MADRID 5 mar. (EUROPA PRESS) - Novas observações do telescópio espacial James Webb confirmaram que o asteróide 2024 YR4 não colidirá com a Lua em 2032, pois passará a uma distância segura de mais de 20.000 quilômetros, segundo informou a Agência Espacial Europeia (ESA).
No ano passado, um objeto próximo da Terra com aproximadamente 60 metros chamou a atenção mundial. Durante um breve período, o asteróide 2024 YR4 tornou-se o asteróide mais perigoso descoberto nos últimos 20 anos. Embora um impacto com a Terra tenha sido rapidamente descartado, o asteróide desapareceu de vista com uma probabilidade persistente de 4% de colidir com a Lua em 22 de dezembro de 2032.
Agora, esse risco foi eliminado. Os astrônomos confirmaram que o 2024 YR4 não colidirá com a Lua por meio de novas observações realizadas com a Câmara de Infravermelho Próximo (NIRCam) do Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA. Em vez disso, ele passará com segurança pela Lua a uma distância de mais de 20.000 quilômetros. À medida que o asteróide 2024 YR4 se afastava da Terra e desaparecia de vista na primavera passada, presumiu-se amplamente que ele não seria visível novamente até 2028.
Uma equipe internacional de astrônomos identificou duas oportunidades estreitas em fevereiro de 2026 em que acreditavam que Webb poderia ser capaz de detectar a fraca mancha contra um cenário escasso de estrelas cujas posições são muito bem conhecidas graças ao trabalho da missão Gaia da ESA.
O desafio era grande: usar uma das máquinas mais complexas que a humanidade já construiu para rastrear um objeto quase invisível a muitos milhões de quilômetros de distância e, em seguida, prever com precisão sua posição quase sete anos no futuro. O Webb foi projetado para estudar galáxias e outras vastas estruturas cósmicas a bilhões de anos-luz de distância. O campo de visão do telescópio é muito pequeno, e detectar um dos asteróides mais tênues já detectados dentro dele exigiu uma precisão extraordinária.
O planejamento e a análise cuidadosa das observações foram coordenados por meio de uma estreita colaboração entre o Centro de Coordenação de Objetos Próximos da Terra da ESA, o Centro de Estudos de Objetos Próximos da Terra da NASA e a missão Webb. Apesar dos desafios, as observações foram um sucesso. Ao comparar a posição do 2024 YR4 com as estrelas ao fundo, a equipe conseguiu medir sua órbita com precisão suficiente para descartar um impacto lunar em 2032.
Décadas de engenharia, cooperação internacional e inovação nos campos da ciência, engenharia e defesa planetária culminaram no uso do telescópio espacial robótico mais poderoso da humanidade, construído por muitas nações, para detectar uma partícula de poeira distante no vácuo e responder a uma pergunta de importância universal para todos os habitantes do nosso planeta.
“A Lua está a salvo, 2024 YR4 não representa nenhum perigo, mas o trabalho continua. A equipe de Defesa Planetária do Programa de Segurança Espacial da ESA continua detectando e rastreando objetos próximos à Terra para garantir que, se algum dia surgir um perigo real, não nos pegue desprevenidos”, afirmaram desde a Agência Espacial Europeia.
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