MADRID 16 fev. (EUROPA PRESS) -
As sociedades médicas e os pacientes acabaram de publicar o Consenso sobre a Melhoria do Processo Assistencial na Bexiga Hiperativa a partir da Adesão (claVHes), onde solicitam opções terapêuticas mais seguras para melhorar a adesão na bexiga hiperativa, bem como um acompanhamento precoce e estruturado, para detectar problemas de eficácia ou tolerância antes que o paciente abandone o tratamento.
O consenso, divulgado nesta segunda-feira, é assinado pelo Grupo OAT e pela Associação Espanhola de Urologia (AEU), pela Sociedade Espanhola de Médicos Generalistas e de Família (SEMG), pela Associação para a Incontinência (ASIA), pela Sociedade Espanhola de Diretores de Atenção Primária (SEDAP), a Associação Nacional de Diretores de Enfermagem (ANDE) e a Sociedade Espanhola de Diretores de Saúde (SEDISA), com a colaboração dos laboratórios Pierre Fabre. O objetivo é dar solução à falta de adesão aos tratamentos, uma vez que até 85% dos pacientes abandonam o tratamento durante o primeiro ano. As principais razões para a interrupção são a falta de eficácia (expectativas de tratamento não cumpridas pelos pacientes) e os efeitos colaterais. “O consenso parte de uma abordagem claramente multidisciplinar, reconhecendo que a bexiga hiperativa é uma patologia crônica que frequentemente coexiste com outras doenças e requer a participação coordenada da Atenção Primária, Urologia, Ginecologia, Geriatria, Reabilitação e Enfermagem, entre outros profissionais”, destacou o Dr. José Luis Álvarez-Ossorio, ex-presidente da Associação Espanhola de Urologia (AEU).
Nesse sentido, a claVHes propõe um modelo de assistência estruturado e bem coordenado, no qual a Atenção Primária e a Urologia assumem papéis complementares e definidos. Como afirma Álvarez-Ossorio, esse consenso “tem o potencial de produzir um impacto muito relevante na prática clínica diária, porque transfere a evidência científica para decisões concretas de organização, prescrição e acompanhamento”.
Entre outras coisas, ajudará a homogeneizar o manejo clínico, reduzindo a variabilidade e o subdiagnóstico; coloca o foco em um aspecto crítico: a adesão ao tratamento, que atualmente é claramente subótima. Por outro lado, reforça a importância do acompanhamento precoce e estruturado, algo fundamental para detectar problemas de eficácia ou tolerância antes que o paciente abandone o tratamento, segundo este especialista.
Assim, a Atenção Primária, como porta de entrada natural para o processo, é responsável por identificar precocemente os sintomas, realizar uma anamnese direcionada, descartar causas orgânicas evidentes, iniciar medidas higiênico-dietéticas e de modificação de comportamento, e avaliar o impacto real da bexiga hiperativa sobre a qualidade de vida do paciente por meio de ferramentas simples, como o diário miccional.
A urologia, por sua vez, deve assumir a liderança clínica em casos complexos ou refratários, quando há um impacto significativo na qualidade de vida, falta de resposta ao tratamento inicial, dúvidas diagnósticas ou comorbidades relevantes, acrescenta o Dr. Álvarez-Ossorio. “Seu papel não se limita ao ajuste farmacológico, mas inclui a individualização terapêutica, a avaliação do risco de efeitos adversos (especialmente em pacientes idosos e polimedicados) e o acesso a terapias avançadas quando indicadas”, afirma.
O consenso sublinha que esta coordenação deve basear-se em critérios de encaminhamento claros, comunicação bidirecional e acompanhamento partilhado, evitando duplicações e atrasos desnecessários. Só assim se pode garantir uma abordagem contínua, eficiente e centrada no paciente, que é fundamental para melhorar a adesão e os resultados em saúde.
Ángeles Guzmán, chefe do Serviço de Atenção Primária e Continuidade Assistencial da Gerência Regional de Saúde de Castela e Leão (SACYL), destaca que impulsionar a formação com minipílulas e sessões clínicas conjuntas, juntamente com protocolos consensuais entre a Atenção Primária e Hospitalar, “são elementos-chave” para melhorar a coordenação e garantir a continuidade assistencial.
Do ponto de vista dos pacientes, esse consenso representa uma mudança muito importante, pois traz ordem e sentido ao seu percurso pelo sistema de saúde. Segundo Àngels Roca, presidente da Associação para a Incontinência (ASIA), “melhora a qualidade de vida do paciente, pois reduz a incerteza, a frustração e a sensação de solidão”.
Já Amaia Casteig, diretora do Grupo OAT, destaca a “visão integral e compartilhada” que esse consenso traz, o que permite abordar a adesão terapêutica de forma estrutural, e não como um problema isolado do paciente. Segundo ela, o consenso estabelece as bases para um acompanhamento mais proativo, uma melhor comunicação e uma tomada de decisão realmente compartilhada. Isso é fundamental para reduzir o abandono terapêutico, melhorar os resultados em saúde e qualidade de vida e, ao mesmo tempo, otimizar o uso dos recursos de saúde, contribuindo para a sustentabilidade do sistema.
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