NADEZHDA1906/ ISTOCK - Arquivo
De acordo com um relatório que analisa 57 empresas dos setores de lazer e entretenimento, tecnologia, moda, estética e seguros
MADRID, 7 out. (EUROPA PRESS) -
As medidas de prevenção relacionadas à saúde mental e ao bem-estar emocional de crianças e adolescentes promovidas por empresas privadas são “parciais e desiguais”, conforme consta de um relatório da UNICEF Espanha, da Zurich Seguros e da Z Zurich Foundation, que analisou as práticas de 57 empresas dos setores de lazer e entretenimento, tecnologia, moda, estética e seguros.
“As empresas têm impacto no bem-estar emocional e na saúde mental das crianças”, destacou nesta quarta-feira a presidente da UNICEF Espanha, María Ángeles Espinosa, na apresentação do relatório, publicado na véspera do Dia Mundial da Saúde Mental, com o objetivo de avaliar o que as empresas fazem para incorporar o bem-estar das crianças e dos adolescentes em suas decisões de negócios.
Para isso, foram identificados, a partir de uma revisão da literatura, os cinco setores que têm maior impacto sobre os menores. Em seguida, analisou-se, em uma seleção de empresas, as práticas que elas adotam e que podem ter um efeito atenuante. Essas medidas são classificadas em três dimensões: produtos e serviços, publicidade e marketing, e ambiente de trabalho e familiar.
Dentro da categoria de produtos e serviços, são analisadas as subcategorias de adequação à idade, riscos e salvaguardas; diversidade e inclusão corporal no design e na oferta; e controle parental. Em publicidade e “marketing”, as subcategorias estudadas são publicidade responsável e diversidade, imagem corporal e combate aos estereótipos. No ambiente de trabalho e familiar, são: flexibilidade no trabalho; licenças parentais e apoio familiar; e saúde mental e bem-estar psicológico.
Com o objetivo de quantificar quantas empresas possuem medidas relacionadas ao bem-estar da infância e da adolescência, utiliza-se o Índice de Prevenção e Mitigação do Impacto no Bem-Estar Emocional (IPMIBE). Esse indicador permite verificar qual porcentagem de empresas possui, pelo menos, uma medida que atenda aos critérios e, no futuro, permitirá acompanhar os avanços.
RESULTADOS POR SETORES
O relatório “As empresas influenciam o bem-estar emocional da infância e da adolescência” mostra que a pontuação mais baixa no IPMIBE ocorre no setor de estética, onde se situa em 28%, entre as 12 empresas analisadas. Espinosa afirmou que esse resultado deve servir de motivo para reflexão, levando em conta que o setor está intimamente relacionado à construção da autoestima, sobretudo na adolescência.
Nesse âmbito, o relatório mostra que 57% das empresas possuem medidas relacionadas à diversidade e à eliminação de estereótipos, mas apenas 17% incluem medidas de adequação à idade.
No setor de lazer e entretenimento, onde foram analisadas cinco empresas, o IPMIBE situa-se em 32%, com grandes diferenças entre as categorias. A dimensão de produtos e serviços atinge 16,4%; a de publicidade e “marketing”, 40%; e a de ambiente de trabalho e familiar, 57,5%.
O IPMIBE no setor da moda é de 30%. A dimensão que apresenta a melhor avaliação é a do ambiente de trabalho e familiar, com 43%, seguida pela publicidade e marketing, com 34%, e produtos e serviços, com 19%.
No âmbito da tecnologia, com um IPMIBE de 32%, que se situa em 30% tanto na publicidade quanto nos produtos e chega a 46% no ambiente de trabalho e familiar, destaca-se que 83% das empresas analisadas (12) dispõem de controles parentais, mas apenas 17% possuem medidas de adequação à idade.
Por fim, o setor de seguros, com três empresas analisadas, apresenta um IPMIBE de 54% e concentra suas medidas na dimensão do ambiente de trabalho e familiar (64%). Esse setor é o que exerce uma influência mais indireta sobre crianças e adolescentes entre os cinco analisados.
INTEGRAR OS DIREITOS DA INFÂNCIA NAS DECISÕES EMPRESARIAIS
O diretor executivo (CEO, na sigla em inglês) da Zurich Espanha, Vicente Cancio, destacou que as decisões empresariais são importantes para o bem-estar dos menores. Assim, ele destacou como as empresas podem influenciar positivamente a saúde mental dos jovens por meio de sua marca, posicionamentos, mensagens ou forma de produção, entre outros.
Nesse contexto, o relatório apresenta cinco recomendações para ajudar o setor privado a incorporar a prevenção e o bem-estar dos menores em suas decisões de negócios. Em primeiro lugar, insta a introduzir a prevenção desde a concepção dos produtos e serviços, bem como na publicidade e no marketing.
Paralelamente, aconselha comunicar sem gerar novas vulnerabilidades, utilizando na publicidade, no patrocínio ou em outras ações de comunicação referências positivas, diversas e autênticas.
Além disso, pede a criação de condições de trabalho que promovam o cuidado e o autocuidado. “Os pais e mães que trabalham em empresas desses setores são responsáveis pelo cuidado e bem-estar de seus filhos, mas, para isso, precisam poder cuidar de si mesmos”, destacou María Ángeles Espinosa.
Em quarto lugar, apela à integração dos direitos da infância na estratégia empresarial, de modo que o bem-estar das crianças faça parte das perguntas que uma empresa se faz antes de tomar decisões, e não apenas das ações que desenvolve posteriormente para compensar seus impactos.
Por fim, ela ressalta a importância de incorporar a voz das crianças e dos adolescentes na tomada de decisões sobre as estratégias empresariais que os afetam, permitindo que eles orientem e participem ativamente com todos os agentes envolvidos.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático