MADRID 12 fev. (EUROPA PRESS) -
As conversas são a base da socialização, uma ferramenta fundamental para a construção de relacionamentos pessoais e profissionais. Entretanto, nem todas as interações são igualmente eficazes. Há hábitos de conversação que podem fazer com que o interlocutor se sinta ignorado ou desvalorizado, enfraquecendo a conexão entre ambas as partes. Um desses hábitos, identificado por especialistas em psicologia, é o "boomerasking".
Essa é uma prática que, embora comum, pode ser percebida como um sinal de egocentrismo e falta de interesse pelo outro, pois, em vez de promover uma conversa equilibrada, ela redireciona o foco para quem a formula.
O QUE É "BOOMERASKING" E DE ONDE VEM O TERMO?
O termo "boomerasking" é uma combinação das palavras "boomerang" (porque a pergunta volta para quem a fez) e "asking" (perguntar) e foi criado pela professora de psicologia da Harvard Business School, Alison Wood Brooks, em um estudo publicado na American Psychological Association.
O boomerasking ocorre quando alguém faz uma pergunta com a intenção aparente de descobrir mais sobre seu interlocutor, mas na verdade está apenas procurando uma desculpa para falar sobre si mesmo. Por exemplo, em vez de estar genuinamente interessado na resposta da outra pessoa, o boomerasker redireciona a conversa para sua própria experiência.
De acordo com Brooks, essa prática, longe de gerar proximidade, pode causar o efeito oposto, fazendo com que a outra pessoa se sinta ignorada ou instrumentalizada.
TIPOS DE BOOMERASKING
Em seu estudo, Brooks distingue três tipos principais de boomerasking:
'Ask-bragging': uma pergunta é feita e, após a resposta da outra pessoa, a pessoa aproveita a oportunidade para compartilhar algo positivo sobre si mesma. Exemplo:
"O que você fez no fim de semana?" Resposta do interlocutor: "Fui a uma festa incrível com muitas pessoas famosas."
'Ask-complaining': semelhante ao anterior, mas com uma conotação negativa. Exemplo:
"Como foi seu dia?" Resposta do interlocutor: "O meu foi horrível, meu chefe gritou comigo e estou exausto."
'Ask-sharing' (pedir para compartilhar algo neutro): pede-se algo apenas para compartilhar uma informação pessoal sem relevância para a conversa. Exemplo:
"Você teve algum sonho estranho na noite passada?" Resposta do interlocutor: "Sonhei com um castelo flutuante e dragões."
Embora os boomers geralmente acreditem que essa prática os torna mais carismáticos, o estudo de Brooks revela que seu impacto é o oposto: as pessoas os percebem como insinceros e interesseiros.
POR QUE AS PESSOAS SE ENVOLVEM EM BOOMERASKING?
De acordo com a pesquisa, o boomerasking surge da necessidade de equilibrar dois impulsos naturais em uma conversa:
Ser receptivo ao outro (demonstrar interesse em sua vida). Falar sobre si mesmo (porque compartilhar as próprias experiências é prazeroso e reforça a identidade social).
O problema é que muitas pessoas acreditam que o boomerasking é uma maneira sutil de se conectar com os outros, quando na verdade demonstra egocentrismo e falta de interesse. Além disso, os boomers costumam superestimar a impressão positiva que causam, sem perceber que seus interlocutores podem se sentir irritados ou ignorados.
COMO EVITAR O BOOMERASKING EM CONVERSAS
Para evitar cair nessa armadilha da conversa e melhorar os relacionamentos interpessoais, os especialistas recomendam:
Ouça ativamente: Em vez de pensar no que vai responder em seguida, concentre-se no que seu interlocutor está dizendo.
Faça perguntas de acompanhamento: em vez de redirecionar a conversa para você, aprofunde-se no que a outra pessoa compartilhou.
Evite perguntas capciosas: não faça perguntas apenas para apresentar sua própria experiência.
Aceite o silêncio: não tenha medo das pausas na conversa; você não precisa preenchê-las falando sobre si mesmo.
Demonstre interesse genuíno: se você fizer uma pergunta, certifique-se de que realmente quer saber a resposta.
Em suma, o boomerasking é um hábito comum que, embora pareça inofensivo, pode afetar negativamente os relacionamentos sociais. A chave para evitá-lo está na escuta ativa e no interesse genuíno pela outra pessoa. Com pequenas mudanças na maneira como conversamos, é possível melhorar a qualidade das interações e fortalecer os vínculos com os outros.
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