MADRID, 30 jul. (EUROPA PRESS) -
Uma análise usando técnicas modernas de uma substância pegajosa descoberta em um vaso de cobre encontrado décadas atrás em um antigo santuário grego revelou que provavelmente se trata de mel antigo.
O mel era uma substância importante no mundo antigo; às vezes era deixado em santuários como oferendas aos deuses ou enterrado com os mortos. Em 1954, um desses santuários subterrâneos gregos, datado de cerca de 520 a.C., foi descoberto em Paestum, na Itália, a cerca de uma hora e meia de carro de Pompeia. Em seu interior, havia vários recipientes de bronze contendo um resíduo pegajoso.
Na época, os arqueólogos presumiram que se tratava de mel, originalmente oferecido em favos de mel. Posteriormente, três equipes diferentes analisaram o resíduo ao longo de 30 anos, mas não conseguiram confirmar a presença de mel, concluindo, em vez disso, que os potes continham algum tipo de gordura animal ou vegetal contaminada com pólen e partes de insetos.
Mas quando o resíduo chegou ao Ashmolean Museum para uma exposição, uma equipe de pesquisadores liderada por Luciana da Costa Carvalho e James McCullagh teve a oportunidade de reexaminar a substância misteriosa e reunir novas evidências científicas. Os resultados foram publicados no Journal of the American Chemical Society.
Os pesquisadores analisaram amostras do resíduo usando várias técnicas analíticas modernas para determinar sua composição molecular. Eles descobriram que:
- O resíduo antigo tinha uma impressão digital química quase idêntica à da cera de abelha e do mel modernos, com um nível mais alto de acidez, consistente com mudanças após armazenamento prolongado.
- A composição química do resíduo era mais complexa do que a da cera de abelha degradada pelo calor, sugerindo a presença de mel ou outras substâncias.
- Nos locais onde o resíduo entrou em contato com o frasco de bronze, foi encontrado açúcar degradado misturado com cobre. Os açúcares hexose, um grupo comum de açúcares presentes no mel, foram detectados em concentrações mais altas no resíduo antigo do que na cera de abelha moderna.
As proteínas da geleia real (conhecidas por serem secretadas pela abelha ocidental) também foram identificadas no resíduo.
Esses resultados sugerem que a substância antiga é o que resta do mel antigo. No entanto, os pesquisadores não descartam a possibilidade de que outros produtos de abelhas também estejam presentes.
"Os resíduos antigos não são apenas vestígios do que as pessoas comiam ou ofereciam aos deuses; eles são ecossistemas químicos complexos", explica da Costa Carvalho em um comunicado. "Estudá-los revela como essas substâncias mudaram ao longo do tempo, o que abre a porta para estudos futuros sobre a atividade microbiana antiga e suas possíveis aplicações.
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