Mateo Lanzuela - Europa Press
BRUXELAS, 24 jul. (EUROPA PRESS) -
A Comissão Europeia confirmou nesta sexta-feira o envio de quatro aeronaves para apoiar o combate aos incêndios florestais na Espanha, depois que o governo solicitou a ativação do Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia diante da gravidade dos incêndios que afetam especialmente a Comunidade de Madri e a província de Ávila.
Bruxelas explicou que já mobilizou duas aeronaves baseadas na Grécia e outras duas estacionadas na Itália, além do serviço de imagens por satélite Copernicus, e ressaltou que mantém outros recursos comunitários à disposição, entre eles uma reserva de 777 bombeiros pré-posicionados em diferentes Estados-membros que poderiam ser mobilizados caso a Espanha solicite.
“Recebemos o pedido espanhol para ativar o Mecanismo de Proteção Civil ontem à noite e já mobilizamos quatro aeronaves, juntamente com o serviço de imagens por satélite Copernicus, para apoiar a resposta no local. Esses aviões estavam posicionados na Grécia e na Itália e foram agora mobilizados para a Espanha a fim de prestar assistência”, afirmou a porta-voz comunitária para a Energia, Anna-Kaisa Itkonen, em coletiva de imprensa.
Itkonen lembrou que o funcionamento do mecanismo exige que sejam os Estados-Membros a solicitar formalmente a ajuda para que Bruxelas mobilize os recursos comuns disponíveis. Nesse sentido, ela lembrou que a reserva estratégica “rescEU” conta atualmente com uma frota de 22 aeronaves e cinco helicópteros destinados a responder a emergências em toda a União.
Bruxelas insistiu que a responsabilidade pelo combate aos incêndios cabe, em primeiro lugar, às autoridades nacionais, embora tenha assegurado que mantém um contato “muito estreito” com os Estados afetados e que atenderá a qualquer pedido adicional de assistência que receber. “Por enquanto, o que mobilizamos foram quatro aeronaves Canadair para a Espanha”, precisou.
“Acompanhamos a situação com grande preocupação, ao vermos os incêndios na Espanha, na França e como os vimos em Portugal, e o verão mal começou”, alertou Itkonen.
Questionada sobre a capacidade de resposta da UE caso os incêndios se multipliquem simultaneamente em diferentes países, Itkonen destacou que Bruxelas age de acordo com os pedidos apresentados pelos países e que a frota ‘rescEU’ constitui apenas uma parte da resposta europeia, já que também existe um mecanismo para coordenar a ajuda bilateral entre países vizinhos.
“Estamos nos preparando para uma situação grave, porque veremos esses fenômenos meteorológicos extremos com maior frequência e eles serão mais intensos e mais violentos”, alertou.
A resposta de Bruxelas ocorre depois que o governo espanhol solicitou a ativação do Mecanismo de Proteção Civil da UE a pedido da Unidade Militar de Emergências (UME), solicitando pelo menos quatro aeronaves de asa fixa para combater os incêndios que afetam especialmente a Comunidade de Madri e Ávila.
Fontes do Palácio de Moncloa já haviam confirmado que a Grécia e a Itália aceitaram o pedido, oferecendo duas aeronaves Canadair CL-415 cada uma. Além disso, o Executivo declarou emergência de interesse nacional na Comunidade de Madri e em Ávila devido à evolução dos incêndios em Villa del Prado, San Martín de Valdeiglesias e Burgohondo, que obrigaram à evacuação de cerca de 11.500 pessoas.
Esta é a segunda vez que a Espanha aciona o Mecanismo de Proteção Civil da UE para combater incêndios florestais, após ter recorrido a esse instrumento em agosto de 2025, durante os grandes incêndios registrados em Jarilla (Cáceres) e na Castela e Leão. Naquela ocasião, vários países europeus disponibilizaram aeronaves, helicópteros, equipes terrestres e pessoal de ligação para apoiar os trabalhos de combate aos incêndios.
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