Publicado 12/06/2025 12:26

A biópsia líquida pode detectar marcadores de câncer bucal antes do aparecimento de uma lesão "claramente" visível

A biópsia líquida pode detectar marcadores de câncer bucal antes do aparecimento de uma lesão "claramente" visível.
QUIRÓNSALUD

MADRID 12 jun. (EUROPA PRESS) -

O codiretor do serviço de Cirurgia Oral, Maxilofacial e Implantologia-Odontologia do Hospital Universitário La Luz de Madri, Dr. José Luis Cebrián, destacou que a biópsia líquida permite a detecção de marcadores de câncer oral mesmo antes do aparecimento de uma lesão "claramente" visível, razão pela qual ele acredita que ela se tornará um método de detecção comum no futuro.

"Essa técnica possibilita a detecção de marcadores tumorais e células cancerígenas em fluidos como saliva ou sangue quase antes de termos uma lesão claramente visível. E isso é muito importante, especialmente para o acompanhamento de certos pacientes que já foram submetidos a cirurgia e radiação, mesmo antes de a lesão ser visível. Ele ainda está em fase de implementação no câncer de cavidade oral, mas em poucos anos será um método comum de detecção desses tumores", disse ele.

É por isso que Cebrián, que também é presidente da Sociedade Espanhola de Cirurgia Bucomaxilofacial e de Cabeça e Pescoço (SECOMCyC), enfatizou a importância de se obter uma detecção mais precoce, mais precisa e menos invasiva, já que se trata de uma doença "potencialmente fatal" se não for detectada a tempo, enquanto a taxa de cura nos estágios iniciais é de 80%.

"Uma ferida, ferida ou afta na boca que não cicatriza em duas ou três semanas deve ser motivo de consulta imediata com o médico de família ou dentista, para que eles possam avaliá-la e, se considerarem apropriado, encaminhá-la a um serviço de cirurgia maxilofacial", explicou Cebrián por ocasião do Dia Europeu contra o Câncer Bucal, que está sendo comemorado nesta quinta-feira.

Nesse sentido, ele destacou o papel "crucial" dos dentistas na detecção precoce desse tipo de lesão durante os exames de rotina, razão pela qual pediu a esses profissionais que encaminhem qualquer caso duvidoso.

AUMENTO DA PREVALÊNCIA

Por outro lado, o Dr. Cebrián lamentou que a prevalência desse tipo de tumor esteja "aumentando", uma situação que ele atribuiu à combinação de tabaco e álcool, que ele considera o fator "mais perigoso", e à qual ele acrescentou a crescente incidência do vírus do papiloma humano (HPV).

"Até alguns anos atrás, esse não era um fator de risco muito relevante em nosso país, mas as mudanças nos hábitos sexuais estão transformando-o em uma ameaça crescente", acrescentou.

Ele continuou explicando que o perfil mais típico de paciente é o de um homem entre 60 e 70 anos de idade com um "longo histórico de tabagismo", que também tende a ir ao médico tardiamente, tanto por "medo" quanto por não querer preocupar a família, e até mesmo por acreditar que "será curado por conta própria".

Entretanto, ele ressaltou que nos últimos anos também houve casos de mulheres não fumantes que desenvolveram tumores em áreas onde há inflamação crônica devido a implantes dentários problemáticos, embora ele tenha enfatizado que "a ligação causal ainda não está clara".

CIRURGIA CONTRA O CÂNCER BUCAL

O Dr. Cebrián também falou sobre o tratamento para esse tumor, que consiste principalmente em cirurgia para removê-lo e reconstruir as áreas afetadas, como a mandíbula, a maxila ou a língua, seguida de sessões de radioterapia.

Ele também afirmou que os avanços contínuos na oncologia estão oferecendo cada vez mais ferramentas inovadoras, que vão desde os medicamentos clássicos até a imunoterapia.

"O futuro está em ajudar o sistema imunológico a combater o câncer. Como cirurgião, o ideal seria que tivéssemos que intervir cada vez menos graças a tratamentos mais eficazes e menos agressivos", acrescentou.

Embora a doença tenha sido superada, o especialista disse que não é "o fim do caminho", já que muitos pacientes precisam ser alimentados por sonda por um período de tempo, além de precisarem dos cuidados de uma equipe de enfermagem e de exames dentários "rigorosos".

"E também algo muito importante: eles devem evitar voltar a fumar ou beber. Se eles recaírem nos fatores de risco, as chances de desenvolver câncer aumentam novamente", alertou, lamentando que alguns "se sintam derrotados" e não assumam essa responsabilidade.

Da mesma forma, ele ressaltou que os pacientes ficam com sequelas visíveis, como dificuldades para falar e comer, além de pequenas deformidades, algo que, em uma sociedade "obcecada pela estética", pode levar ao isolamento do paciente por se sentir rejeitado ou invisível, o que também afeta sua recuperação.

"É hora de nós, como sociedade, pararmos de olhar para o outro lado. Essas são pessoas que lutaram com tudo para seguir em frente. Elas merecem nosso respeito, nossa admiração e nosso apoio", concluiu.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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