Publicado 27/07/2026 09:21

O aumento na frequência de incêndios trará novos quadros clínicos que exigirão uma abordagem específica, segundo especialistas

Polícia Local de Vélez-Málaga em uma foto de arquivo
AYTO VÉLEZ-MÁLAGA

MADRID 27 jul. (EUROPA PRESS) -

Um artigo dos médicos de família José Luis Ramón Trapero, Lucas Matute Zigarán e Ibon Mendiolagaray Bilbao demonstrou que o aumento na frequência dos incêndios “provocará novos quadros clínicos que exigirão uma abordagem específica por parte da Medicina Familiar e Comunitária”.

Este trabalho, publicado na revista especializada “Actualización en Medicina de Familia” (AMF) da Sociedade Espanhola de Medicina de Família e Comunitária (SEMFYC) e intitulado “A Medicina de Família diante dos incêndios florestais”, destaca que, diante do aumento desses fenômenos, ocorrerão agravamentos de patologias respiratórias e oculares, ansiedade e estresse pós-traumático, entre as patologias emergentes.

Conforme indicaram os autores, será necessário um acompanhamento longitudinal, pois trata-se de “um desafio à saúde” que “afetará cada vez mais a atividade da Atenção Primária”. “As mudanças climáticas se tornaram uma crise de saúde de magnitude global, uma vez que o aumento das temperaturas, as secas prolongadas e a alteração dos padrões de precipitação criaram um cenário propício para a proliferação de grandes incêndios florestais”, afirmaram.

Assim, este artigo, elaborado a partir do caso de Carlos, um policial municipal de 25 anos que procurou um Ponto de Atendimento Contínuo (PAC) após participar das operações de evacuação durante um grande incêndio florestal, mostra que os grandes incêndios provocam o aumento de intoxicações por inalação de fumaça, lesões nas vias aéreas, queimaduras e afecções oculares causadas pela fumaça e pelas partículas em suspensão.

Nesse sentido, eles destacaram que a intoxicação por monóxido de carbono, principal causa de morte imediata em incêndios, e a lesão por inalação de fumaça constituem duas das principais emergências que todos os médicos devem saber reconhecer. Entre 10% e 30% dos pacientes que sofrem intoxicação por monóxido de carbono podem desenvolver uma síndrome neurológica tardia, com deterioração cognitiva, alterações na marcha ou mudanças de personalidade semanas após o episódio agudo.

EXACERBAÇÕES DE PATOLOGIAS RESPIRATÓRIAS CRÔNICAS

No âmbito respiratório, alertaram para o aumento das exacerbações de doenças respiratórias crônicas, bem como para o desenvolvimento de hiperreatividade brônquica, bronquiectasias ou limitação crônica do fluxo aéreo em pacientes expostos. Os consultórios de Atenção Primária também deverão atender com maior frequência a casos de irritações oculares, ceratoconjuntivite e outras lesões decorrentes da exposição à fumaça e às cinzas.

Além disso, alertaram para a elevada incidência de crises de ansiedade, ansiedade patológica, depressão e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). Nesse contexto, consideram que o acompanhamento contínuo, característico da Medicina Familiar, permitirá detectar precocemente esses problemas, intervir de forma precoce e coordenar, quando necessário, o atendimento com os serviços de Saúde Mental.

Além disso, essa análise detalhou outros aspectos, como o fato de que uma pulsoximetria normal não descarta uma intoxicação grave por monóxido de carbono, uma vez que essa técnica convencional não diferencia a carboxihemoglobina da oxihemoglobina. Por isso, defende-se a incorporação de pulsioximetras ou gasometria nos centros de saúde, sempre que possível.

“O exame clínico continua sendo determinante para suspeitar de uma lesão por inalação de fumaça”, afirmaram os especialistas a esse respeito, após o que ressaltaram que “a presença de fuligem na orofaringe, vibrissas nasais queimadas, expectoração carbonosa, disfonia ou estridor devem alertar o médico de família sobre um possível comprometimento das vias aéreas que requer uma intervenção urgente”.

Uma vez tratadas as queimaduras — aspecto em que, inicialmente, a medida mais eficaz consiste em irrigar a lesão com água corrente por 20 minutos, evitando remédios caseiros e o uso sistemático de antibióticos profiláticos —, os autores lembraram que muitas das sequelas associadas aos incêndios não se manifestam durante a fase aguda, mas sim semanas ou meses depois; por isso, a Medicina Familiar e Comunitária ocupa uma posição privilegiada para identificar sequelas respiratórias, neurológicas, dermatológicas e psicológicas.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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