mesa redonda “O impacto climático na assistência médica e no sistema de seguros”, na qual vários especialistas analisaram como as altas temperaturas afetam a saúde da população e quais medidas podem ser adotadas para responder a essas situações.
Nesse contexto, o chefe do Departamento de Cardiologia da Quirónsalud, Roberto Martín, defendeu a necessidade de “preparar” os pacientes com doenças cardiovasculares e ajustar a medicação antes da chegada das ondas de calor. “Muitos pacientes com essas patologias apresentam descompensação quando chegam as ondas de calor. Temos que nos antecipar e adaptar os tratamentos antes que as altas temperaturas cheguem”, explicou.
Além disso, ele alertou que um dos principais problemas desses episódios é que as temperaturas noturnas não descem abaixo de 25 graus. “Esse é um dos fatores que mais afeta os pacientes cardiovasculares. Com essas temperaturas, a pressão arterial aumenta e os eventos cardiovasculares são favorecidos”, destacou.
Em seguida, o especialista aconselhou os idosos a não saírem de casa nos dias em que há altas temperaturas e a praticarem algum tipo de atividade física moderada em casa. “A exposição ao calor é fatal para pessoas com problemas cardíacos”, afirmou.
Por sua vez, Víctor Segura, da Unidade de Emergências da Cruz Vermelha Espanhola, afirmou que, nos últimos anos, a sociedade tem avançado em direção a uma maior cultura de preparação para o calor, embora considere que esse processo deva ser acelerado. “A percepção do risco continua sendo insuficiente: o calor ainda é visto mais como um incômodo do que como um fenômeno que pode realmente causar a morte”, observou.
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