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MADRID 3 jun. (EUROPA PRESS) -
As mulheres têm quase o dobro de probabilidade de sofrer reações adversas a um medicamento, uma situação que decorre da "exclusão clássica" de mulheres em estudos clínicos para extrapolar os resultados obtidos em homens, sem levar em conta as diferenças biológicas, conforme explicam as especialistas em Farmacologia Clínica María Isabel Lucena González e Encarnación Blanco Reina.
"Os desafios surgem das deficiências, especialmente da clássica exclusão das mulheres nos ensaios clínicos, justificada principalmente pelo medo dos riscos fetais em caso de gravidez. Também se baseia na variabilidade e na complexidade introduzidas pelos ciclos hormonais das mulheres, bem como na chamada 'medicina do biquíni', um modelo simplista segundo o qual a saúde das mulheres difere da dos homens apenas nas partes do corpo cobertas por um biquíni, ou seja, seus órgãos reprodutivos", comentaram.
Como consequência das lacunas criadas por isso, é mais provável que as mulheres sofram mais reações adversas a medicamentos, além de terem certos problemas e até mesmo diferenças na eficácia.
De fato, as mulheres têm uma taxa maior de dependência, sonolência e quedas relacionadas aos benzodiazepínicos; uma frequência maior de mialgia, diabetes de início recente ou danos ao fígado para estatinas; e mais ganho de peso e distúrbios hormonais para medicamentos antipsicóticos.
Os Drs. Lucena e Blanco destacaram que os desafios permanecem em "praticamente todos os níveis", desde a pesquisa pré-clínica até a seleção e dosagem de medicamentos na clínica, bem como a observação de desigualdades na participação de pacientes em estudos clínicos e na análise desagregada de dados.
É por isso que a Sociedade Espanhola de Farmacologia Clínica (SEFC) solicitou a eliminação da lacuna de gênero existente na pesquisa, a desagregação "correta" dos resultados, um estudo aprofundado das causas das diferenças entre os sexos ao longo da vida e a conscientização de estudantes e profissionais de saúde para que estejam mais conscientes dessas diferenças.
Depois disso, ambos os especialistas lembraram que o sexo é um fator condicionante "muito relevante" na fisiologia da doença e na gestão e resposta aos medicamentos, enquanto o gênero geralmente tem uma influência maior no consumo de medicamentos por meio do estilo de vida, níveis de automedicação e outros fatores não biológicos.
A FUNÇÃO DO FARMACOLOGISTA CLÍNICO
Por outro lado, os Drs. Blanco e Lucena enfatizaram que o trabalho do especialista em Farmacologia Clínica consiste em avaliar a relação risco-benefício dos medicamentos nas pessoas, tanto na população em geral quanto em subgrupos específicos e pacientes individuais.
"A promoção de um uso razoável e individualizado de medicamentos está enraizada em seu treinamento e desempenho profissional. Contribuições específicas estariam ligadas ao seu papel na concepção e avaliação de ensaios clínicos, em estudos de utilização de medicamentos com foco em diferenças de sexo/gênero, em suas responsabilidades pelo gerenciamento de medicamentos, na disseminação dessas questões e no treinamento, tanto na graduação quanto na pós-graduação e na educação continuada", afirmaram.
CONCURSO DO DIA MUNDIAL DA MEDICINA INTELIGENTE
Por ocasião do Dia Mundial da Medicação Inteligente, comemorado em 5 de maio, a União Internacional de Farmacologia Básica e Clínica (IUPHAR) organizou um concurso internacional de pôsteres, que nessa ocasião foi vencido por Leonor Amador e Marina Gamero, estudantes da Faculdade de Medicina da Universidade de Málaga, que apresentaram um trabalho intitulado "Blowing up pharMANcology" (Explodindo a farmacologia centrada no homem, segundo o trocadilho).
Esse pôster foi produzido em formato de história em quadrinhos e mostra as diferenças entre os sexos nos diversos processos farmacocinéticos, além de solicitar uma maior participação das mulheres na pesquisa e no desenvolvimento de medicamentos.
Uma equipe de pesquisa de Málaga também apresentou um pôster intitulado "Sex differences in Drug-Induced Liver Injury: Same pills, different thrills" (Diferenças de sexo na lesão hepática induzida por medicamentos: mesmos comprimidos, emoções diferentes), que ganhou o terceiro lugar na categoria de pôster científico por sua "excelente" análise da influência do sexo e do gênero na lesão hepática induzida por medicamentos.
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