MADRID 30 out. (EUROPA PRESS) -
A especialista em baixa resposta ovariana do Instituto Bernabeu, Dra. Ana Fuentes, destacou na quinta-feira que os avanços na reprodução assistida estão possibilitando o rejuvenescimento dos ovários e revolucionando a fertilidade, algo de particular relevância em um momento em que há uma tendência de retardar a idade da maternidade, o que pode levar a problemas devido ao fato de que a reserva ovariana é reduzida por volta dos 35 anos.
"A baixa reserva ovariana não deve ser vista como o fim, mas como o início de uma estratégia médica diferente. Graças à pesquisa, estamos aprendendo a entender os ovários para que possamos aproveitar todos os benefícios da natureza e melhorar sua eficiência", disse o Dr. Fuentes.
Apesar de reconhecer que o primeiro diagnóstico é um golpe emocional "forte", ela enfatizou que hoje em dia existem recursos que nos permitem tirar "o máximo proveito" de cada ciclo e que existem tratamentos diferentes para as mulheres, pois nem todas "respondem" e "devem ser tratadas" da mesma maneira.
Entre os tratamentos mais promissores está a dupla indução da maturação dos oócitos, por meio da qual são aplicados dois sinais diferentes e complementares, o que melhora a maturação dos oócitos e aumenta a possibilidade de obter oócitos de qualidade.
"A diferença pode ser enorme. Às vezes, um único estímulo não permite que os oócitos completem sua maturação; com o gatilho duplo, conseguimos resgatar oócitos que, de outra forma, seriam perdidos. É uma técnica simples, mas com um impacto real que aumenta as chances de sucesso e evita que as pacientes se submetam a mais tratamentos sem sucesso", explicou o especialista.
Outra técnica pioneira é a estimulação ovariana dupla (ou DuoStim), que possibilita a obtenção de óvulos em duas fases do mesmo ciclo menstrual, primeiro na fase folicular e depois na fase lútea. O fato de a segunda estimulação ser realizada imediatamente após a primeira, em vez de esperar semanas, significa que as chances de obter óvulos no mesmo mês são dobradas.
Esses novos protocolos permitem a estimulação contínua com várias punções usando medicamentos semanais, tornando a estimulação dupla ou tripla mais confortável para a paciente. Essa técnica geralmente é combinada com a fertilização in vitro dupla, que usa óvulos de ambas as fases para gerar mais embriões em um único tratamento, algo "especialmente útil" em casos de baixa reserva ovariana, uma situação em que menos de quatro óvulos são obtidos por ciclo de estimulação.
"Em mulheres com baixa reserva ovariana, não podemos perder tempo. A estimulação dupla nos permite acumular mais óvulos em menos tempo. E quando os óvulos são escassos, cada um deles conta", enfatizou Fuentes.
TRATAMENTOS SOB MEDIDA
Como nem todas as mulheres metabolizam os medicamentos da mesma forma, a farmacogenética se tornou um dos "pilares" da nova medicina reprodutiva espanhola, pois nos permite saber quais doses e tipos de medicamentos serão mais eficazes e seguros para cada paciente.
"Dessa forma, reduzimos os tratamentos fracassados e tentamos melhorar a resposta ovariana. O uso da farmacogenética também nos permite saber por que algumas pacientes têm uma resposta baixa à estimulação, apesar de terem marcadores de reserva ovariana normais", ressaltou o especialista.
Depois disso, ela enfatizou que a Espanha é um dos países europeus que mais avançou na integração da genética na prática clínica da fertilidade, reunindo ginecologistas, geneticistas e embriologistas no mesmo centro, e que esse modelo está "inspirando" instituições em países como o Reino Unido e a Itália.
De acordo com o Registro Nacional de Atividades da Sociedade Espanhola de Fertilidade (SEF), na Espanha são realizados mais de 167.000 ciclos de fertilização in vitro por ano e mais de 31.000 ciclos de inseminação artificial, dando origem a cerca de 40.000 nascimentos por ano, o que representa aproximadamente 12% do número total de nascimentos na Espanha.
Além disso, de acordo com o Instituto Bernabeu, a Espanha é responsável por cerca de 15% dos tratamentos de fertilização in vitro na Europa, superando em volume "grandes potências" como a França e a Alemanha, o que ressalta a importância da Espanha tanto no diagnóstico quanto na implantação de soluções personalizadas para os pacientes.
Uma das técnicas "mais experimentais" é a fragmentação e o transplante do córtex ovariano, uma intervenção que busca "despertar" folículos inativos por meio da fragmentação controlada do tecido ovariano e seu posterior reimplante.
Esse procedimento visa reativar áreas do ovário que não respondem mais, uma operação de "rejuvenescimento celular" que, em alguns casos, consegue recuperar a atividade folicular e que, embora não garanta resultados, representa uma "mudança de paradigma" na medicina reprodutiva.
"Ela nos permite explorar a capacidade regenerativa do próprio tecido, algo impensável há apenas uma década, o que pode representar uma segunda chance para pessoas cuja reserva ovariana está em situação crítica, como no caso de falência ovariana precoce ou menopausa precoce em seus estágios iniciais", explicou Fuentes.
O SURGIMENTO DO PLASMA RICO EM PLAQUETAS
Outro caminho de pesquisa que está "crescendo" nos laboratórios espanhóis é o uso de plasma rico em plaquetas (PRP), que consiste em extrair sangue da paciente, centrifugá-lo e injetar o concentrado no ovário, com o objetivo de que os fatores de crescimento no PRP possam favorecer a microcirculação e estimular os folículos residuais.
"O objetivo é que ele possa ajudar a melhorar a resposta do ovário; no entanto, é um complemento, não um substituto para a estimulação clássica, embora possa ajudar a melhorar muito o prognóstico", explicou ela.
Essa terapia foi aplicada a Claudia, uma mulher de 37 anos que, quando ouviu pela primeira vez a frase "baixa reserva ovariana", pensou que isso significava o fim de seu sonho de ser mãe. Após um ano de tentativas fracassadas e um diagnóstico hormonal devastador, seu ginecologista explicou que seus ovários estavam funcionando como se ela tivesse 45 anos.
"Senti que meu corpo havia me traído", lembra ela, explicando que, quando foi ao Instituto Bernabeu, eles propuseram um protocolo de estimulação dupla combinado com plasma rico em plaquetas, onde falaram com ela "com realismo", mas também "com esperança".
Três meses depois, ela conseguiu obter vários óvulos viáveis e agora está grávida de 18 semanas. "Eu não sabia que ainda havia uma margem. Às vezes não é uma questão de tempo, mas de a ciência lhe dar outra chance", acrescentou.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático