UNIVERSIDAD DE MANCHESTER
MADRID 7 abr. (EUROPA PRESS) -
Avalanches submarinas rápidas, conhecidas como correntes de turbidez, são responsáveis pelo transporte de grandes quantidades de microplásticos para o mar profundo.
As descobertas, publicadas na revista Environmental Science and Technology, mostram que essas poderosas correntes podem viajar a velocidades de até oito metros por segundo, transportando resíduos plásticos da plataforma continental para profundidades de mais de 3.200 metros.
Mais de 10 milhões de toneladas métricas de resíduos plásticos chegam aos oceanos todos os anos. Embora as imagens chocantes de detritos flutuantes tenham estimulado os esforços para reduzir a poluição, esses resíduos visíveis representam menos de 1% do total. Os 99% restantes, que consistem principalmente em fibras têxteis e de vestuário, afundam nas profundezas do oceano.
Há muito tempo, os cientistas suspeitam que as correntes de turbidez desempenham um papel importante na distribuição de microplásticos no fundo do mar. A Universidade de Manchester foi uma das primeiras a demonstrar isso por meio de sua pesquisa sobre pontos críticos de microplásticos no Mar Tirreno, publicada na revista Science. Entretanto, até agora, o processo real não havia sido observado ou registrado em um ambiente real.
EVIDÊNCIAS DO CAMPO
O estudo mais recente, realizado pela Universidade de Manchester, pelo National Oceanography Center (Reino Unido), pela Universidade de Leeds e pelo Royal Netherlands Institute for Marine Research, fornece a primeira evidência de campo que mostra o processo.
As descobertas representam uma ameaça significativa aos ecossistemas marinhos e destacam a necessidade urgente de controles de poluição mais rígidos.
O Dr. Peng Chen, principal autor do estudo na Universidade de Manchester, disse em um comunicado: "Os microplásticos sozinhos podem ser tóxicos para a vida marinha profunda, mas também atuam como 'transportadores' que transferem outros poluentes nocivos, como PFASs (produtos químicos permanentes) e metais pesados, tornando-os um 'multiestressor' ambiental que pode afetar toda a cadeia alimentar.
UM CÂNION NO MAR CELTA
A pesquisa concentrou-se no Whittard Canyon, no Mar Céltico, um cânion isolado da terra a mais de 300 km da costa. Combinando monitoramento in situ com amostragem direta do fundo do mar, a equipe conseguiu observar uma corrente de turbidez em ação, deslocando uma enorme coluna de sedimentos a mais de 2,5 metros por segundo a uma profundidade de mais de 1,5 km.
Amostras coletadas diretamente da corrente revelaram que essas poderosas correntes não apenas carregavam areia e lama, mas também uma quantidade significativa de fragmentos de microplástico e microfibras.
Uma análise mais aprofundada revelou que os microplásticos no fundo do mar são compostos principalmente de fibras de tecidos e roupas, que não são filtradas com eficácia pelas estações de tratamento de esgoto doméstico e chegam facilmente aos rios e oceanos.
O Dr. Ian Kane, geólogo e cientista ambiental da Universidade de Manchester, que projetou e liderou a pesquisa, disse: "Essas correntes de turbidez transportam os nutrientes e o oxigênio vitais para a vida no fundo do mar, por isso é surpreendente que elas também transportem essas minúsculas partículas de plástico. Esses hotspots de biodiversidade agora são encontrados ao lado de hotspots de microplásticos, que podem representar sérios riscos para os organismos do fundo do mar.
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