Publicado 08/05/2026 06:25

A Associação de Pediatria pede que se acompanhe e supervisione o acesso das crianças às informações sobre catástrofes

Archivo - Arquivo - Criança, tela
HIRURG/ ISTOCK - Arquivo

MADRID 8 maio (EUROPA PRESS) -

Os Comitês de Bioética e Saúde Mental da Associação Espanhola de Pediatria (AEP) solicitaram que se acompanhe e supervisione o acesso das crianças e adolescentes à informação em situações de catástrofes e violência, a fim de proteger seu bem-estar emocional e ajudá-los a compreender a realidade sem gerar “medo ou confusão”.

Nesse sentido, esses comitês da AEP publicaram um documento que reúne os principais pontos da cobertura da mídia nesses contextos, tendo em vista a “especial vulnerabilidade” de crianças e adolescentes.

Nele, os especialistas recomendaram limitar a superexposição a notícias nessas situações, especialmente quando são repetitivas ou mostram imagens impactantes, bem como acompanhar a informação com um adulto que ajude a interpretá-la corretamente.

Além disso, eles insistiram na importância de adaptar as explicações à idade, maturidade e experiência emocional da criança, com mensagens “simples e tranquilizadoras” para as crianças mais novas e um contexto mais amplo para os adolescentes, bem como supervisionar o uso das redes sociais, onde circulam “conteúdos não filtrados e muitas vezes perturbadores”.

Essa vulnerabilidade, segundo a AEP, torna necessário estar atento a possíveis sinais de mal-estar emocional, como medo, irritabilidade, distúrbios do sono ou preocupações persistentes.

O coordenador do Comitê de Bioética da AEP, José Antonio Salinas, declarou que a desinformação tem um “impacto especialmente prejudicial” nos menores, que podem interpretá-la de forma “mais literal e gerar maior ansiedade ou confusão”.

CONSEQUÊNCIAS EMOCIONAIS E SOCIAIS

A AEP lembrou, por sua vez, que a divulgação de imagens, vídeos ou dados identificativos de menores em situações de luto, choque ou extrema vulnerabilidade pode ter consequências emocionais, sociais e de reputação duradouras, não apenas para as próprias crianças, mas também para suas famílias e seu entorno próximo, pelo que requer um “tratamento informativo respeitoso”.

Nesse sentido, Salinas lembrou que o jornalismo responsável deve contribuir para a compreensão dos fatos, e não para o impacto emocional desnecessário.

Este documento insta a evitar depoimentos diretos de menores, mesmo quando eles próprios expressam o desejo de falar. Solicita também a proteção do contexto, já que até mesmo imagens de familiares, colegas ou centros educacionais podem permitir a identificação do menor.

“Eles não têm plena capacidade de antecipar as consequências de uma exposição pública”, argumentou o pediatra.

Os Comitês de Bioética e Saúde Mental também alertaram sobre os efeitos do sensacionalismo jornalístico. “A repetição desnecessária de imagens traumáticas e a divulgação de detalhes mórbidos revitimizam aqueles que já estão sofrendo”, concluiu o médico.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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