SANTIAGO DE COMPOSTELA, 11 ago. (EUROPA PRESS) -
Begoña Vila, cientista e engenheira, é uma das responsáveis pela próxima grande missão científica da NASA, o lançamento do telescópio espacial “Nancy Grace Roman”, com o qual a agência espacial pretende obter uma visão panorâmica do universo como nunca antes vista e como passo preliminar para o próximo objetivo. “Queremos encontrar um planeta semelhante à Terra, que possa abrigar vida”, explica ela em declarações à Europa Press.
A astrofísica esteve em Santiago de Compostela nesta terça-feira para apresentar o início das filmagens na Galícia do documentário “Despois do eclipse (Rumbo às estrelas)”, da Meteórica Cine e em coprodução com a Abano Producións.
O longa-metragem, cuja apresentação também contou com a presença do secretário de Cultura, Língua e Juventude, José López Campos, aborda o processo técnico e humano por trás da construção e do lançamento de um dos projetos científicos “mais ambiciosos” da NASA, além de oferecer uma visão mais pessoal da trajetória de Vila, que já desempenhou um papel muito importante no desenvolvimento do telescópio espacial James Webb.
O telescópio Roman partirá de Cabo Cañaveral no próximo dia 30 de agosto, um marco que será registrado no documentário. “Ele nos proporcionará um campo de imagens muito mais amplo do que o que o Webb (de 2021) ou o Hubble (da década de 90) podem oferecer, cem vezes maior. Isso nos permitirá fazer um levantamento, ter uma visão panorâmica do Universo para compreender muitas coisas”, explicou a cientista.
Quanto às informações que ele vai fornecer, Vila destacou dois aspectos. Por um lado, a matéria escura e a energia escura, que constituem 95% do Universo, o qual, além disso, está se expandindo a uma velocidade “nunca vista”. “É incrível que ainda digamos que não sabemos o que são. E precisamos de dados para descobrir”, destacou.
Além disso, “ele revelará mais planetas”. “Agora sabemos que existem planetas ao redor de outras estrelas que, há 40 anos, não conhecíamos e agora conhecemos. Graças ao Roman, vamos descobrir mais 100 mil, e isso é muito importante porque, eventualmente, o que queremos é encontrar um planeta muito especial, que se pareça com a Terra e que possa abrigar vida”, conta.
A partir daí, entrará em cena o próximo grande telescópio no qual já começaram a trabalhar, o dos ‘mundos habitáveis’. “A essa altura, acredito que já teremos cerca de 25 planetas que, com certeza, podem apresentar sinais de que poderia haver vida ali. E vamos observá-los”, comenta.
Esse telescópio incorporará elementos que já fazem parte do Roman, mas mais aprimorados, como um cronógrafo, que serve para bloquear a luz de uma estrela e poder encontrar planetas ao seu redor. Ou seja, simular o que poderá ser visto naturalmente nesta quarta-feira, 12 de agosto, na Galícia: um eclipse.
O ECLIPSE NA GALÍCIA
Begoña Vila incentivou os galegos a aproveitarem esse fenômeno astronômico, “uma oportunidade de ver o que se faz quando se quer estudar o Sol”.
“Será possível ver a coroa solar e as emissões do Sol, algo que antes exigia esperar por esses eventos naturais para poder observar, e para isso era preciso viajar e tudo mais. Agora, é claro, já sabemos como fazer isso”, relata.
“Amanhã, vamos aproveitar o que é um eclipse total, como se fazia na antiguidade, mas sem medo, e poder ver essa coroa solar e sentir todos os efeitos. A queda da temperatura, que é incrível. Não percebemos o quanto o Sol esquenta e como vai ser”, destaca.
Sua presença na Galícia por ocasião desse evento astronômico permitirá que a equipe do documentário registre a dimensão mais pessoal da astrofísica: seu retorno à terra natal e a observação do eclipse ao lado de sua família e amigos.
“SER A VÍNCULA, POR SER MULHER E GALEGA, É UMA HONRA”
Questionada sobre o impacto que pode ter dar visibilidade a um perfil como o dela, ela se diz “muito emocionada e muito honrada”. “O fato de eu ser a protagonista, por ser mulher e por ser galega, é uma honra. Há muitas mulheres que são muito boas, mas, enfim, estou feliz por contar essa história”, comentou.
No entanto, no que diz respeito ao papel das mulheres, ela reconhece que ainda há muito a ser feito. “Estamos melhor, mas acho que precisamos continuar dando um pouco de visibilidade, continuar incentivando. Acho que, quando você vê mulheres fazendo um trabalho que você acha que gosta, é aí que, sem perceber, você pensa: ‘eu também poderia fazer isso’. É algo que a gente nem percebe, mas os preconceitos vão embora e você vê alguém ali”, reflete.
Nessa linha, ela defende medidas de ação afirmativa, como não saber o gênero da pessoa que se candidata a um emprego, orientando-se assim exclusivamente “pelos méritos”, além de continuar buscando referências.
Ela cita como exemplo a missão “Artemis II”, realizada entre 1º e 11 de abril de 2026, na qual quatro astronautas orbitaram a Lua, sendo que um deles era uma mulher.
“Todo mundo a viu. Havia astronautas incríveis e havia uma mulher. Todos nós acompanhamos, mas qualquer mulher se identifica um pouco mais com ela. Por quê? Porque você se vê refletida ali de alguma forma”, destaca. “É preciso seguir em frente para que qualquer menina possa trabalhar no que quiser, assim como um menino pode fazer”, afirma.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático