Publicado 28/05/2026 07:59

Astrofísicos da UCM descobrem por que os jatos dos buracos negros supermassivos “enganam”

Astrofísicos da UCM descobrem por que os jatos dos buracos negros supermassivos “enganam”
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MADRID 28 maio (EUROPA PRESS) -

Astrofísicos da Universidade Complutense de Madrid (UCM) descobriram por que os jatos dos buracos negros supermassivos observados da Terra podem ocultar seu núcleo mais energético, devido a um efeito visual causado pela nossa perspectiva.

Segundo a UCM, os buracos negros supermassivos, ocultos nos centros de quase todas as grandes galáxias, atuam como motores cósmicos que influenciam a formação e a evolução dessas galáxias.

Quando se alimentam de gás e poeira, transformam-se em Núcleos Galácticos Ativos (AGN), alguns dos objetos mais brilhantes do universo. No entanto, ao observar o céu, os astrônomos veem um “zoológico” de diferentes bestas cósmicas: quasares, radiogaláxias e blazares.

O paradigma tradicional, conhecido como Esquema de Unificação de AGN, sugere que todos esses objetos são, na verdade, o mesmo tipo de motor central observado de ângulos diferentes. Se o potente jato de matéria e luz (plasma) estiver muito inclinado em relação à linha de visão, ele será observado como uma radiogaláxia; se estiver quase alinhado com a Terra, a radiação é amplificada por efeitos ao viajar a velocidades extremas e aparece como um brilhante blazar.

No entanto, há décadas persiste um desafio: entender por que, mesmo dentro dessa classificação, alguns blazares e quasares apresentam sinais de energia e padrões de luz tão distintos entre si. Agora, uma equipe do IPARCOS da UCM descobriu que parte dessas diferenças se deve a um efeito de perspectiva que batizaram de “mascaramento geométrico”.

Em uma série de artigos publicados recentemente na revista 'Astronomy & Astrophysics', a equipe propõe que o jato de um blazar não é uniforme, mas é composto por duas regiões diferenciadas: um envelope de radiação mais suave e amplo (a “máscara”) e um núcleo interno muito mais energético (a “espinha”).

Quando o jato aponta diretamente para a Terra, a “máscara” se amplifica tanto a velocidades próximas à da luz que oculta o verdadeiro núcleo de alta energia. É como olhar diretamente para uma luz muito intensa: o ofuscamento impede que se veja a estrutura que está por trás.

Somente quando ele deixa de apontar diretamente, podemos distinguir melhor a fonte interna. “Após analisar até 18 anos de dados de raios gama do Telescópio Espacial de Grande Área Fermi (Fermi-LAT), demonstramos esse efeito usando dois blazares muito conhecidos: PG 1553+113 e PKS 2155-304”, explicou a estudante de Física Elena Madero.

Ambos os blazares apresentam variações de luminosidade que se encaixam com um movimento lento de oscilação em seu jato (como se fossem um pião), revelando que a emissão de energia extrema só é visível quando o brilho geral da galáxia atinge seu ponto mais baixo e a amplificação da “máscara” diminui.

“O que tradicionalmente é interpretado como um estado de repouso, ou baixo brilho total, não implica necessariamente uma menor atividade física. Pode ser simplesmente o momento em que a orientação do jato deixa de nos ofuscar, permitindo que seu componente mais energético se torne visível”, observou a doutoranda Adithiya Dinesh. A descoberta tem consequências profundas para a cosmologia.

“Se confirmarmos esse efeito em mais fontes, teremos que reescrever parte do que acreditávamos saber sobre como os buracos negros regulam a formação de galáxias”, concluiu o pesquisador responsável pelo estudo, Alberto Domínguez.

Dessa forma, a aceleração extrema de partículas ocorreria com mais frequência do que se imagina, ficando às vezes oculta por um simples efeito de perspectiva. O trabalho também destaca o envolvimento direto de jovens pesquisadoras, como Elena Madero e Adithiya Dinesh, que desempenharam um papel fundamental na análise desses resultados no Instituto IPARCOS.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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