Diego Radamés - Europa Press
O ministro alerta que 38,4% dos jovens entre 14 e 18 anos consomem bebidas energéticas MADRID 2 mar. (EUROPA PRESS) -
O ministro dos Direitos Sociais, Consumo e Agenda 2030, Pablo Bustinduy, afirmou que é “urgente” implementar uma regulamentação da publicidade de alimentos não saudáveis destinada a crianças e adolescentes.
“Existem condições mais do que suficientes para que finalmente propusermos, de forma ousada e ambiciosa, algo que, na realidade, corresponde a garantir ambientes seguros para o desenvolvimento das crianças na Espanha”, sublinhou Bustinduy durante a inauguração do evento “Comer saudável não é um tema menor” no Congresso dos Deputados.
No evento, que contou com a participação da ministra da Saúde, Mónica García, e da ministra da Juventude e Infância, Sira Rego, foi abordada a publicidade de alimentos não saudáveis.
Nesse sentido, Bustinduy garantiu que o Ministério do Consumo vem buscando há tempo uma fórmula para regulamentar a publicidade de alimentos não saudáveis dirigida a menores, como já fazem outros países vizinhos, como Portugal, Noruega, Reino Unido, Irlanda ou Suécia.
O ministro destacou que a regulamentação da publicidade de alimentos não saudáveis destinada a crianças e adolescentes conta com apoio social e transversal: “Até 79% da população se manifesta a favor de uma regulamentação desse tipo”. Em seguida, lamentou que os ambientes publicitários e comerciais “bombardeiem” sistematicamente as crianças com mensagens publicitárias. “Se uma criança recebe, em média, 30 impactos publicitários de bebidas e alimentos não saudáveis por dia, é evidente que a eficácia desse esforço educativo que é feito nas cantinas e pelas famílias (...) é limitada”, afirmou.
Por sua vez, a ministra da Juventude e Infância, Sira Rego, criticou o fato de que os corpos dos cidadãos se tornaram “um mercado aberto”. “Vivemos em uma sociedade em que a escolha é questionada, sugerida ou bombardeada por mensagens publicitárias”, destacou.
Rego também afirmou que o acesso a uma alimentação saudável é um “ato de justiça social” e defendeu a regulamentação da publicidade de alimentos para proteger a “liberdade” dos cidadãos. QUASE 40% DOS ADOLESCENTES CONSOMEM BEBIDAS ENERGÉTICAS
Nesse contexto, Bustinduy lembrou que o Ministério do Consumo propõe proibir a venda de todas as bebidas energéticas a menores de 16 anos e ampliar essa proibição para menores de 18 anos no caso de bebidas com mais de 32 mg de cafeína por 100 ml.
Nesse sentido, alertou que 38,4% dos jovens entre 14 e 18 anos consomem bebidas energéticas e alertou sobre os efeitos nocivos que elas podem ter para a saúde. “Além disso, 15% deles as consomem misturadas com álcool”, acrescentou.
O dado é revelado pela pesquisa ESTUDES, elaborada anualmente pelo Ministério da Saúde com o objetivo de conhecer a situação e as tendências do consumo de drogas e outras dependências entre os estudantes do ensino médio.
Este estudo reflete que 4 em cada 10 adolescentes inquiridos consomem bebidas energéticas e que o seu consumo tem uma maior incidência entre os rapazes (45,7%) do que entre as raparigas (31%). Além disso, o relatório revela que 15% destes adolescentes misturam bebidas energéticas com álcool, uma prática que multiplica os riscos para a saúde.
PLANO DE OBESIDADE INFANTIL Durante sua intervenção, a ministra da Saúde, Mónica García, lembrou que seu departamento está trabalhando com outros ministérios no desenvolvimento do Plano Estratégico Nacional para a Redução da Obesidade Infantil.
“A obesidade infantil é a ponta do iceberg do mal-estar infantil”, afirmou García, que relacionou isso com o sedentarismo, o excesso de telas, a falta de sono e uma alimentação inadequada, e defendeu o impulso de “iniciativas legislativas” para reverter essa situação.
Nesse sentido, indicou que a obesidade infantil tem um impacto duplo nas famílias com menos rendimentos em comparação com as que têm maior capacidade económica, e valorizou o peso dos determinantes sociais. Segundo García, estes dados traduzem-se num maior risco de doenças cardiovasculares, cancro, problemas respiratórios, distúrbios do sono e dificuldades de saúde mental. “Não estamos falando de uma questão estética, mas de um problema de primeira ordem de saúde pública”, enfatizou. Por tudo isso, a ministra da Saúde destacou que a infância deve estar “no centro de todas as políticas”, diante do impacto dos determinantes comerciais em seus hábitos alimentares.
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