MADRID 1 abr. (EUROPA PRESS) -
Um novo modelo matemático desafia a visão tradicional da transição da humanidade da caça pré-histórica para a agricultura.
Publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), a pesquisa destaca o papel das interações humanas durante a transição da caça e coleta para a agricultura - uma das maiores mudanças na história da humanidade - em vez de ideias anteriores que se concentravam em fatores ambientais.
A transição de um estilo de vida de caçador-coletor, que a humanidade seguiu por centenas de milhares de anos, para um estilo de vida agrícola sedentário há cerca de 12.000 anos foi amplamente discutida em livros populares como Sapiens: A Brief History of Humankind, de Yuval Noah Harari.
Essa nova pesquisa mostra que os seres humanos não foram meros participantes passivos nesse processo, mas desempenharam um papel ativo e crucial na transição. Fatores como flutuações no crescimento populacional e nas taxas de mortalidade, impulsionados pela competição entre caçadores-coletores e agricultores, moldaram o desenvolvimento agrícola dessas regiões.
MIGRAÇÃO, COMPETIÇÃO E INTERCÂMBIO CULTURAL
Usando um modelo originalmente projetado para estudar as interações predador-presa, os pesquisadores examinaram como os primeiros agricultores e caçadores-coletores podem ter influenciado uns aos outros. Os resultados sugerem que as primeiras sociedades agrícolas se expandiram por meio da migração, da competição e do intercâmbio cultural, transformando a maneira como os caçadores-coletores viviam e interagiam com seu ambiente.
Javier Rivas, do Departamento de Economia da Universidade de Bath e coautor do estudo, afirma: "Nosso estudo oferece uma nova perspectiva sobre as sociedades pré-históricas. Ao ajustar estatisticamente nosso modelo teórico de predador-presa à dinâmica populacional observada, inferida a partir da datação por radiocarbono, exploramos como o crescimento populacional moldou a história e descobrimos padrões interessantes, como, por exemplo, a forma como a disseminação da agricultura, seja por terra ou por mar, influenciou as interações entre diferentes grupos. Mais importante ainda, nosso modelo também destaca o papel da migração e da mistura cultural no surgimento da agricultura.
A equipe planeja desenvolver esse modelo acrescentando mais detalhes e testando-o em regiões maiores. "Esperamos que os métodos que desenvolvemos se tornem uma ferramenta padrão para compreender como as populações interagiram no passado, oferecendo uma nova perspectiva sobre outros momentos importantes da história, não apenas a transição para a agricultura", conclui Javier Rivas.
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