Eduardo Parra - Europa Press - Arquivo
MADRID, 9 jul. (EUROPA PRESS) -
O Boletim Oficial do Estado (BOE) publicou nesta quinta-feira o Decreto Real pelo qual é revogada, a título póstumo, a Grã-Cruz da Saúde concedida em 1947 ao psiquiatra Antonio Vallejo-Nájera Lobón, por seu uso da medicina “para justificar políticas de perseguição e repressão durante a ditadura de Franco”.
Conforme especifica o BOE, “suas teorias eugênicas, financiadas e promovidas pelo regime, serviram de base ideológica para a prática de crimes contra a humanidade, como o sequestro sistemático de milhares de meninos e meninas do lado republicano para sua ‘reeducação’ política e moral”.
Nesse sentido, destaca que seu pensamento e suas ações “representaram uma instrumentalização da psiquiatria a serviço de uma ideologia totalitária e eugênica, voltada para ‘purificar’ a sociedade por meio da patologização daqueles que pensavam de forma diferente”.
“Manter seu nome entre os condecorados com a Ordem Civil da Saúde é incompatível com os valores democráticos, éticos e os direitos humanos que hoje orientam nossa saúde pública”, afirma.
Essa decisão, aprovada no Conselho de Ministros desta terça-feira, por proposta do Ministério da Saúde, ocorre com base no artigo 42 da Lei 20/2022, de 19 de outubro, de Memória Democrática, que regulamenta a revisão e a revogação de condecorações quando ficar comprovado que o beneficiário, como parte do aparato de repressão da ditadura franquista, tenha praticado atos e adotado condutas incompatíveis com os valores democráticos e os princípios orientadores da proteção dos direitos humanos.
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