IBEAS DE JUARROS (BURGOS), 29 (EUROPA PRESS)
O vice-presidente da Fundação Atapuerca, José María Bermúdez de Castro, doou seu acervo científico ao Centro de Pesquisa Emiliano Aguirre para sua conservação, estudo e divulgação, um acervo documental fruto de várias décadas de trabalho científico, documentação acadêmica e administrativa que reúne mais de 8.000 fotografias tiradas nos sítios arqueológicos da serra de Atapuerca entre 1983 e 2024.
A Fundação Atapuerca explicou que o acervo passa a integrar o projeto “Memória de Atapuerca”, impulsionado por essa organização com o objetivo de recuperar, preservar e disponibilizar à sociedade a documentação gerada desde o início do projeto de pesquisa, em 1976.
Uma parte essencial desse acervo encontrava-se nas chamadas “Caixas Vermelhas”, que continham documentação do projeto Atapuerca compilada por Emiliano Aguirre no Museu Nacional de Ciências Naturais (MNCN) de Madri. Bermúdez de Castro assumiu a custódia e a conservação dessas caixas e, quando se mudou para Burgos em 2004, a documentação foi levada com ele.
As mesmas fontes explicaram que essa transferência coincidiu com o impulso institucional para a criação, em Burgos, do Complexo da Evolução Humana, composto pelo Centro Nacional de Pesquisa sobre a Evolução Humana (CENIEH) e pelo Museu da Evolução Humana (MEH).
Bermúdez de Castro foi eleito diretor científico do CENIEH por uma comissão formada por representantes do Ministério da Ciência e do Governo Regional de Castela e Leão. A partir dessa função, ele continuou a custodiar as “Caixas Vermelhas”, ciente de sua importância para reconstruir a história de um projeto que se tornara uma referência da ciência espanhola.
Durante três décadas, ele conservou essa documentação juntamente com a produzida por ele e por suas equipes de pesquisa, primeiro no MNCN de Madri e, posteriormente, no CENIEH de Burgos. Mais tarde, em 2023, Bermúdez de Castro entregou à Fundação Atapuerca seu acervo documental e o conteúdo das “Caixas Vermelhas” que havia recebido de seu mentor, Emiliano Aguirre.
SOBRE BERMÚDEZ DE CASTRO
É graduado e doutor em Ciências Biológicas pela Universidade Complutense de Madri (UCM), instituição na qual foi professor titular de Paleontologia. O vice-presidente também desenvolveu sua carreira como professor pesquisador no Museu Nacional de Ciências Naturais, pertencente ao Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC).
Foi o primeiro diretor científico do Centro Nacional de Pesquisa sobre a Evolução Humana (CENIEH), instituição que dirigiu entre 2004 e 2012; além disso, continuou vinculado ao centro como pesquisador até sua aposentadoria, em 2023.
Sua relação com a serra de Atapuerca teve início por influência de Emiliano Aguirre, seu mentor na Faculdade de Ciências Biológicas da Universidade Complutense de Madri. Bermúdez de Castro começou a colaborar com ele em trabalhos de pesquisa em 1981 e, dois anos depois, passou a participar regularmente das campanhas de escavação. Em 1983, Juan Luis Arsuaga, a quem ele já conhecia de sua época universitária em Madri, também se juntou à equipe.
Após a aposentadoria de Aguirre em 1990, assumiu, em 1991, a codireção do projeto Atapuerca juntamente com Eudald Carbonell Roura e Juan Luis Arsuaga Ferreras. Naquele mesmo ano, obteve um projeto do Ministério da Ciência que permitiu dar continuidade aos trabalhos de pesquisa nos sítios arqueológicos.
Até hoje, ele continua ligado a Atapuerca: participou ininterruptamente das escavações até sua aposentadoria em 2023 e dirigiu a campanha de Atapuerca no verão de 2024.
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