Publicado 16/04/2026 09:34

As sociedades científicas afirmam que a burocracia "sobrecarrega" os pesquisadores, que dedicam 40% do seu tempo à papelada

Archivo - Arquivo - Imagem de uma pesquisadora em um laboratório.
JUNTA DE ANDALUCÍA - Arquivo

MADRID 16 abr. (EUROPA PRESS) -

A Confederação das Sociedades Científicas da Espanha (COSCE) apresentou o manifesto “Por um Sistema Espanhol de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI) mais eficiente e de maior impacto”, no qual são reunidas uma série de propostas para modernizar o marco regulatório da pesquisa na Espanha, reduzir a carga burocrática que o sistema suporta e melhorar a competitividade da ciência espanhola.

O manifesto, elaborado pela Comissão da COSCE para o estudo da burocracia na gestão da ciência, com o apoio das 90 sociedades científicas que compõem a confederação, chama a atenção para “a sobrecarga burocrática imposta ao pessoal investigador na Espanha” que, apesar dos avanços alcançados nos últimos anos, é “um fardo que pode ser quantificado, assim como seu impacto na competitividade do sistema nacional de P&D”.

Por isso, propõe medidas concretas para resolver aspectos que repercutem diretamente na gestão da pesquisa na Espanha, apresentando exemplos de boas práticas de outros países europeus, como Bélgica, Alemanha ou Países Baixos.

De acordo com o relatório da Cosce, com dados do Ministério da Ciência, Inovação e Universidades, “os pesquisadores principais (IP) dedicam entre 42% e 44% de sua jornada de trabalho a tarefas administrativas, em muitos casos de baixo valor agregado”. Além disso, dados da COTEC indicam que a carga burocrática na Espanha é 33% superior à média da União Europeia.

“O excesso de gestão funciona como um ‘imposto invisível’ que leva a frear a inovação e a propiciar situações de cansaço e estresse, além de minar recursos públicos que deveriam ser destinados exclusivamente à geração de conhecimento”, afirma o manifesto. “O Sistema Espanhol de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI) alcançou padrões de excelência em pesquisa perfeitamente comparáveis aos dos países mais avançados, mas o sistema continua apresentando dois grandes problemas: uma gestão ineficiente e uma falta de visão estratégica de longo prazo”, aponta Ma Ángeles Serrano, secretária-geral da COSCE e uma das autoras do relatório.

PROPOSTAS

Para paliar essas carências, a COSCE propõe a modificação da forma de aplicação à ciência da Lei de Subsídios, Contratos de Baixa Valoria e Licitações; a reforma dos procedimentos da ANECA para facilitar a homologação direta de diplomas obtidos em centros internacionais de prestígio; e a sincronização dos calendários, requisitos e critérios das convocatórias estaduais com os das comunidades autônomas.

Quanto às propostas para simplificar a burocracia, estas se concentram em “simplificar os instrumentos de controle e os órgãos de intervenção, eliminando aqueles excessivos e desnecessários, sobretudo no que se refere à contratação de pessoal, justificativas de projetos e auditorias posteriores”.

Por fim, sobre as medidas para melhorar a projeção do sistema científico espanhol, o relatório destaca a importância de implementar uma estratégia nacional integrada “que envolva, sincronize e coordene a atuação dos diferentes ministérios, evitando políticas setoriais descoordenadas”.

Além disso, defende uma reforma estrutural sustentada “que potencie um maior investimento público e privado e otimize o desenvolvimento de um sistema mais ágil e competitivo, capaz de atrair e reter talentos”. Tudo isso requer, segundo o relatório, “decisão política e um amplo consenso nacional, bem como uma visão de longo prazo por parte dos responsáveis tanto em nível nacional quanto regional”, pelo que insta a desenvolver um Pacto de Estado com estabilidade ao longo do tempo e independente das mudanças políticas.

“Da COSCE, há muitos anos que destacamos a importância de uma estratégia nacional para a ciência, baseada num Pacto de Estado, que seja independente das oscilações políticas”, indicou Perla Wahnón, presidente da COSCE. “No momento atual, em que o número de pesquisadores aumentou notavelmente em nosso país, ao mesmo tempo em que os fundos europeus estão chegando ao fim, precisamos de uma mudança de paradigma na gestão da ciência”, acrescenta.

Perla Wahnón expressou a vontade da organização de implementar “um roteiro centrado na transparência, no financiamento suficiente e estável e na integração da ciência na tomada de decisões políticas”.

O manifesto aponta ainda para a necessidade de tomar medidas para reter o talento feminino e destaca que “embora nas etapas iniciais da carreira científica (graduação e doutorado) haja uma presença significativa de mulheres, à medida que avançam para cargos de liderança, a porcentagem que representam diminui notavelmente.

O fenômeno descrito é comparável a um ‘canal com vazamento’, pelo que implica em perda contínua de potencial de pesquisa e inovação. É preciso exigir mudanças estruturais para que a ciência não continue operando com metade de seu potencial”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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