Publicado 20/05/2025 12:07

Barreiras sociais e de gênero limitam o acesso ao tratamento oportuno para mulheres com artrite reumatoide

Archivo - Arquivo - Mulher idosa com problemas musculoesqueléticos/ osteoartrite/ artrose
ECLIPSE_IMAGES/ ISTOCK - Arquivo

MADRID 20 maio (EUROPA PRESS) -

O reumatologista Loreto Carmona, do Instituto de Saúde Musculoesquelética (Inmusc) de Madri, advertiu que as barreiras sociais e de gênero podem limitar o acesso das mulheres com artrite reumatoide (AR) a um tratamento oportuno ou a um acompanhamento médico constante.

As mulheres têm uma doença "mais ativa", com "mais dor, fadiga e limitações funcionais", mas, ao mesmo tempo, seus sintomas tendem a ser "subestimados", o que faz com que seu diagnóstico seja atrasado em comparação com os pacientes do sexo masculino, disse ela durante o 51º Congresso Nacional da Sociedade Espanhola de Reumatologia (SER), como parte das atividades do Observatório de Igualdade da SER.

Sobre as diferenças no impacto que a artrite reumatoide tem sobre homens e mulheres, a especialista detalhou que os homens podem ter danos estruturais mais graves nas articulações e um risco maior de doenças cardiovasculares relacionadas, enquanto as mulheres têm uma prevalência maior de osteoporose, depressão e fibromialgia.

Ela também destacou que as diferenças biológicas e de gênero influenciam a forma como eles respondem aos tratamentos, de modo que os homens tendem a responder melhor aos agentes anti-TNF, medicamentos que reduzem a inflamação em doenças autoimunes e crônicas, enquanto as mulheres podem ter mais efeitos adversos.

Outros fatores relacionados ao gênero, como o papel dos cuidadores, o acesso ao atendimento médico e as diferenças na percepção da deficiência, influenciam a forma como as mulheres seguem os tratamentos e como comunicam seus sintomas aos médicos, acrescentou.

No campo da pesquisa, Carmona afirmou a falta de inclusão da perspectiva de sexo e gênero, pois "a maioria dos ensaios clínicos" não dá ênfase suficiente a esse aspecto, o que "limita" o conhecimento sobre as diferenças na eficácia e segurança dos tratamentos em homens e mulheres.

Para melhorar esse contexto, o médico pediu que se abordasse essa falta de perspectiva de sexo e gênero nos estudos, treinando os profissionais de saúde para que também a levem em consideração ao prescrever e monitorar os tratamentos, e desenvolvendo diretrizes de gestão personalizadas que levem em conta essas diferenças e sirvam de apoio para atingir os objetivos.

DESVALORIZAÇÃO DAS "DOENÇAS DE MULHERES".

Durante o 51º Congresso Nacional da Sociedade Espanhola de Reumatologia, a presidente da Câmara Social do Tribunal Superior de Justiça das Ilhas Canárias (Las Palmas), Gloria Poyatos, disse que "a diferença de gênero na dor é projetada na lei e na justiça por meio da exclusão ou desvalorização das 'doenças femininas', ligadas ao estereótipo da inferioridade moral das mulheres. Além disso, há uma disparidade na credibilidade, percepção, tratamento e experiências de dor entre homens e mulheres".

Ela também mencionou que existem "lacunas regulatórias" que limitam o acesso das mulheres aos seus direitos, o que consolida as lacunas de gênero e sua "posição de desvantagem" no acesso ao reconhecimento da deficiência e também da incapacidade permanente contributiva e não contributiva, o que, por sua vez, aumenta a lacuna nas pensões e as taxas de pobreza feminina.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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