Rafael Bastante - Europa Press
SAN LORENZO DE EL ESCORIAL (MADRID), 22 (EUROPA PRESS)
Os astronautas espanhóis Sara García Alonso, Pablo Álvarez Fernández e Pedro Duque defenderam nesta quarta-feira que a Agência Espacial Europeia (ESA) deve ter mais autonomia nas viagens ao espaço sideral para não depender tanto dos Estados Unidos e poder contribuir mais como parceira em futuras missões.
“A Europa deveria ter acesso ao espaço e autonomia, não ser sempre apenas tripulantes, mas também poder estar no comando”, afirmou nesta quarta-feira Sara García durante um dos cursos de verão da Universidade Complutense em San Lorenzo de El Escorial, onde os cosmonautas espanhóis conversaram com Miguel López Alegría, que foi o primeiro viajante espacial nascido na Espanha, embora tenha feito a viagem representando os EUA.
García Alonso, que é bióloga molecular, oncologista e também a primeira mulher espanhola selecionada pela ESA para treinar oficialmente como astronauta, afirmou que “seria uma mudança de paradigma” , enquanto Álvarez Fernández — o terceiro astronauta espanhol, embora ainda não tenha viajado ao espaço — afirmou que “é hora de apostar nisso” e insistiu que a Europa deve decidir, com uma perspectiva de 10 anos, se quer “pilotar ou ser passageira”.
Além disso, ele concordou com a visão do primeiro e único astronauta a representar a Espanha, que também foi ministro da Ciência, Pedro Duque, de que a independência e a autonomia no espaço não significam ir sozinhos, mas sim que “é para sermos melhores colaboradores” e podermos contribuir mais nas próximas missões espaciais, reconhecendo que a colaboração internacional é “a base” da ESA.
Duque, de fato, reconheceu que, se a Europa quiser ser um parceiro de maior peso, é importante dispor de vários sistemas que possam ser utilizados para uma mesma situação e lembrou o projeto fracassado do ônibus espacial europeu conhecido como “Hermes”, que foi definitivamente cancelado em 1992 e cuja cápsula seria de grande utilidade.
“Se o que você quer é ser um parceiro que realmente contribua, é preciso oferecer capacidades mais ou menos semelhantes às dos outros parceiros e, depois, chegar aos acordos correspondentes”, afirmou o ex-ministro.
NOVA ESTAÇÃO ESPACIAL E EMPRESA PRIVADA
Por sua vez, Miguel López-Alegría, que atualmente trabalha no setor privado, especificamente na empresa aeroespacial Axiom Space após duas décadas na NASA, lembrou que sua empresa está desenvolvendo uma nova estação comercial e privada que poderá ser utilizada pela NASA e pela ESA quando a atual Estação Espacial Internacional (ISS) for desativada, previsivelmente em 2030.
Nesse sentido, o ex-astronauta da NASA destacou que a Axiom realizou a primeira missão operada por empresas privadas a visitar a ISS, na qual ele atuou como comandante. Isso ocorreu em 2022, em uma nave da empresa do magnata norte-americano Elon Musk, a “SpaceX”.
Além disso, ele destacou que, na missão lunar Artemis III, prevista para 2027, os cosmonautas utilizarão um traje fabricado por sua empresa: o “AxEMU” (Axiom Extravehicular Mobility Unit), no qual a Axiom Space colaborou com a marca de moda de luxo Prada.
COMUNICAÇÃO ESPACIAL NA ESPANHA
Durante a palestra, também se discutiu sobre a comunicação científica e espacial na Espanha e sobre como convencer a sociedade espanhola da importância do espaço na vida cotidiana.
A esse respeito, García Alonso mostrou-se crítica tanto em relação aos cientistas quanto ao setor aeroespacial e defendeu que “os profissionais precisam se comunicar de forma que se seja compreendido” e “não deixar isso nas mãos dos ‘youtubers’”, aludindo também à necessidade de divulgar biografias e histórias pessoais, com suas “particularidades”, de pessoas e ícones que se dedicam a essa área.
Álvarez Fernández, por sua vez, indicou que o setor falha ao não comunicar que o espaço hoje em dia é “mais uma estrutura básica” para o dia a dia e não “um luxo”, mas sim “uma necessidade”.
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