MADRID 29 abr. (Portaltic/EP) -
A inteligência artificial (IA) não busca apenas melhorar a produtividade, mas, com o auxílio de assistentes como o Gemini, torna-se algo mais próximo, um apoio cotidiano com impacto real na vida das pessoas e no bem-estar da sociedade, com usos que vão desde ganhar autonomia até preservar memórias e dar voz a histórias que, de outra forma, poderiam se perder.
Atualmente, a IA é concebida como uma ferramenta baseada em código e algoritmos que, de alguma forma, ajuda na execução de tarefas pesadas no trabalho, na automação de tarefas, na agilização do processo de busca de informações ou na tomada de decisões, tudo isso com foco na produtividade.
No entanto, o Google considera que essa tecnologia é muito mais do que algoritmos e que, com o Gemini, trata-se de uma forma de melhorar o dia a dia das pessoas, seja derrubando barreiras, preservando a memória ou dando voz a histórias.
Em um encontro com a imprensa, o Google Espanha quis mostrar de perto como o Gemini pode ajudar a promover o bem na sociedade, com três casos concretos em que a IA está gerando um impacto real para melhorar a vida dos usuários.
GEMINI PARA GANHAR AUTONOMIA
O primeiro deles mostra em primeira mão como ferramentas como o Gemini Live podem oferecer autonomia a pessoas com deficiência visual. É o caso de Jonatan Armengol, o primeiro crítico gastronômico cego da Espanha, que afirma que o uso desse tipo de tecnologia “é o mais próximo de recuperar a visão” e de recuperar sua independência.
Como compartilhou durante o encontro, para Armengol, as barreiras visuais do ambiente físico sempre representaram um desafio, obrigando-o a depender de ajuda externa para certas tarefas. No entanto, o Gemini Live e a câmera de seu smartphone se tornaram seus melhores aliados, sempre ao lado de seu cão-guia Calo, conseguindo promover sua autonomia no dia a dia.
Concretamente, o Gemini Live se baseia em uma experiência conversacional avançada projetada para interagir com a IA de maneira fluida e natural, semelhante a quando se fala com uma pessoa. Assim, permite interromper durante as conversas e compartilhar a tela em tempo real. Dessa forma, o assistente pode interpretar o que está sendo capturado pela câmera e interagir com o ambiente no momento.
Essas capacidades de conversação, juntamente com o uso da câmera e a interpretação do ambiente, permitem que, com simples comandos de voz, Armengol possa realizar tarefas cotidianas como identificar e comparar a data de extração nas bolsas de leite materno para seu bebê, preparar receitas ou pesquisar técnicas culinárias para seu trabalho.
Isso ocorre porque o Gemini Live interpreta sua necessidade e a coloca em contexto, permitindo que ele tome decisões rápidas que, de outra forma, não poderiam ser realizadas ou exigiriam ajuda externa. “Felizmente, a IA veio para resolver muitos problemas”, afirmou Armengol, alegando que o Gemini o ajuda a concluir suas tarefas mais cedo e a desfrutar de muito mais tempo livre com sua família. “No fim das contas, ser cego não é um limite. Com a ajuda do Calo e da IA, vemos o futuro muito mais acessível”, afirmou.
GEMINI COMO ALIADO PARA CONTAR HISTÓRIAS
Por outro lado, o Gemini também pode ajudar a contar histórias que merecem ser conhecidas e, além disso, conectar gerações, atuando como uma ponte de entendimento social.
É o caso de Cristina e María que, com o apoio da Fundação Lo Que De Verdad Importa, dedicada a difundir valores humanos universais, e seu projeto “Tu historia de verdad importa”, transformaram as vivências de idosos em livros para imortalizar seus valores e experiências.
Especificamente, em seu trabalho voluntário, Cristina escreveu a história da vida de María e a transformou em um livro intitulado “Bailas”, que conta o testemunho de seu casamento com Amadeo, em um relato comovente.
Para realizar esse projeto, ela fez uma pesquisa e utilizou entrevistas, fotografias e experiências pessoais contadas pela própria María. No entanto, Cristina também recorreu ao Gemini como seu assistente para dar forma a todas as vivências contadas.
Conforme explicou durante o encontro, ela utilizou especificamente a função de pesquisa aprofundada (Deep research) do Gemini para organizar, investigar e dar forma ao testemunho de María. Essa função transforma a IA em um agente capaz de realizar pesquisas exaustivas e autônomas na web, navegando por centenas de sites, analisando as informações, comparando fontes e gerando relatórios detalhados em minutos.
Dessa forma, Cristina pôde contar com o trabalho de um pesquisador especialista para documentar o contexto de mulheres como María na Espanha rural dos anos 70, conferindo um contexto real e detalhado à sua história para ajudar os leitores a compreender melhor a narrativa do livro.
Além disso, ela também utilizou a função do Gems para criar sua própria editora como assistente personalizada, que transcreveu as entrevistas e ajudou a organizar o conteúdo em capítulos, dar feedback, corrigir a redação e até mesmo sugerir ideias para o título.
Da mesma forma, além de ajudar a agilizar o processo, Cristina também destacou como a capacidade da IA de transcrever as entrevistas e capturar todos os detalhes lhe permitiu estar presente em suas conversas com María, promovendo esse trabalho de acompanhar pessoas em processos de luto ou de solidão indesejada, criando uma relação humana e conectando-se de forma real.
MATERIALIZAR MEMÓRIAS PARA TERAPIAS DE REMINISCÊNCIA
Por fim, foi demonstrado como a IA do Gemini também possui capacidades terapêuticas, com um trabalho elaborado pela Fundació Catalunya La Pedrera, que acompanha pessoas nas fases iniciais da doença de Alzheimer e outras demências por meio de seu programa Refuerzo de la Memoria, cujo objetivo é melhorar sua qualidade de vida e bem-estar emocional, ajudando-as a manter suas capacidades e autonomia pelo maior tempo possível.
Especificamente, participou do encontro Marta Handenauer, da Domestic Data Streamers, um estúdio de design localizado em Barcelona que trabalha na interseção entre dados, comunidade e tecnologia com impacto social, e que colaborou com a fundação para criar o projeto Memórias Sintéticas.
Conforme explicou Handenauer, essa iniciativa utiliza IA para criar imagens de memórias que não foram documentadas e, com isso, evitar que caiam no esquecimento. Assim, essas imagens são utilizadas em terapias de reminiscência para ajudar pessoas que estão enfrentando processos neurodegenerativos, como o Alzheimer em estágio inicial.
É o caso de Manel, participante do programa, que, a partir de descrições orais e por meio da IA geradora de imagens do Gemini, ajudou a reconstruir representações visuais de seu passado. Trata-se de um processo totalmente colaborativo e preciso para materializar suas memórias em imagens que parecem fotografias da forma mais fiel possível à realidade.
Durante o processo, Manel pôde ver as imagens e validá-las em uma tela antes de imprimi-las, transformando esse material em um recurso valioso para suas sessões de estimulação cognitiva e emocional.
“O momento em que a pessoa vê a imagem gerada, primeiro na tela, mas depois impressa no papel, é como uma sensação de alívio emocional”, explicou Handenauer. “De repente, algo que estava em sua cabeça, que só existia ali, ganha forma, torna-se tangível e pode ser compartilhado.”
Dessa forma, a tecnologia se coloca a serviço da memória, ajudando a recuperar fragmentos de identidade, preservar o legado pessoal e gerar no paciente uma sensação de conexão, reconhecimento e bem-estar.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático