Publicado 06/05/2026 08:47

As mudanças climáticas e ambientais aumentam o risco de zoonoses como a leptospirose na Europa, segundo um estudo

Archivo - Arquivo - Ao contrário dos anos anteriores, este ano há uma preocupação especial com o surgimento de pragas de roedores, especialmente ratos, cuja proliferação foi favorecida pela pandemia — com confinamentos e restrições —, segundo a ADEPAP.
ADEPAP - Arquivo

MADRID 6 maio (EUROPA PRESS) -

Um estudo internacional, publicado na revista “The Lancet Regional Health”, conclui que fatores climáticos e ambientais podem aumentar o risco de leptospirose e alerta que as mudanças climáticas podem ter um impacto significativo no surgimento de mais casos dessa doença.

A pesquisa, coordenada pelo Centro de Pesquisa da Comissão Europeia em Sevilha, conta com a participação do Centro Nacional de Epidemiologia e da Escola Nacional de Saúde do ISCIII. Seus resultados destacam a necessidade de adotar medidas proativas na Europa para mitigar os efeitos da leptospirose e de outras zoonoses sensíveis às mudanças climáticas.

A leptospirose é uma zoonose — doença transmitida entre animais e pessoas — negligenciada, com grande impacto a nível mundial, que se transmite principalmente através do contato da pele lesionada ou com feridas com água ou terrenos contaminados pela urina de animais infectados, sobretudo roedores. Caracteriza-se por febre e dores musculares e, em casos graves, pode causar insuficiência hepática e renal.

Tradicionalmente, a doença tem afetado especialmente regiões tropicais, mas as mudanças climáticas e ambientais estão aumentando sua incidência em outras zonas, como diversos países europeus.

A pesquisa, uma análise espaço-temporal pioneira na Europa, combina dados epidemiológicos, coletados entre 2010 e 2023, com indicadores climáticos e ambientais, e permitiu identificar fatores-chave na distribuição da doença e estimar o risco futuro associado a diferentes cenários de mudança climática.

Seus resultados recomendam potencializar a integração de modelos espaciais e temporais nos sistemas de alerta precoce e incorporar estratégias de gestão ambiental e mitigação das mudanças climáticas para facilitar intervenções mais eficazes de saúde pública.

Especificamente, o estudo conclui que o aumento das temperaturas e a alteração das condições ambientais associadas a maior umidade elevam o risco de leptospirose no curto prazo. O risco é maior em regiões quentes, densamente povoadas e próximas à costa, e aumenta nos últimos meses do verão, com especial relação aos efeitos das emissões de gases de efeito estufa.

Ele também revela que a redução da biodiversidade pode aumentar o risco de transmissão da doença, e que a presença de assentamentos humanos próximos a áreas florestais também pode estar relacionada a um risco maior.

MAIS REGIÕES AFETADAS E POR MAIS TEMPO

No futuro, espera-se que a distribuição espacial da leptospirose mude e se expanda. As regiões do norte e do centro da Europa, que historicamente tiveram menor incidência devido ao clima mais frio, provavelmente se tornarão mais propícias à transmissão. Também poderiam ocorrer algumas reduções localizadas no sul da Europa, onde o aumento das temperaturas e a seca poderiam reduzir a sobrevivência da bactéria.

No geral, a principal tendência é uma expansão tanto geográfica quanto sazonal, com mais regiões afetadas e um risco que se prolonga por mais meses do ano. Além disso, o estudo lembra que os países com sistemas de saúde menos robustos, com maior dificuldade para integrar estratégias “One Health” — estratégia que une saúde humana, animal e ambiental — que incluam dados climáticos, de saúde animal e sanitários nos sistemas de vigilância e alerta precoce, são mais vulneráveis. Em suma, o estudo traz novos dados sobre a necessidade de fortalecer a preparação global diante de ameaças zoonóticas emergentes na Europa.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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