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MADRID 25 mar. (EUROPA PRESS) -
A especialista em Neurologia e coordenadora da Unidade de Cefaleias do Hospital Quirónsalud San José, Lucía Vidorreta, explicou que, embora os tratamentos farmacológicos continuem sendo a base para o tratamento da cefaleia e da enxaqueca, nos últimos anos ganharam relevância técnicas de infiltração minimamente invasivas que atuam diretamente sobre os mecanismos da dor.
Essas técnicas, esclarece ela, não só oferecem alívio sintomático, mas, em muitos casos, contribuem para reduzir a frequência e a intensidade das crises, especialmente em pacientes refratários ao tratamento convencional. Segundo a especialista, seu uso adequado requer um conhecimento preciso da anatomia, da fisiopatologia da dor e das evidências científicas disponíveis.
Nesse ponto, ela citou como exemplo os bloqueios anestésicos dos nervos pericranianos, que consistem na infiltração de anestésicos locais, às vezes combinados com corticosteroides, sobre nervos envolvidos na transmissão da dor, como o nervo occipital maior ou o supraorbitário.
A especialista indica que esses bloqueios demonstraram utilidade na enxaqueca crônica, tanto na prevenção quanto no tratamento, na cefaleia em salvas, na cefaleia cervicogênica e nas neuralgias dos ramos terminais do nervo trigêmeo.
“Na cefaleia em salvas, por exemplo, a infiltração com anestésico e corticosteroide pode proporcionar períodos sem dor de vários dias ou semanas”, indicou a especialista, que acrescentou que sua principal vantagem reside no fato de serem técnicas “rápidas, seguras e repetíveis, embora exijam individualização de acordo com o perfil de cada paciente”.
Por outro lado, há as infiltrações na cefaleia tensional e na síndrome miofascial. Em muitos pacientes, especialmente com cefaleia tensional, a origem da dor está relacionada a pontos-gatilho miofasciais na musculatura cervical e pericraniana. “Nesses casos, a punção seca, especialmente quando realizada sob orientação de ultrassom, permite identificar com precisão o ponto-gatilho, reduzir a contratura muscular e diminuir a sensibilização periférica”, explica Vidorreta.
Essa abordagem, garante ela, é especialmente útil em pacientes com componente cervical ou com dor persistente apesar do tratamento farmacológico. O uso da ultrassonografia proporciona segurança e precisão, facilitando a personalização do tratamento.
Em seguida, a especialista destacou que a cefaleia em salvas é uma das formas mais incapacitantes de dor craniana; nesse contexto, os bloqueios com anestésico local e corticoide, especialmente sobre o nervo occipital, têm se mostrado uma ferramenta eficaz como tratamento transitório ou ponte.
“O corticosteroide proporciona um efeito anti-inflamatório prolongado, que pode reduzir a frequência das crises e/ou encurtar os períodos ativos da doença. Embora a resposta seja variável, muitos pacientes experimentam uma melhora significativa em poucos dias”, afirmou.
OUTRAS TÉCNICAS INTERVENCIONISTAS
Em casos de pacientes com cefaleias refratárias, podem ser empregadas técnicas adicionais que atuam modulando a transmissão da dor nos níveis periférico e central: entre elas, a radiofrequência nos nervos periféricos e o bloqueio do gânglio esfenopalatino (via transnasal).
“As técnicas de infiltração transformaram a abordagem das cefaleias, oferecendo alternativas eficazes, seguras e personalizadas para pacientes que não respondem adequadamente aos tratamentos convencionais. Elas permitem atuar diretamente sobre os mecanismos da dor, reduzindo tanto sua intensidade quanto sua frequência”, destaca Vidorreta.
A especialista ressalta que sua aplicação correta exige uma avaliação neurológica exaustiva e uma execução técnica precisa. Nesse contexto, o neurologista não apenas trata a dor, mas intervém ativamente em sua modulação, abrindo novos caminhos terapêuticos que melhoram significativamente a qualidade de vida dos pacientes. Nas palavras de Vidorreta, “é possível viver sem dor”.
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