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MADRID 30 set. (EUROPA PRESS) -
Os programas de vacinação em países de baixa renda apoiados pela Gavi, a Vaccine Alliance, salvaram pelo menos 1,7 milhão de vidas em 2024, 400.000 a mais do que em 2023 e o maior número já registrado em um único ano, de acordo com o Relatório Anual de Progresso da Gavi, divulgado na terça-feira.
De acordo com o relatório, o impacto da imunização foi além da saúde pública, com os países membros da Gavi colhendo benefícios econômicos de quase US$ 20 bilhões em 2024, graças a populações mais saudáveis, custos de saúde reduzidos e comunidades mais produtivas.
Desde sua criação em 2000, a imunização gerou US$ 280 bilhões em benefícios econômicos. A Gavi afirma que essa "base sólida", por sua vez, permitiu que os países assumissem maior responsabilidade por seus programas de imunização, com um recorde de US$ 255 milhões sendo alocados para o custo de suas próprias vacinas até 2024.
"As vacinas são uma das intervenções de desenvolvimento mais econômicas, não apenas para proteger a saúde humana, mas também para ajudar as economias a crescer e as comunidades a prosperar. O progresso recorde alcançado em 2024 demonstra o compromisso contínuo dos países implementadores e de nossos doadores em proteger vidas e manter nosso mundo a salvo de doenças mortais, mas evitáveis", disse o Presidente do Conselho da Gavi, José Manuel Barroso.
VACINAÇÃO CONTRA A MALÁRIA E IMUNIZAÇÃO EM ZONAS DE CONFLITO
Além disso, as primeiras vacinas contra a malária do mundo foram introduzidas no ano passado e agora estão protegendo milhões de crianças em 23 países africanos que respondem por mais de 70% da carga global de malária. Além da malária, em 2024 houve um aumento na cobertura de todas as vacinas apoiadas pela Gavi, mesmo em alguns dos cenários mais desafiadores: ambientes frágeis e afetados por conflitos, onde os sistemas de saúde estão sob pressão e o acesso é limitado.
Assim, oito dos doze países que a Gavi classifica como frágeis e afetados por conflitos registraram ganhos na cobertura de imunização básica, incluindo melhorias significativas em países como Mali, Síria e Haiti. Para a Gavi, essa tendência de aumento reflete um compromisso nacional crescente com a imunização. No entanto, a Aliança observa que países afetados por conflitos, como o Sudão e o Iêmen, tiveram quedas significativas, ressaltando os desafios de proteger as crianças e as comunidades nesses ambientes.
"Todas as pessoas, independentemente da dificuldade de acesso, devem ter acesso ao poder das vacinas que salvam vidas. Essa visão é ao mesmo tempo muito simples e extremamente complexa de se concretizar. O progresso histórico que fizemos em direção a esse objetivo se deve ao incrível compromisso de governos, profissionais de saúde e comunidades em todo o mundo", disse a CEO da Gavi, Sania Nishtar.
"Ao olharmos para o final da década, a Gavi continuará a ser uma forte parceira nesse esforço, engajando nossos doadores para garantir que estejamos totalmente financiados e implementando nossa ambiciosa agenda de reformas 'Gavi Leap', para que juntos possamos proteger mais crianças, contra mais doenças, do que nunca", acrescentou Nishtar.
MAIS DE 1,2 BILHÃO DE CRIANÇAS FORAM IMUNIZADAS
A Aliança lembra que, desde 2000, o impacto da imunização ajudou a transformar o futuro da saúde e da segurança sanitária. Ela afirma que mais de 1,2 bilhão de crianças já foram imunizadas contra uma série de doenças mortais por meio da imunização de rotina, superando as metas da Aliança antes do previsto.
Além das imunizações de rotina, a Aliança observa que mais de 2,1 bilhões de vacinas foram administradas por meio de campanhas preventivas, protegendo as comunidades de doenças mortais, enquanto centenas de iniciativas de resposta a surtos contiveram rapidamente as ameaças emergentes antes que elas pudessem se agravar, reduzindo os casos e as possíveis mortes em quase 60%. Juntos, a Gavi afirma que esses esforços evitaram pelo menos 20,6 milhões de mortes entre 2000 e 2024.
"Mesmo diante de sistemas de saúde sobrecarregados, conflitos, insegurança, pobreza e desigualdade, a Gavi continua a demonstrar que o progresso na imunização é possível quando há uma forte colaboração com países e parceiros, incluindo a OMS", disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.
"Esse compromisso com a imunização para todos protege gerações de crianças contra doenças que ameaçam a vida e ajuda as comunidades a prosperar. No futuro, o investimento sustentado, a colaboração e a confiança serão essenciais para garantir que a imunização continue sendo um pilar fundamental da ação e da equidade na saúde global", acrescentou.
Em seu próximo período estratégico, a Gavi está concentrada em ampliar sua abordagem focada no país por meio do programa de reforma "Gavi Leap", para tornar os programas de imunização ainda mais sensíveis às necessidades específicas de cada país, região e comunidade, e para gerar maiores sinergias com os parceiros, impulsionando a eficiência e melhorando a prestação de serviços em estágios finais.
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