Publicado 24/09/2025 06:55

Asteroides escondidos na órbita de Vênus podem atingir a Terra

Asteroides
WIKIMEDIA

MADRID 24 set. (EUROPA PRESS) -

Os asteroides que compartilham a órbita de Vênus podem escapar completamente das campanhas de observação atuais devido à sua posição no céu.

De acordo com um estudo internacional liderado por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (UNESP), esses objetos ainda não foram observados, mas podem impactar a Terra dentro de alguns milhares de anos. Seus impactos poderiam devastar grandes cidades.

"Nosso estudo mostra que existe uma população de asteroides potencialmente perigosos que não conseguimos detectar com os telescópios atuais. Esses objetos orbitam o Sol, mas não fazem parte do cinturão de asteroides, localizado entre Marte e Júpiter. Em vez disso, eles estão muito mais próximos, em ressonância com Vênus. No entanto, são tão difíceis de observar que permanecem invisíveis, embora possam representar um risco real de colisão com o nosso planeta em um futuro distante", disse o astrônomo Valerio Carruba, professor da Faculdade de Engenharia da UNESP no campus de Guaratinguetá (FEG-UNESP) e primeiro autor do estudo, em comunicado da FAPESP.

O estudo foi publicado na revista Astronomy & Astrophysics. O trabalho combinou modelos analíticos e simulações numéricas de longo prazo para rastrear a dinâmica desses objetos e avaliar seu potencial de se aproximar perigosamente da Terra.

Os chamados "asteroides coorbitais venusianos" orbitam o Sol em vez do planeta, mas compartilham a mesma região orbital e períodos semelhantes.

"Esses objetos entram em ressonância 1:1 com Vênus, o que significa que eles completam uma volta ao redor do Sol ao mesmo tempo que o planeta", explica o pesquisador.

ALTAMENTE EXCÊNTRICOS E INSTÁVEIS

Ao contrário dos Trojans de Júpiter, que tendem a ser mais estáveis, os orbitais coorbitais venusianos conhecidos até o momento são altamente excêntricos e instáveis. Elas alternam entre diferentes configurações orbitais em ciclos que duram, em média, cerca de 12.000 anos. Essas transições significam que o mesmo objeto pode estar em uma configuração segura perto de Vênus em um momento e passar perto da Terra em outro.

Durante essas fases de transição, os asteroides podem alcançar distâncias extremamente pequenas da órbita da Terra, até mesmo cruzá-la, alerta Carruba.

O catálogo atual lista apenas 20 asteroides coorbitais venusianos; todos, exceto um, têm uma excentricidade maior que 0,38, o que significa que suas órbitas orbitam a órbita da Terra. Isso significa que suas órbitas os levam para regiões do céu mais distantes do Sol, onde são mais fáceis de serem detectados pelos observatórios terrestres. Entretanto, modelos de computador mostram que deve haver uma população muito maior de asteroides com excentricidades menores que permaneceriam praticamente invisíveis da Terra.

Em simulações com objetos fictícios, o grupo identificou regiões de risco onde os asteroides poderiam se aproximar perigosamente da Terra. Alguns desses objetos simulados atingem distâncias mínimas tão pequenas que, estatisticamente, corresponderiam a impactos quase certos em escala milenar.

"Essa população poderia esconder asteroides de cerca de 300 metros de diâmetro, que poderiam formar crateras de 3 a 4,5 quilômetros de largura e liberar energia equivalente a centenas de megatons", diz Carruba. "Um impacto em uma área densamente povoada causaria devastação em larga escala. O estudo analisou a possibilidade de detectar esses objetos da Terra usando o recém-inaugurado Observatório Vera Rubin (LSST) no Chile. Entretanto, as simulações indicam que mesmo os asteroides mais brilhantes só seriam visíveis por uma ou duas semanas se estivessem acima de 20 graus no horizonte. Além disso, essas janelas de visibilidade são separadas por longos períodos de inobservabilidade.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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