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MADRID 21 set. (EUROPA PRESS) -
A Assembleia Geral das Nações Unidas reúne todos os anos os principais líderes do mundo para um debate de alto nível que, em 2025, é marcado pelo 80º aniversário da criação da organização e por uma ampla gama de crises e conflitos internacionais.
Esta sessão da Assembleia Geral começa com o slogan 'Together and Together We Are Better: 80 Years and Beyond for Peace, Development and Human Rights', com o objetivo de enfatizar que a organização "continuará a ser solidária com os povos do mundo nestes tempos difíceis, para tentar forjar coletivamente um futuro mais pacífico, saudável, igualitário e próspero", como explica o secretário-geral, António Guterres.
No entanto, o slogan não é mais do que uma declaração de intenções lançada pela própria ONU. O debate, que começa na terça-feira e termina na segunda-feira, 29 de setembro, é uma oportunidade para os chefes de Estado e de governo ouvirem suas respectivas posições sobre quaisquer questões que desejem discutir.
A sessão começa com uma primeira chamada formal da Presidente da Assembleia Geral, a ex-Ministra das Relações Exteriores da Alemanha, Annalena Baerbock, e será seguida por um discurso do Sr. Guterres. Quanto aos países, a ordem dos oradores será determinada pelo nível da delegação, sendo que os primeiros a falar serão os chefes de Estado, seguidos pelos chefes de governo e pelos ministros.
Há também uma exceção a essa regra: o Brasil tem falado primeiro desde 1955, independentemente do nível de sua delegação, e os Estados Unidos vêm em seguida, como anfitrião da sede principal da ONU. Todos os 193 estados-membros da ONU podem participar, embora o Vaticano, a União Europeia e a Palestina sejam convidados todos os anos.
De fato, uma das controvérsias que antecederam a reunião foi marcada pela decisão do governo de Donald Trump de cancelar os vistos para os membros da delegação palestina, incluindo seu principal representante, Mahmoud Abbas.
Quanto à duração de cada discurso, as regras estipulam um máximo de 15 minutos por turno, ainda que de caráter voluntário. O recorde de tempo de discurso ainda é do falecido líder cubano Fidel Castro, que em 1960 falou da tribuna por 269 minutos.
REUNIÕES E FÓRUNS
Além disso, a presença dos líderes muitas vezes não se limita estritamente à participação na Assembleia Geral. O debate deixa espaço para reuniões bilaterais ou fóruns políticos, como a conferência sobre a solução de dois estados entre israelenses e palestinos, organizada pela França e pela Arábia Saudita.
Ele também fornece pistas sobre o cenário global atual e facilita o alcance internacional de governos ou líderes. Será o primeiro discurso de Trump desde que ele retornou à Casa Branca em janeiro passado, enquanto a Síria enviará pela primeira vez desde 1967 seu presidente de transição, Ahmed al Shara, que está tentando se distanciar do regime de Bashar al Assad.
Será mais uma vez um evento dominado pelos homens, já que somente em 29 países o chefe de estado ou de governo é ocupado por uma mulher, de acordo com um relatório da ONU Mulheres atualizado em setembro deste ano, que estima que, no ritmo atual, a igualdade de gênero na linha de frente política ainda levará 130 anos para ser alcançada.
UMA ORGANIZAÇÃO CHAMADA A SE REINVENTAR
Há anos, Guterres vem fazendo campanha pela reinvenção de uma organização que, 80 anos após sua fundação, precisa responder a desafios e equilíbrios geopolíticos que pouco ou nada têm a ver com a era pós-Segunda Guerra Mundial e com um corte progressivo no financiamento.
A ONU propôs mais de 500 milhões de dólares em cortes orçamentários até 2026, dentro de uma nova estrutura de eficiência que propõe uma redução anual de 15,1% no dinheiro alocado para recursos e 18,8% nos custos de mão de obra.
Guterres pretende tornar a organização mais eficiente em termos econômicos e políticos, embora nessa última área o desafio seja ainda mais complexo. O poder de veto ainda detido pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança - EUA, Rússia, China, Reino Unido e França - impediu uma ação forte em questões importantes, como a ofensiva de Israel em Gaza ou a invasão da Ucrânia pela Rússia, mas as próprias partes interessadas parecem não estar dispostas a ceder o poder.
Apesar de tudo isso, incluindo as investidas de Trump e de outros líderes ultraconservadores contra os órgãos multilaterais, a ONU continua a ter uma boa reputação aos olhos dos cidadãos do mundo. Seis em cada dez adultos têm uma opinião favorável, de acordo com uma pesquisa do Pew Research Center em 25 países com base em quase 32.000 entrevistas.
Na Espanha, 53% dos entrevistados apoiam a ONU, um número que sobe para 65% na faixa etária de 18 a 34 anos.
Nos Estados Unidos, o número está em torno de 57%, enquanto Israel está no final da lista, com apenas 16% dos entrevistados tendo uma visão favorável da organização internacional.
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