A investigação internacional é liderada pela UAB BARCELONA 9 jan. (EUROPA PRESS) -
Uma investigação internacional liderada pelo Instituto de Ciência e Tecnologia Ambiental da Universidade Autônoma de Barcelona (ICTA-UAB) revelou que comunidades indígenas do atual sul do Brasil caçavam grandes baleias há 5.000 anos, cerca de mil anos antes das primeiras evidências documentadas nas sociedades do Ártico e do Pacífico Norte.
Publicado na revista Nature Communications, o estudo mostra que os povos da região da baía de Babitonga, que construíam sambaquis, montículos monumentais de conchas construídos pelas sociedades do Holoceno ao longo da costa do Brasil, desenvolveram tecnologias especializadas para a caça de grandes cetáceos antes do que sugeria a pesquisa arqueológica anterior, informou a UAB em um comunicado nesta sexta-feira.
O estudo redefine o papel das comunidades sul-americanas no surgimento de culturas marítimas complexas, já que até agora se acreditava que as origens da caça de grandes baleias estavam entre as sociedades pós-glaciais do hemisfério norte, entre 3.500 e 2.500 anos atrás.
Liderado pelos pesquisadores do ICTA-UAB Krista McGrath e André Colonese, o estudo analisou centenas de restos ósseos de cetáceos e ferramentas elaboradas a partir de ossos provenientes de sambaquis na baía de Babitonga, atualmente conservados no Museu Arqueológico de Sambaquis de Joinville (Brasil), já que muitos desses sítios arqueológicos não existem mais.
A equipe combinou zooarqueologia, análise tipológica e técnicas moleculares de última geração para estudar os ossos e objetos fabricados com ossos de cetáceos.
Os pesquisadores identificaram restos de baleias francas austrais, baleias jubarte, baleias azuis, baleias sei, cachalotes e golfinhos, muitos com marcas claras de cortes associados ao seu esquartejamento, e documentaram grandes arpões feitos com osso de baleia, alguns dos maiores encontrados na América do Sul.
Sua presença, juntamente com a abundância de ossos de baleia, sua inclusão em contextos funerários e a presença de espécies costeiras, fornece evidências sólidas de caça ativa e não de aproveitamento oportunista de animais encalhados.
McGrath afirmou que os dados “demonstram claramente que essas comunidades desenvolveram o conhecimento, as ferramentas e as estratégias especializadas necessárias para caçar grandes baleias milhares de anos antes” do que se supunha. POVOS SAMBAQUI
A presença abundante de restos de baleias jubarte sugere que sua distribuição histórica se estendia por áreas muito mais ao sul do que as principais áreas de reprodução atuais na costa do Brasil: “O recente aumento de avistamentos no sul do Brasil pode refletir, portanto, um processo histórico de recolonização, com implicações para a conservação”, afirmou a coautora Marta Cremer.
O pesquisador André Colonese afirmou que o estudo abre “uma nova perspectiva” sobre a organização social dos povos sambaqui e representa uma mudança de paradigma, já que agora esses grupos podem ser vistos não apenas como coletores de mariscos e pescadores, mas também como baleeiros.
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