NARONGRIT DOUNGMANEE/ISTOCK - Arquivo
MADRID 7 abr. (EUROPA PRESS) -
O atraso no diagnóstico do vitiligo em diferentes países europeus, incluindo a Espanha, pode variar de seis meses a um ano, enquanto o tempo médio decorrido entre a detecção das primeiras lesões e o diagnóstico é de dois anos e meio, de acordo com o Livro Branco Europeu sobre essa doença, elaborado pelo Comitê Internacional de Organizações de Pacientes com Vitiligo (VIPOC), com o apoio da Incyte.
"A dualidade dessa doença significa que, por um lado, os portadores chamam a atenção para a perda de pigmentação de partes de sua pele, enquanto, por outro lado, essas mesmas pessoas se sentem em grande parte invisíveis para os sistemas de saúde e para os formuladores de políticas", explicou o Dr. José Luis López Estebaranz, chefe do departamento de dermatologia do Hospital Universitario Fundación Alcorcón.
O especialista, que também é membro do Grupo de Trabalho para a elaboração do Livro Branco, enfatizou que a importância da colaboração entre o atendimento especializado em dermatologia e o atendimento primário é "fundamental" no sistema de saúde pública, e que o diagnóstico precoce "pode ajudar a gerenciar melhor a doença" e a definir o tratamento "mais adequado" para cada paciente, permitindo também uma maior chance de sucesso no tratamento.
"A educação continuada é sempre necessária em patologias como o vitiligo, que têm avanços em inovação e, principalmente, quando opções terapêuticas podem ser oferecidas aos pacientes que sofrem com essas alterações", acrescentou.
O Dr. López Estebaranz ressaltou que muitas pessoas com vitiligo "ficaram em casa porque lhes disseram que não havia nada a ser feito", resignando-se a "viver com isso para sempre", referindo-se ao fato de que 65% das pessoas diagnosticadas com vitiligo foram informadas de que sua condição não tem tratamento, sendo que 37% delas não sabiam da existência de tratamentos disponíveis.
"Temos de informar a população e todos os agentes de saúde envolvidos sobre esta patologia, sobre a qual sabemos cada vez mais, porque tem havido progressos no conhecimento da sua fisiopatologia e no aparecimento de novos tratamentos", sublinhou.
Por sua vez, o chefe do Serviço de Farmácia do Hospital Sagunto (Valência) e membro do mesmo Grupo de Trabalho, Dr. Joaquín Borrás Blasco, explicou que essa falta de conhecimento por parte dos profissionais de saúde da Dermatologia e da Atenção Primária sobre a existência de opções de tratamento se deve à "ausência no campo terapêutico de diretrizes acordadas para o tratamento farmacológico e não farmacológico do vitiligo".
O desenvolvimento deste documento tem como objetivo "apresentar boas práticas" no gerenciamento do vitiligo, destacar áreas de melhoria e orientar a implementação de políticas e estratégias que otimizem o cuidado e o bem-estar das pessoas com vitiligo.
Para isso, foi solicitado o desenvolvimento de programas de treinamento específicos e um guia de gerenciamento do vitiligo, fornecendo informações baseadas em evidências sobre a natureza do vitiligo e as opções terapêuticas disponíveis, uma série de medidas que devem ser acompanhadas por uma maior conscientização entre os médicos da atenção primária.
O Dr. Borrás Blasco destacou que uma das "principais deficiências" no diagnóstico e no tratamento da doença é a falta de equipes multidisciplinares para oferecer atendimento especializado a esses pacientes, portanto essas medidas poderiam ajudar a aliviar essa situação.
"Também é prioritário estabelecer programas de avaliação contínua da eficácia, segurança e adesão às linhas de tratamento, ou seja, determinar a persistência das terapias disponíveis em nosso país para o vitiligo", acrescentou.
43% DOS PACIENTES RECEBEM UM DIAGNÓSTICO INCORRETO
Um dos desafios refletidos no texto é o fato de que quase 43% dos pacientes receberam anteriormente um diagnóstico incorreto, o que se deve principalmente ao fato de que há "poucos especialistas" nessa doença, como apontou Rodolfo Sanz, representante da Associação de Pacientes com Vitiligo (ASPAVIT) no VIPOC.
Essa escassez de especialistas ocorre "sobretudo no sistema público de saúde", após o que ele enfatizou que um diagnóstico incorreto é um "freio" para o paciente, razão pela qual ele considerou uma "prioridade" começar a estabelecer e generalizar um protocolo "claro" que abranja desde a atenção primária até a dermatologia especializada em vitiligo.
"Portanto, até o momento, não há canais estabelecidos para o encaminhamento do médico de família para o dermatologista especializado em vitiligo. Não há uma linha de ação protocolizada para o tratamento", acrescentou.
Por fim, ele considerou que esse documento representa um "ponto de inflexão" para o tratamento de pacientes com vitiligo, o que "deve possibilitar a realização de campanhas de conscientização pública, o treinamento de clínicos gerais e o fortalecimento de equipes multidisciplinares em vitiligo em nível nacional e europeu", permitindo, assim, mudanças estruturais na organização da assistência médica para o estabelecimento de um atendimento abrangente e multidisciplinar para pessoas com vitiligo.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático