LOCKHEED MARTIN / GARRY TICE
MADRID 16 maio (EUROPA PRESS) -
A aeronave supersônica silenciosa X-59 da NASA concluiu testes cruciais nos quais sua capacidade de voar em alta altitude sobre o deserto da Califórnia foi posta à prova, tudo isso sem decolar.
"A ideia por trás desses testes é controlar os subsistemas e o computador de voo do avião para que eles funcionem como se ele estivesse voando", disse Yohan Lin, engenheiro-chefe de aviônica do X-59 no Armstrong Flight Research Center da NASA, em um comunicado.
O objetivo dos testes de simulação em solo foi garantir que o hardware e o software que permitirão que o X-59 voe com segurança funcionem juntos de forma adequada e sejam capazes de lidar com qualquer problema inesperado.
Qualquer aeronave nova é uma combinação de sistemas, e identificar os pequenos ajustes necessários para otimizar o desempenho é uma etapa importante em uma abordagem disciplinada para o voo.
"Pensamos que poderíamos encontrar alguns detalhes durante os testes que nos levariam a ajustá-los para que funcionassem melhor, especialmente com alguns dos softwares, e foi isso que experimentamos. Portanto, esses testes foram muito úteis", disse Lin.
A conclusão dos testes é mais um marco na lista de tarefas antes que o X-59 faça seu primeiro voo este ano, dando continuidade à missão Quest da NASA de facilitar o voo supersônico comercial sobre a terra.
COM O MOTOR DESLIGADO
Durante os testes, os engenheiros da NASA e a empresa contratada Lockheed Martin ativaram a maioria dos sistemas do X-59, deixando o motor desligado. Por exemplo, se o piloto movesse o manche de controle de uma determinada maneira, o computador de voo movia o leme ou outras superfícies de controle da aeronave, exatamente como faria em voo.
Ao mesmo tempo, a aeronave foi conectada eletronicamente a um computador de solo que envia sinais simulados, que o X-59 interpreta como reais, como mudanças de altitude, velocidade, temperatura ou o status de vários sistemas.
Sentado na cabine de comando, o piloto "pilotava" a aeronave para ver como ela reagia. "Eram manobras simples, nada demais", disse Lin. "Depois, injetávamos falhas na aeronave para ver como ela reagia. O sistema compensava a falha? O piloto conseguia se recuperar?"
Ao contrário das simulações típicas de treinamento de astronautas, em que as tripulações de voo não têm conhecimento dos cenários que podem encontrar, os pilotos do X-59 sabiam praticamente tudo o que a aeronave experimentaria durante cada teste e até ajudaram a planejá-los para se concentrar melhor na resposta dos sistemas da aeronave.
No desenvolvimento de aeronaves, esse trabalho é conhecido como teste "iron bird" (pássaro de ferro), nome dado a uma estrutura metálica simples na qual as representações dos subsistemas da aeronave são instaladas, conectadas e verificadas.
PÁSSARO DE ALUMÍNIO
A construção de um banco de testes desse tipo é uma prática comum em programas de desenvolvimento em que muitas aeronaves serão construídas. Entretanto, como o X-59 é uma aeronave única, decidiu-se que seria melhor e mais econômico usar a própria aeronave.
Como resultado, os engenheiros apelidaram essa série de exercícios de "testes de pássaros de alumínio", já que esse é o metal do qual o X-59 é feito principalmente.
Assim, em vez de testar um "pássaro de ferro" com cópias dos sistemas de uma aeronave em uma estrutura indefinida, o "pássaro de alumínio" usou a aeronave real e seus sistemas, o que, por sua vez, significou que os resultados do teste deram a todos mais confiança no projeto.
Com a conclusão dos testes do pássaro de alumínio, o próximo marco no caminho do X-59 para seu primeiro voo é colocá-lo nas pistas de taxiamento do aeroporto adjacente às instalações da Skunk Works da Lockheed Martin em Palmdale, Califórnia, onde o X-59 foi construído. O primeiro voo seria realizado após esses testes de taxiamento.
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