ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/S. BALASHEV AND P. NOTERDAEME
MADRID 21 maio (EUROPA PRESS) -
Uma equipe de astrônomos testemunhou, pela primeira vez, uma violenta colisão cósmica na qual uma galáxia esmaga outra com intensa radiação.
Seus resultados, publicados na revista Nature, mostram que essa radiação diminui a capacidade da galáxia ferida de formar novas estrelas. Esse novo estudo combinou observações do Very Large Telescope (VLT) do Observatório Europeu do Sul (ESO) e do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), revelando todos os detalhes sangrentos dessa batalha galáctica, de acordo com uma declaração do Observatório Europeu do Sul (ESO).
Nas profundezas do universo, duas galáxias estão envolvidas em uma intensa guerra. Repetidamente, elas atacam uma à outra a velocidades de 500 km/s em uma violenta rota de colisão, apenas para desferir um golpe de relance antes de recuar e se preparar para outro ataque.
COMO UM COMBATE MEDIEVAL
"É por isso que chamamos esse sistema de 'justa cósmica'", comparando-o a um combate medieval, diz o coautor do estudo Pasquier Noterdaeme, pesquisador do Instituto de Astrofísica de Paris, na França, e do Laboratório Chileno-Francês de Astronomia, no Chile. Mas esses cavaleiros galácticos não são exatamente cavalheirescos, e um deles tem uma vantagem muito injusta: ele usa um quasar para perfurar seu oponente com uma lança de radiação.
Os quasares são os núcleos brilhantes de algumas galáxias distantes que são alimentados por buracos negros supermassivos, liberando enormes quantidades de radiação. Tanto os quasares quanto as fusões de galáxias costumavam ser muito mais comuns, aparecendo com mais frequência nos primeiros bilhões de anos do universo, portanto, para observá-los, a comunidade astronômica olha para o passado distante com potentes telescópios. A luz dessa "luta cósmica" levou mais de 11 bilhões de anos para chegar até nós, por isso a vemos como era quando o Universo tinha apenas 18% de sua idade atual.
"Aqui vemos pela primeira vez o efeito direto da radiação de um quasar sobre a estrutura interna do gás em uma galáxia normal", explica o co-líder do estudo Sergei Balashev, pesquisador do Instituto Ioffe em São Petersburgo. As novas observações indicam que a radiação liberada pelo quasar rompe as nuvens de gás e poeira da galáxia, deixando apenas as menores regiões densas. É provável que essas regiões sejam pequenas demais para formar estrelas, o que transforma drasticamente essa galáxia ferida, deixando-a com pouquíssimas regiões formadoras de estrelas.
Mas essa vítima galáctica não é tudo o que está sendo transformado. Balashev explica: "Acredita-se que essas fusões contribuam com enormes quantidades de gás para os buracos negros supermassivos que residem no centro das galáxias. Nessa luta cósmica, novas reservas de combustível são colocadas ao alcance do buraco negro que alimenta o quasar. À medida que o buraco negro se alimenta, o quasar pode continuar seu ataque destrutivo.
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