Publicado 15/04/2026 10:23

A ASEICA e a SEOM defendem a implementação gradual da biópsia líquida por ser mais econômica, “menos invasiva” e mais precisa

A ASEICA e a SEOM defendem a implementação gradual da biópsia líquida por ser “menos invasiva” e por permitir uma redução de custos
EUROPA PRESS

MADRID 15 abr. (EUROPA PRESS) -

A Associação Espanhola de Pesquisa sobre o Câncer (ASEICA) e a Sociedade Espanhola de Oncologia Médica (SEOM) fizeram um apelo à implementação progressiva da biópsia líquida na Espanha, uma vez que é mais precisa e “menos invasiva” para o paciente, conforme indicou o secretário científico desta última organização, o Dr. Rodrigo Sánchez-Bayona, e representa uma economia de custos, conforme afirmou a membro da primeira organização, a doutora Noelia Tarazona.

Por meio dessa técnica, é possível obter informações diagnósticas do câncer “bastante completas” em “2 a 3 semanas”, enquanto que, com a técnica tradicional, “o prazo” chega a “quatro semanas”, explicou Sánchez-Bayona, que também aprofundou que essa ferramenta consiste “em um exame de sangue” que é processado “com técnicas específicas”. “Podemos extrair esse material genético e ele nos fornece informações sobre as mutações do tumor”, divulgou, acrescentando que as células tumorais “liberam material genético no sangue”.

Foi assim que se expôs, por ocasião da apresentação — no âmbito da comemoração, nesta terça-feira, 21 de abril, do Dia Mundial da Inovação em Câncer — de recomendações para a incorporação da biópsia líquida na prática clínica, o que, segundo este especialista, “pode até soar a ficção científica e esse é o triunfo da inovação”.

Entre as vantagens da biópsia líquida estão a possibilidade de detectar mecanismos de resistência aos tratamentos e antecipar recidivas antes que elas sejam visíveis por meio de técnicas de imagem convencionais.

Sánchez-Bayona citou outras vantagens em relação à biópsia tradicional, pois, nesta última, é necessário saber “o local exato onde está o tumor”. “Até que ponto você sabe como está toda a doença?”, questionou-se, respondendo que, com a biópsia líquida, é “possível captar melhor essa heterogeneidade”.

“Na convencional, você precisa de recursos como o radiologista e o patologista”, e “formação em Oncologia Molecular”, continuou, acrescentando que se trata de um “grande avanço”. No entanto, “ainda há um longo caminho a percorrer até chegarmos a 100% de implementação e validação em todos os tipos de câncer”, explicou, diante do que Tarazona destacou tumores específicos nos quais há evidência de sua necessária utilização.

EVIDÊNCIA NO CÂNCER DE CÓLON, DOENÇA AVANÇADA E PATOLOGIA METÁSTATICA

Especificamente, esta última especialista afirmou que “no câncer de cólon em estágio II localizado” seus benefícios já foram comprovados, ao que acrescentou a “doença avançada”, na qual é especialmente útil para identificar alterações moleculares em tempo real, e a “doença metastática”, onde facilita a detecção de alterações moleculares passíveis de intervenção e a seleção de tratamentos direcionados ou o acesso a ensaios clínicos.

A biópsia líquida “é capaz de detectar DNA tumoral circulante”, o que oferece uma visão global e dinâmica da doença e fornece informações prognósticas relevantes para a tomada de melhores decisões clínicas, prosseguiu ela, após o que afirmou que os ensaios clínicos comprovaram a utilidade dessa ferramenta “sem complicações”.

No entanto, Tarazona destacou que também existem “inconvenientes”, como o fato de que “a aplicação técnica ainda está em fase de pesquisa para muitas aplicações”. Além disso, é “muito sensível” e pode resultar em “nenhum benefício real para o paciente”, destacou.

Para sua implementação generalizada, que ainda não ocorreu em nenhum país até o momento, ele afirmou que são necessários “estudos de custo-efetividade”, já que a mesma “depende das Secretarias de Saúde das comunidades autônomas”. “O custo é de cerca de 3.000 euros para a primeira amostra e 2.000 euros para as amostras subsequentes”, informou, após o que insistiu que seria uma medida eficiente, e pediu que não se esquecessem “os custos indiretos” do câncer.

De qualquer forma, a biópsia líquida “vem ganhando cada vez mais destaque” no “diagnóstico de última geração do câncer”, assegurou o presidente da SEOM, o Dr. Javier de Castro, que explicou que o objetivo é “ter a oportunidade de oferecer as melhores opções de tratamento, as mais inovadoras”, para o que é necessária “a melhor opção diagnóstica”. Por isso, comemorou que esta “está chegando à prática clínica”.

NÃO HÁ DADOS SOBRE SUA IMPLEMENTAÇÃO NA ESPANHA

No entanto, indicou que “não há números” em relação à implementação na Espanha, embora “a maioria dos hospitais tenha acesso a um estudo genético”. “A pesquisa está crescendo de forma tão exponencial que a incorporação à prática clínica sempre será mais lenta”, afirmou, enquanto o presidente da ASEICA, o Dr. Rafael López, declarou que não é necessário incorporá-la “em todos os hospitais”, mas “sim em todos os pacientes”.

O objetivo é “que a Espanha seja pioneira na incorporação da biópsia líquida”, algo que “vai melhorar o conhecimento” e “os resultados clínicos nos pacientes”, afirmou o principal representante desta associação, que também sustentou que “há uma necessidade clínica imperiosa de conhecer melhor o tumor para poder combatê-lo e controlá-lo de alguma forma com cirurgia ou medicamentos”.

López, que considera “impressionante” esse avanço, destacou que “é preciso acelerar” seu uso, mas sempre “priorizando as utilidades clínicas”. No entanto, indicou que se trata de uma tecnologia “complexa” que requer “um aprendizado muito significativo”, razão pela qual defende sua concentração “em alguns locais”, já que “é mais fácil enviar um tubo de sangue do que montar um laboratório que ficará obsoleto em pouco tempo”.

Diante de todo esse panorama, a SEOM e a ASEICA recomendaram a padronização dos procedimentos de análise e validação, a inclusão em diretrizes clínicas nacionais e internacionais, a criação de comitês moleculares multidisciplinares, o incentivo a ensaios clínicos que consolidem seu impacto clínico e a garantia de acesso equitativo para todos os pacientes.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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