MADRID 7 abr. (EUROPA PRESS) -
Médicos de medicina interna alertaram que as mulheres com insuficiência cardíaca (IC) tendem a ser mais velhas, têm mais comorbidades e são diagnosticadas mais tarde, o que afeta o manejo e o prognóstico da patologia, em comparação com as mesmas variáveis nos homens.
Esse é o perfil das pacientes do sexo feminino que os especialistas detalharam no XXVII Encontro de Insuficiência Cardíaca e Fibrilação Atrial da Sociedade Espanhola de Medicina Interna (SEMI). Eles pediram uma maior conscientização sobre as diferenças na apresentação da insuficiência cardíaca entre os sexos, bem como em sua resposta ao tratamento, a fim de desenvolver estratégias de gerenciamento específicas.
Em termos de diferenças entre homens e mulheres, a IC com fração de ejeção preservada (IC-FEP) é mais comum em mulheres, especialmente entre aquelas que também têm obesidade, hipertensão e diabetes. No entanto, estudos recentes mostram que as mulheres recebem um tratamento menos otimizado com medicamentos modificadores da doença, como ARNs, betabloqueadores ou iSGLT2, explicou o especialista José Pérez Silvestre.
A IC é um problema de saúde pública que está crescendo constantemente devido ao envelhecimento da população e ao aumento dos fatores de risco, como hipertensão, diabetes e obesidade. Na Espanha, estima-se que existam 800.000 pacientes e mais de 120.000 diagnósticos por ano, afetando cerca de 2% da população adulta e até 10-15% das pessoas com mais de 70 anos de idade.
É a principal causa de hospitalização em pessoas com mais de 65 anos, com uma taxa de readmissão de 30% a 50%. A mortalidade em cinco anos é de cerca de 50%, semelhante à de muitos cânceres. Além disso, 90% dos pacientes têm comorbidades relevantes, como diabetes, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), doença renal crônica e fibrilação atrial (FA), e exigem um tratamento individualizado e abrangente.
PAPEL DA MEDICINA INTERNA
Os serviços de medicina interna são responsáveis por cerca de 70% das internações. A implementação de Unidades de Gerenciamento Integrado de Pacientes com Insuficiência Cardíaca (UMIPIC) demonstrou uma redução de 50% nas readmissões e na mortalidade em 12 meses em comparação com o gerenciamento convencional. Além disso, a otimização do tratamento em Medicina Interna, com a introdução de medicamentos como iSGLT2, finerenona e ARNI, melhorou significativamente o prognóstico e a qualidade de vida dos pacientes.
"A Medicina Interna se estabeleceu como um pilar fundamental no tratamento da IC na Espanha. Ela oferece atendimento abrangente, eficiente e baseado em evidências. A expansão das UMIPICs e a personalização do tratamento são fundamentais para melhorar os resultados dos pacientes", explicou Pérez Silvestre, que é o coordenador do grupo de trabalho de Insuficiência Cardíaca e Fibrilação Atrial da SEMI.
Durante a reunião, o desenvolvimento de terapias para tratar a insuficiência cardíaca também foi discutido. No caso da IC com FE preservada, foi discutido o papel de medicamentos como o iSGLT2 e a finerenona, "que estão abrindo caminho no tratamento desses pacientes tradicionalmente órfãos de opções eficazes", de acordo com Pérez Silvestre, juntamente com a tirzepatide e a semaglutide.
No caso da IC com FE reduzida, foi destacada a necessidade de otimizar as combinações com SGLT2i e ARNI e de incluir estratégias de início precoce na hospitalização. Além disso, foram apresentados novos dados sobre o vericiguat, um medicamento que melhora a função miocárdica e vascular na IC crônica.
DESAFIOS FUTUROS
Olhando para o futuro, foram listados alguns dos desafios pendentes, como a obtenção de um diagnóstico mais precoce e preciso por meio do uso de biomarcadores como NT-proBNP e Ca 125, juntamente com o ultrassom clínico e a implementação de inteligência artificial e big data para prever a descompensação; bem como o avanço nos tratamentos personalizados, otimizando os medicamentos de acordo com o fenótipo da doença e diferenciando seus tipos.
Além disso, os especialistas destacaram a necessidade de mais trabalho colaborativo entre Medicina Interna, Cardiologia, Atenção Primária e Unidades de Insuficiência Cardíaca, a fim de melhorar o prognóstico e a qualidade de vida dos pacientes. Eles também pediram a expansão de programas de hospitalização domiciliar e monitoramento telemático para reduzir as readmissões.
A reunião também abordou outros aspectos da fibrilação atrial (FA), com relação à qual foi apontada a utilidade do uso de dispositivos vestíveis, como smartwatches, para identificá-la quando assintomática em pacientes com IC.
Além disso, foi analisado o gerenciamento abrangente de pacientes com FA, com foco especial na anticoagulação segura em indivíduos frágeis ou multipatológicos e no tratamento em casos de amiloidose ou IR. A abordagem "ABC" (Anticoagulação, Controle de Sintomas e Comorbidades) também foi discutida como uma estratégia para melhorar o atendimento a esses pacientes.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático