Publicado 03/06/2026 12:42

Bruxelas estabelece 2035 como meta para tornar a UE líder mundial em observação oceânica, diante da retirada dos EUA

Destina 92 milhões para preencher a lacuna deixada pelos EUA com o desmantelamento de sua rede de observação marinha

Archivo - Arquivo - Com um estoque estimado, até o momento, em 1 bilhão de toneladas, os peixes mesopelágicos representam a maior parte da biomassa total de peixes no oceano. No entanto, um estudo, com a participação do Conselho Superior de Pesquisas Cien
CSIC - Arquivo

BRUXELAS, 3 jun. (EUROPA PRESS) -

A Comissão Europeia aprovou nesta quarta-feira a iniciativa “OceanEye”, dotada de 92 milhões de euros provenientes do programa Horizonte Europa, com o objetivo de posicionar a União Europeia como principal fornecedora mundial de inteligência oceânica e contribuir com 35% para o sistema global de observação dos oceanos até 2035.

Essa dotação orçamentária, que servirá de catalisador para alcançar as metas de 2035, será distribuída em três eixos principais: 50 milhões de euros para reforçar o sistema global de observação “in situ” (sensores e boias), 12 milhões para garantir a resiliência dos fluxos internacionais de dados e outros 30 milhões destinados a impulsionar a inovação tecnológica por meio do Conselho Europeu de Inovação (EIC, na sigla em inglês).

Conforme explicou o Executivo comunitário, esse investimento visa reverter a atual falta de conhecimento sobre o meio marinho, do qual apenas 5% foram explorados e mapeados, transformando a observação oceânica em uma “infraestrutura essencial” para a segurança e a autonomia estratégica da União.

“Embora o oceano cubra 70% da superfície terrestre, até hoje apenas 5% dele foi mapeado e explorado. Sabemos mais sobre a superfície da Lua do que sobre o nosso oceano. Por isso, a observação oceânica é necessária para nós por múltiplas razões”, afirmou durante uma coletiva de imprensa em Bruxelas o comissário europeu para a Pesca e os Oceanos, Costas Kadis.

O comissário enumerou, entre essas razões, a proteção e a restauração dos ecossistemas marinhos, o impulso à competitividade da economia azul, o reforço da resiliência das comunidades costeiras diante de fenômenos meteorológicos extremos ou a contribuição para a segurança e a defesa marítimas, entre outros motivos.

Por esse motivo, “agora que há sinais extremamente preocupantes do outro lado do Atlântico” — dos Estados Unidos — “sobre o desmantelamento do sistema de vigilância oceânica”, ele defendeu que a UE deve assumir essa liderança para evitar que o sistema entre em colapso por falta de financiamento e coordenação.

UMA OPORTUNIDADE PARA LIDERAR A OBSERVAÇÃO MARÍTIMA

Segundo Kadis, o “OceanEye” “não poderia ser anunciado em melhor momento”, agora que os Estados Unidos “já não prestam atenção a essas atividades” e, portanto, “existe uma lacuna” que a União tentará preencher em parte com esta iniciativa.

“A partir de amanhã, iniciaremos nossos esforços para atrair o apoio de países terceiros com interesses semelhantes, de instituições e organizações internacionais, e de fundações filantrópicas (...) para assim preencher pelo menos parte do vazio que a postura dos Estados Unidos irá gerar”, detalhou sobre outro dos pilares do plano, a criação de uma aliança internacional de apoio ao Sistema Global de Observação dos Oceanos.

A comissária de Inovação e Pesquisa, Ekaterina Zaharieva, também se pronunciou sobre o assunto durante a coletiva de imprensa, opinando que não se trata de um vazio, mas sim de “uma grande oportunidade para a União Europeia”.

“A Europa pode liderar em tecnologia, criar um mercado e empresas que cheguem a valer bilhões. E essa dimensão de pesquisa e inovação estabelece uma governança clara para não duplicar esforços, mas sim unir e alinhar melhor nossos investimentos. Esse é, creio eu, o objetivo desta iniciativa”, indicou.

Zaharieva citou como exemplo que o investimento na observação marinha representa uma oportunidade econômica de primeira ordem, já que cada euro investido em sistemas de observação gera um retorno de 5 a 6 euros em benefícios econômicos e sociais para a economia azul, a segurança e a resiliência costeira.

USO DE SATÉLITES E SENSORES PARA A TOMADA DE DECISÕES

No plano operacional, a iniciativa prevê a consolidação de um Gêmeo Digital do Oceano (DTO), uma representação virtual que integrará dados de satélites e sensores submarinos, permitindo realizar simulações preditivas antes de tomar decisões sobre atividades econômicas, como a instalação de parques eólicos ou planos de conservação, com o objetivo de que esteja em funcionamento em 2030.

Essa infraestrutura tecnológica será complementada por um novo marco legal, a Lei do Oceano (Ocean Act, em inglês), que a Comissão apresentará no final de 2026 para coordenar a coleta de dados e reduzir a fragmentação atual entre os Estados-Membros.

Além da ciência, a iniciativa tem um componente estratégico de segurança, voltado para melhorar a vigilância e a proteção de infraestruturas subaquáticas críticas, como cabos de dados e redes energéticas, contra ameaças híbridas.

Prevê também aproximar a importância do oceano dos cidadãos através da criação de um laboratório da “Nova Bauhaus Europeia” para comunidades costeiras e ilhas, que utilizará a arte e a educação para fomentar o vínculo emocional dos europeus com o mar, conforme detalhado por Bruxelas em seu comunicado.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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