Publicado 06/10/2025 07:34

As internações hospitalares dobrarão até 2050 e se concentrarão em pacientes idosos e dependentes, diz a SEMI

Archivo - Arquivo - Profissional de saúde apertando a mão de um paciente.
CHINNAPONG/ISTOCK - Arquivo

MADRID 6 out. (EUROPA PRESS) -

A Sociedade Espanhola de Medicina Interna (SEMI) estima que, até 2050, as hospitalizações nos serviços de Medicina Interna dobrarão, especialmente entre os pacientes idosos, multipatológicos e dependentes, que exigem cuidados multidimensionais e holísticos.

Isso foi destacado pela SEMI durante a XII Reunião de Pacientes Crônicos Complexos-XVI Reunião do Grupo de Trabalho de Cronicidade e Pluripatologia, realizada em Alcalá de Henares (Madri) nos dias 2 e 3 de outubro e patrocinada pela Boehringer Ingelheim.

De acordo com a Sociedade, o envelhecimento da população e o aumento da expectativa de vida estão mudando o perfil dos pacientes hospitalizados na Espanha, com uma projeção de aumento da população com mais de 65 anos de 20% atualmente para 30% até 2055.

A SEMI ressalta que, atualmente, mais da metade das altas para a Medicina Interna já corresponde a pessoas com mais de 74 anos de idade, com uma prevalência muito maior naqueles com idade entre 90 e 95 anos. A multimorbidade afeta 60% das pessoas com mais de 65 anos, o que "se traduz em maior mortalidade, mais internações e pior qualidade de vida". Nesse contexto, 60% dos pacientes internados são cronicamente complexos, muitos com alta dependência nas atividades diárias e alto risco de readmissão ou morte.

Para lidar com essa complexidade, a SEMI acredita que a avaliação abrangente e a visão holística do médico internista são essenciais, "permitindo a avaliação da funcionalidade, do estado cognitivo e das comorbidades, priorizando intervenções personalizadas e melhorando os resultados clínicos".

"A abordagem tradicional de cuidados com a saúde, focada em doenças individuais, não é apropriada para pacientes multipatológicos, gerando duplicação de consultas e exames e aumentando o risco de interações medicamentosas", diz a Sociedade.

"Em contrapartida, novos modelos de atendimento multidimensional e holístico, liderados por internistas, têm demonstrado melhores resultados de saúde e maior eficiência no uso de recursos. Para garantir a qualidade do atendimento, a SEMI desenvolveu padrões de qualidade que credenciam programas que atendem aos critérios de coordenação, planejamento do atendimento, otimização da prescrição e continuidade do atendimento. Em particular, com os Selos de Excelência da SEMI, que foram concedidos a oito serviços de Medicina Interna já acreditados, consolidando um modelo padronizado de atendimento a pacientes multipatológicos", diz a coordenadora do grupo de trabalho de Cronicidade e Pluripatologia da SEMI, Pilar Cubo.

Os serviços de medicina interna credenciados até o momento correspondem aos seguintes hospitais: Hospital Universitario de Fuenlabrada, Hospital Universitario de la Arrixaca, Hospital Clínico Universitario de Valladolid, Hospital Universitario de Guadalajara, Complejo Asistencial de Ávila, Hospital Universitario Infanta Cristina de Parla (Madri), Hospital Universitario de Navarra e Hospital Universitario Nuestra Sra. del Prado de Talavera de la Reina (Toledo).

IMPORTÂNCIA DA SÍNDROME CARDIOVASCULAR-RENAL-METABÓLICA

Por outro lado, a SEMI adverte que a síndrome cardiovascular-renal-metabólica (CVRMS) afeta até 30% da população mundial e representa um desafio crescente no atendimento de pacientes crônicos complexos. Essa síndrome reflete a interação fisiopatológica entre doenças metabólicas, como obesidade e diabetes tipo 2, doença renal crônica e patologias cardiovasculares, levando a um aumento significativo no risco de eventos cardiovasculares graves.

"Sua prevalência na Espanha é alta. Por exemplo, a doença renal crônica (DRC) afeta 6 milhões de pacientes (15,1% da população adulta espanhola), porém, por ser uma patologia assintomática em estágios de risco moderado, muitas vezes não é diagnosticada. Diante dessa realidade, é urgente adotar um enfoque holístico e transversal que permita a proteção simultânea dos órgãos-alvo, especialmente o coração e os rins", enfatiza a Sociedade.

DELIRIUM E DETERIORAÇÃO FUNCIONAL DURANTE A INTERNAÇÃO HOSPITALAR

A SEMI também alerta para o fato de que o delírio e a deterioração funcional em pessoas com mais de 70 anos durante a hospitalização são muito comuns: até 46% dos pacientes internados em medicina interna sofrem deterioração funcional, e o delírio afeta entre 20% e 30% das pessoas hospitalizadas.

Ambas as situações estão associadas a perdas funcionais persistentes, aumento da mortalidade durante a internação e após a alta, internações mais longas, maior risco de readmissão e aumento dos custos de saúde. "Dada a alta prevalência de delirium e comprometimento funcional em pacientes idosos, estratégias de prevenção baseadas no reconhecimento precoce e intervenções não farmacológicas (mobilização precoce, orientação, hidratação, higiene do sono) são necessárias e podem evitar até metade de todos os casos", de acordo com Cubo.

De acordo com a SEMI, as diretrizes de prática clínica nem sempre abrangem a complexidade dos pacientes multipatológicos, o que pode levar à prescrição excessiva de medicamentos, com seus riscos associados. A reunião também discutiu uma abordagem de prescrição centrada na pessoa, priorizando a qualidade de vida e as preferências do paciente, em vez de seguir protocolos isolados para cada doença.

ABUSO DE IDOSOS

Os internistas alertam sobre as necessidades de cuidados e a grave situação de muitos idosos na Espanha, pois estima-se que 16% das pessoas com mais de 64 anos sofram de abuso, embora alguns especialistas estimem que o número real possa ser de 40 a 45% devido ao subdiagnóstico.

Eles afirmam que, para melhorar a detecção, é fundamental o treinamento dos profissionais de saúde sobre os sinais de alerta. Eles ressaltam que essa é apenas uma das muitas condições complexas sofridas por pacientes idosos, crônicos e multipatológicos, para os quais o modelo de atendimento precisa ser repensado.

"Os tipos mais comuns de abuso de idosos são abuso psicológico, negligência, abuso financeiro e físico. Para melhorar a detecção, é essencial treinar os profissionais de saúde em sinais de alerta, como alterações emocionais, lesões inexplicáveis, negligência com a higiene e isolamento social", conclui Cubo.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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