MADRID 8 out. (EUROPA PRESS) -
A ausência do receptor CB1 durante o desenvolvimento embrionário altera significativamente a formação do córtex pré-frontal, de acordo com o grupo de pesquisa Cell Signalling by Cannabinoids do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular da Faculdade de Ciências Químicas da Universidade Complutense de Madri (UCM), ligado ao Instituto Ramón y Cajal de Pesquisa em Saúde (IRYCIS) e ao CIBERNED.
A equipe estuda como os endocanabinoides produzidos pelo próprio corpo e as moléculas derivadas da planta Cannabis sativa, como o THC, agem para controlar as funções essenciais dos neurônios por meio do receptor CB1, tanto no cérebro adulto quanto durante o desenvolvimento pré-natal.
O estudo, publicado recentemente no Journal of Neuroscience, e realizado em colaboração com a Universidade de Amsterdã e o Centro Nacional de Biotecnologia (CNB-CSIC), o pesquisador Samuel Simón-Sánchez demonstra que a falta de CB1 interfere na migração normal dos neurônios de projeção, impedindo-os de chegar ao seu destino final e fazendo com que se localizem nas camadas corticais erradas.
Esses neurônios também apresentam atividade axonal e padrões de projeção anormais, diferentes dos de seus vizinhos. A ausência do receptor também modifica a expressão gênica, afetando genes relacionados a distúrbios como a deficiência intelectual e o autismo.
As consequências dessas alterações persistem na idade adulta, com camundongos que não possuem o receptor CB1 apresentando déficits na interação social e no controle motor. "Esses resultados confirmam o papel crucial da sinalização endocanabinoide no desenvolvimento do córtex pré-frontal e sugerem que sua disfunção pode contribuir para o surgimento de distúrbios neuropsiquiátricos", afirmam.
Essas descobertas também têm implicações para a compreensão dos riscos associados à exposição pré-natal ao THC e suas consequências para o neurodesenvolvimento da prole.
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