Publicado 23/09/2025 06:24

A Autism Spain garante que a ligação entre o paracetamol e o autismo "carece de todas as evidências científicas".

Archivo - Arquivo - Criança no consultório do terapeuta.
KATARZYNABIALASIEWICZ/ISTOCK - Arquivo

MADRID 23 set. (EUROPA PRESS) -

A Confederação Autismo Espanha mostrou sua absoluta rejeição às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que vinculou o uso de paracetamol na gravidez ao desenvolvimento de autismo em bebês, e assegurou que essas declarações "carecem de toda evidência científica" e podem supor um "dano potencial para a saúde pública global".

A associação aludiu em uma declaração a estudos que negam categoricamente essa relação e concluem que o medicamento não está associado ao aumento do risco de autismo, TDAH ou deficiência intelectual em crianças, conforme destacado pela pesquisa publicada na 'JAMA Network'.

As análises iniciais desse trabalho, que mostraram um risco aumentado, desapareceram ao comparar pares de irmãos, sugerindo que a genética e o ambiente familiar explicam melhor os resultados.

Outros estudos em larga escala realizados na Europa e no Japão em 2025 sugeriram que o que pode parecer ser pequenas associações entre o uso de paracetamol e os distúrbios do desenvolvimento neurológico são, na verdade, atribuíveis a outros fatores subjacentes, como a saúde e a genética dos pais, o uso de outros medicamentos e outros elementos ambientais.

USO DE LEUCOVORINA

Trump também recomendou o uso de ácido folínico, também chamado de leucovorina, como tratamento para crianças autistas. Essa forma ativa de ácido fólico tem sido usada no tratamento de certos tipos de anemia e em oncologia, pois pode aumentar a eficácia de alguns medicamentos e reduzir a toxicidade de outros.

A Autism Spain detalhou que vários estudos e ensaios clínicos analisaram nos últimos anos seu possível benefício em pessoas com autismo, especialmente para a melhoria da linguagem e da comunicação verbal. Entretanto, os resultados ainda não são conclusivos.

A esse respeito, a confederação afirmou que o autismo é "um fenômeno complexo que não pode ser explicado ou abordado apenas por esse enfoque" e, atualmente, sua gestão deve se concentrar em fornecer apoio individualizado, eliminar barreiras e estigmas sociais e garantir direitos fundamentais, mas não em tentativas de buscar uma causa única ou uma cura.

Nesse contexto, a Autism Spain também desmontou outra farsa comum em torno do autismo, insistindo que não há relação causal entre a vacinação infantil e o desenvolvimento do autismo, sendo as vacinas seguras, algo apoiado pelo consenso científico e profissional global.

POR QUE OS DIAGNÓSTICOS ESTÃO AUMENTANDO

O presidente dos EUA justificou a necessidade dessas medidas no "aumento meteórico" de pessoas com autismo, que ele considera um dos "eventos mais alarmantes na história da saúde pública". Por esse motivo, ele anunciou uma alocação de mais de 42 milhões de euros (50 milhões de dólares) para os Institutos Nacionais de Saúde para pesquisar as causas do autismo.

A Autism Spain explicou, com base em evidências científicas, que o aumento nas taxas de diagnóstico de autismo nas últimas décadas se deve a uma melhor identificação, maior conscientização social e profissional e melhor acesso a serviços clínicos e educacionais em muitos países.

A esse respeito, a entidade comentou que, enquanto na Europa se fala de uma prevalência de um caso de autismo para cada 100 pessoas, nos Estados Unidos, os últimos dados de prevalência apontam que uma em cada 31 crianças terá um diagnóstico de autismo.

Como ele detalhou, essa diferença se deve ao fato de que esses dados são obtidos de estudos de triagem que apenas estimam a frequência de "possíveis casos" em uma população; além disso, um "possível caso" não significa necessariamente um diagnóstico confirmado de autismo. O estudo do CDC que aponta esses dados permaneceu na fase inicial e não foi concluído com a confirmação dos diagnósticos posteriormente.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contenido patrocinado