IBS CENTER FOR CLIMATE PHYSICS
MADRID 24 set. (EUROPA PRESS) -
O aquecimento global está acelerando o risco de secas plurianuais que podem levar à escassez extrema de água, ameaçando a disponibilidade de água já nas próximas décadas. A região do Mediterrâneo terá a maior exposição urbana.
Um estudo realizado pelo IBS Centre for Climate Physics (ICCP) da Pusan National University (Coreia do Sul) utilizou simulações de modelos climáticos de última geração para determinar quando a demanda local de água excederá o suprimento regional proveniente de chuvas, rios e reservatórios.
Esse momento é comumente chamado de Dia Zero de Seca (DZD). Cidades como a Cidade do Cabo (África do Sul), em 2018, e Chennai (Índia), em 2019, já se aproximaram das condições do DZD, destacando a crescente vulnerabilidade dos sistemas urbanos de abastecimento de água para consumo e agricultura.
Entender onde e quando essas condições surgirão é crucial para o desenvolvimento de estratégias eficazes de gerenciamento de água para comunidades rurais e urbanas. O novo estudo mostra que a frequência de DZD aumentará drasticamente nas próximas décadas, muito antes do esperado.
Os modelos climáticos usados pelos autores foram baseados nos cenários de emissões de gases de efeito estufa SSP3-7.0 e SSP2-4.5. Concentrando-se em extremos hidrológicos compostos, como déficits prolongados de precipitação, redução do fluxo dos rios e aumento do consumo de água, mas excluindo os reservatórios de água subterrânea, o estudo identifica os principais pontos críticos de DZD no Mediterrâneo, no sul da África e em partes da América do Norte. As áreas urbanas são particularmente vulneráveis.
CIDADES DO MEDITERRÂNEO, OS AMBIENTES URBANOS MAIS EXPOSTOS
De acordo com as simulações, é provável que surjam DZDs em 35% das regiões vulneráveis já nos próximos 15 anos. Até o final deste século, as condições das DZDs poderão ameaçar cerca de 750 milhões de pessoas em todo o mundo, incluindo 470 milhões de residentes urbanos e 290 milhões de pessoas em áreas rurais. Prevê-se que a região do Mediterrâneo terá a maior exposição urbana, enquanto o norte e o sul da África e partes da Ásia enfrentarão os impactos rurais mais graves.
Nosso estudo mostra que o aquecimento global causa e acelera as condições de seca do Dia Zero em todo o mundo. Mesmo que alcancemos a meta de 1,5°C, centenas de milhões de pessoas ainda enfrentarão uma escassez de água sem precedentes, afirma o candidato a PhD Ravinandrasana, primeiro autor do estudo, em um comunicado.
De acordo com nossos cálculos, e devido à crescente gravidade do estresse hídrico, 14% dos principais reservatórios de água poderiam secar já durante os primeiros eventos de seca do Dia Zero, com graves consequências para os meios de subsistência das pessoas, diz o autor correspondente, Professor Christian Franzke, do Centro de Física Climática da IBS.
As secas do Dia Zero não são mais um cenário distante: elas já estão acontecendo. Sem uma adaptação imediata e um gerenciamento sustentável da água, é provável que centenas de milhões de pessoas enfrentem uma escassez de água sem precedentes no futuro, afirma Ravinandrasana.
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