Publicado 16/04/2026 09:18

As mulheres com problemas de dependência demoram, em média, 10 anos a mais do que os homens para procurar ajuda

Archivo - Arquivo - Mulher com um baseado de maconha.
ISTOCK - Arquivo

MADRID 16 abr. (EUROPA PRESS) -

22% das pessoas atendidas na rede por dependência química são mulheres, porcentagem que sobe para 24% no caso de dependências não químicas, alertam na Rede de Atendimento às Dependências (UNAD), que destaca que as mulheres com dependência demoram, em média, 10 anos a mais do que os homens para procurar ajuda, e apresenta

“Esses números não refletem uma menor incidência, mas sim as dificuldades que as mulheres enfrentam para acessar e permanecer nos tratamentos”, destacaram no Congresso Nacional da UNAD, a Rede de Atendimento às Dependências, que está sendo realizado em Múrcia.

Entre as principais barreiras destacam-se o estigma social, a carga dos cuidados, a dependência econômica, o medo de perder a guarda dos filhos e das filhas ou a falta de recursos adaptados. Nesse sentido, o presidente da UNAD, Luciano Poyato, destacou que “os dados mostram que as mulheres chegam mais tarde aos recursos e em situações de maior complexidade”, o que reforça a necessidade de adaptar as respostas às suas realidades.

Nessa mesma linha, a delegada do Governo para o Plano Nacional sobre Drogas, Xisca Suereda Llul, que participou da inauguração do Congresso, afirmou que a questão de gênero na assistência às dependências é “praticamente invisível” e indicou o “longo caminho que ainda há que percorrer aqui”. Assim, ela insistiu que não se pode oferecer os mesmos recursos a pessoas com realidades diferentes, como são as mulheres e os homens, e apostou no avanço de um marco comum para melhorar a equidade e o impacto na assistência.

A PREVENÇÃO, UMA PRIORIDADE PENDENTE

A UNAD reivindicou um modelo de prevenção baseado em evidências, com financiamento estável e que incorpore a perspectiva de gênero e a abordagem interseccional. “Sabemos que a prevenção funciona, que reduz riscos e melhora a vida das pessoas, mas continua sem ocupar o lugar central que deveria ter”, destacou Poyato, que insistiu que “ela não pode continuar sendo o elo mais fraco”.

Assim, abordou-se a necessidade de revisar os modelos de atendimento, tradicionalmente concebidos a partir de abordagens masculinizadas, para adaptá-los às necessidades reais das mulheres. Nesse sentido, destacou-se a importância de garantir recursos específicos para elas, melhorar a coordenação entre os sistemas e reforçar a formação dos profissionais.

Da mesma forma, alertou-se para realidades que exigem maior atenção, como o consumo de psicofármacos entre as mulheres, especialmente na população jovem e idosa.

No Congresso, também ficou evidente a estreita relação entre violência e dependências, demonstrando que se trata de realidades “profundamente” interligadas. De acordo com os dados apresentados, cerca de 80% das mulheres em tratamento por dependência química e 70% das mulheres com dependência não química foram vítimas de violência ao longo de suas vidas.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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