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MADRID 13 jan. (EUROPA PRESS) - As mulheres trans com VIH apresentam piores resultados clínicos e de acompanhamento do que outros grupos de pessoas com o vírus, apesar de mostrarem uma ligação adequada com os serviços de saúde após o diagnóstico, de acordo com um estudo realizado a partir da coorte espanhola CoRIS, apresentado no último Congresso Nacional da GeSIDA.
O estudo, que destaca a necessidade de estratégias específicas para melhorar a assistência e os resultados de saúde neste grupo, foi liderado pela Dra. Cristina Díez Romero, do Hospital Geral Universitário Gregorio Marañón.
O trabalho analisou os dados de 17.413 pessoas com HIV incluídas na coorte CoRIS entre 2004 e 2023 atendidas em mais de 40 centros hospitalares de referência em todo o país. Destas, 10.748 eram homens que fazem sexo com homens (HSH); 3.954 eram homens cisgêneros heterossexuais; 2.515 eram mulheres cisgênero; e 196 mulheres eram mulheres transgênero.
O estudo comparou a evolução clínica desses grupos, a resposta ao tratamento antirretroviral, bem como indicadores de qualidade da assistência durante quase duas décadas. PIORES RESULTADOS CLÍNICOS EM MULHERES TRANS COM HIV
Os resultados revelaram que as mulheres trans com HIV apresentaram taxas mais elevadas de falha virológica, novas doenças definidoras de AIDS e perda de acompanhamento em comparação com os outros grupos, especialmente em relação aos homens que fazem sexo com homens, que foram tomados como referência. Por outro lado, não foram observadas diferenças significativas na mortalidade, o que sugere que, embora a sobrevivência seja semelhante, as trajetórias clínicas das mulheres trans são mais instáveis e vulneráveis.
Apesar desses resultados, o estudo mostra que tanto as mulheres cis quanto as mulheres trans se conectaram ao sistema de saúde mais rapidamente do que os outros grupos, e que a maioria teve acesso à assistência médica no primeiro mês após o diagnóstico, um indicador relevante de boa qualidade inicial da assistência. Além disso, as mulheres trans alcançaram taxas de supressão viral precoce nos primeiros três meses comparáveis às dos demais participantes.
Essas descobertas indicam que as barreiras mais determinantes não se encontram no acesso inicial, mas na continuidade do acompanhamento e na manutenção do tratamento antirretroviral a longo prazo. “As dificuldades para manter uma assistência contínua e uma adesão sustentada ao tratamento parecem ser elementos centrais nesses resultados, embora não possamos identificar com certeza suas causas. Fatores sociais, condições estruturais e obstáculos no acompanhamento podem contribuir para essas diferenças”, afirma a Dra. Díez. Os pesquisadores destacam a importância de promover estratégias de saúde pública e assistência especificamente orientadas às suas necessidades, que integrem a assistência clínica com os determinantes sociais que influenciam sua saúde e ofereçam intervenções adaptadas e sustentadas a longo prazo.
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