MADRID 5 jun. (EUROPA PRESS) -
Um novo estudo da Universidade de Mannheim mostra como as culturas avaliam a atratividade de forma diferente e a influência que essa avaliação pode ter no sucesso social.
Até que ponto a beleza influencia nosso sucesso social e a atratividade é percebida da mesma forma em todo o mundo? Pela primeira vez, um novo estudo publicado na revista Scientific Reports fornece informações comparativas de diferentes países.
O economista Wladislaw Mill, de Mannheim, e seu colega Benjamin Kohler, da ETH Zurich, analisaram modelos linguísticos abrangentes em 68 idiomas e desenvolveram um índice transnacional. Dessa forma, eles conseguiram descobrir a estreita relação entre termos como "beleza" ou "bonito" e atributos positivos, como "sucesso", e como essas associações variam de cultura para cultura.
A principal descoberta: o chamado "prêmio de beleza", ou seja, a vantagem que as pessoas atraentes têm em suas carreiras, na escolha de um parceiro ou em seu ambiente social, está disseminado em todo o mundo, mas não é pronunciado ou definido da mesma forma em todos os lugares.
"Pela primeira vez, nosso método nos permite registrar automaticamente e de forma comparativa os padrões culturais na percepção da beleza", explica o autor do estudo, Professor Dr. Mill, Professor Associado de Economia Comportamental, em um comunicado.
"E descobrimos que, em quase todo o mundo, a beleza está associada a algo positivo em vez de negativo, mas não em todos os lugares", acrescenta Kohler, formado em Mannheim.
PAÍSES OCIDENTAIS: BELEZA, UM REFLEXO DE FORÇA E COMPETÊNCIA
Nos países da Europa Ocidental, como França, Itália e Finlândia, a beleza é associada com frequência a características positivas, como competência, inteligência e confiabilidade nos modelos de linguagem.
"Em muitas culturas ocidentais, a atratividade externa parece estar associada ao desempenho e ao sucesso", diz Mill. Os pesquisadores também observaram esse efeito em países como a Somália.
LESTE EUROPEU E PARTES DA ÁSIA: PREDOMINAM OUTRAS ASSOCIAÇÕES
A situação é diferente na Romênia, por exemplo, ou em alguns países asiáticos, como o Vietnã: lá, a beleza é muito menos frequentemente associada a essas características "orientadas para o status". As pessoas até parecem ter uma visão negativa da beleza, que é associada à incompetência, à desconfiança e ao fracasso.
Entretanto, ainda não está claro por que a beleza é aparentemente mais vantajosa em algumas culturas do que em outras. Os autores do estudo suspeitam que a beleza nessas culturas pode estar associada a vantagens evolutivas. Pesquisas anteriores sugerem que a beleza geralmente é um sinal de saúde e, portanto, pessoas mais atraentes tendem a ter uma chance maior de sobrevivência e reprodução.
O estudo mostra que os padrões de beleza influenciados culturalmente podem ser um fator subestimado nas estruturas de poder social. Se a atratividade estiver associada a sinais sociais muito diferentes em culturas diferentes, isso terá um impacto direto na distribuição de oportunidades na sociedade, seja em entrevistas de emprego ou negociações salariais. Portanto, os resultados dão um novo impulso à pesquisa internacional sobre desigualdade.
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